Capítulo 12 FERA NARRANDO Momentos antes... Eu já tinha decidido. Não era caridade, não era bondade, não era pena. Era negócio. Ela tava precisando, eu também. E ponto. O morro me ensinou que quando duas necessidades se cruzam, alguém sempre sai perdendo. Mas, nesse caso, eu podia fazer os dois lados ganharem. Ela resolvia o problema do pai, eu resolvia o meu: deixava o meu legado garantido. Era simples. Cru. Prático. Ela ia ganhar dinheiro, salvar o pai. Eu ia ter o que queria: uma barriga de aluguel. Um herdeiro. Sangue do meu sangue. Então eu fui. De moto, devagar, cortando as vielas. O vento frio da madrugada batendo na cara, enquanto eu tragava outro balão e soltava a fumaça. A favela dormia em silêncio, só alguns cachorros latiam e um rádio ao longe tocava uma música de am

