Capítulo 134 FERA NARRANDO Passei o dia inteiro na boca. Trabalhei feito cão — B.O., contenção, cobrança, ajuste de pedido, manda pra lá, manda pra cá. O morro não dorme e o patrão também não. Quando a noite caiu e a última treta da lista parecia resolvida, eu pensei só numa porrä: chegar em casa, tomar um banho quente e sumir até amanhã. Era o plano mais simples do mundo, simples como uma bala no tambor. Cheguei em casa e a casa tava do jeito de sempre: cheiro de comida que ficou, pano molhado, a luz baixo. A Luara atual é o tipo de mina que se tranca e some do mundo — porta fechada, janela fechada, como se fosse um refúgio. Eu nem mexi. Fui pro meu quarto, tranquei a porta, tirei a roupa da rua como quem deixa uma armadura cair no chão, entrei no chuveiro e deixei a água levar o resto

