Capítulo 45 MILENA NARRANDO Já tinha perdido a conta de quantas latinhas eu tinha bebido. Uma, duas, três… sei lá. Só sei que cada gole descia como um empurrão pra engolir o que eu tava sentindo. Depois que entrei, Fera tava lá… na dele. Sentado na poltrona com aquela cara de que não deve nada pra ninguém. Camisa meio aberta no peito, cigarro entre os dedos, e agora, além da porrä da presença fria dele que nem parecia que tava pegando fogo entre a gente a minutos atrás, tinha a fumaça do baseadö subindo devagar, como se o tempo tivesse desacelerado só pra me torturar. Ele não falava. Não perguntava nada. Não comentava o dia, o calor, a viagem. Nada. Era como se eu fosse só um quadro aqui na sala. Bonito, presente, mas dispensável. E eu … Eu me sentia uma Idiotä . Achei que dep

