Capítulo 213 RAFAELA NARRANDO Já fazia uma semana. Sete dias inteiros desde que o infernö começou. E o morro não deixava esquecer. O vídeo ainda rodava. Mesmo com as tentativas da Luara de apagar, de pedir pro site tirar do ar, de falar com Fera, com Junin, com quem fosse. Mas a internet do morro é pior que fogo em mato seco, uma vez aceso, ninguém apaga. Acordar virou castigo. Cada vez que eu saía na rua, sentia os olhares. O cochicho das mulheres no portão, o riso abafado dos vapores passando, as frases malditäs jogadas no vento: — Aí, olha lá a prima do Sabão. — Diz que é quente mesmo. — Dois numa noite, coragem hein. Às vezes nem falavam nada, só riam. Mas doía igual. Ou pior. Eu fingia não ouvir, cabeça erguida, passo firme. Mas por dentro... por dentro eu tava destr

