Capítulo 63 MILENA NARRANDO No dia seguinte acordei com batidas insistentes na porta. Nem abri o olho. Fingi que tava dormindo, mas meu corpo tava alerta. Como sempre, desde que entrei nesse infernö travestido de mansão. Toquei no travesseiro ao lado. Vazio. Pelo menos ele teve a decência de não deitar comigo. Mais duas batidas. Dessa vez, reconheci a voz. — Milena… — a voz do Sabão veio abafada, do outro lado. — É o Sabão. Patrão mandou tu descer pro café. Suspirei fundo. Já começou. Fiquei muda. De saco cheio. Cruzei os braços e encarei a parede como se ela fosse o próprio Fera. Ele bateu de novo. — Ô, Milena! Patrão falou que tu tem que se alimentar. Revirei os olhos e gritei: — Fala pro teu patrão que ele não manda em mim! Ouvi passos se afastando. Ótimo. O silêncio depois

