Capítulo 42 MILENA NARRANDO O silêncio da viagem foi como um grito entalado na garganta. Nem ele disse nada. Nem eu. Só o som do carro rasgando a madrugada e o barulho do meu coração batendo apressado. A estrada escura parecia não ter fim, e mesmo sem saber o que me esperava, uma coisa era certa: daqui eu não ia sair a mesma. Não teve rádio ligado, não teve pergunta, não teve troca de olhares. Fera dirigia como se carregasse uma carga qualquer no banco de trás, como se eu fosse só uma missão a ser cumprida. E talvez fosse isso mesmo. Pra ele, eu sou só um corpo com útero, um contrato assinado, uma missão que precisa ser concluída sem ruídos. Mas dentro de mim… era o caos. O silêncio do carro me fez companhia como um velho conhecido. E quando a gente finalmente entrou em Angra, o céu

