Capítulo 15 FERA NARRANDO Ela falou. A frase saiu da boca dela trêmula, quase engasgada, mas saiu. — Eu aceito. Duas palavras. Só isso. E, mesmo assim, encheram a sala inteira, como se o barulho tivesse vindo de um trovão. Eu soltei a fumaça devagar, deixando o silêncio trabalhar por mim. Não precisava responder rápido. Às vezes, o silêncio diz mais do que qualquer discurso. Fiquei olhando pra ela. A menina tava de pé, os dedos entrelaçados, apertando as próprias mãos, o peito subindo e descendo num ritmo descompassado. A respiração dela entregava o medo. O olhar dela entregava a dor. E, ainda assim, tinha algo de aço naquela postura — como se estivesse pronta pra aguentar porradä do destino, mesmo sabendo que ia sangrar. Eu já vi muito nojo. Já vi muito medo. Já vi muita mulher cho

