Capítulo 150 SILVANA NARRANDO Silêncio. Só o apito do monitor cardíaco preenchia a sala. E mesmo assim… ele estava na minha cabeça. Junin. Aquele… ser. Eu já atendi vagabundö, traficante, deputado corrupto, modelo internacional, empresário cäfajeste… Mas nenhum tinha me abalado como esse moleque do morro. Brega. Cara de päu. Insolente. E… de alguma forma, impressionantemente autêntico. Fechei os olhos e respirei fundo. Precisava focar. Plantão pesado. Paciente grave na sala ao lado. Mas… “Coração bate em qualquer CEP, doutora.” Esse malditö tinha coragem de soltar uma dessas e sair como se fosse poeta. E o pior? Funcionava. Sentei na sala de repouso, tirei o jaleco por uns segundos. Abri meu celular. Mensagens dos grupos do hospital, nada demais. Mas a minha mão…

