Capítulo 36 SANTOS NARRANDO A fumaça do meu cigarro se misturava com o ar pesado da sala. Eu já tinha parado de fumar faz tempo, mas sempre que o cerco apertava, lá estava eu com um Malboro na mão, como se esse gosto amargo fosse me dar respostas. Estávamos aqui, reunidos com os tubarões do BOPE. Nenhum iniciante na sala. Só os homens que fizeram nome limpando as ruas com sangue, suor e ferro. Sentados ao redor da mesa, todos sabiam que o assunto era um só. — Fera. — falei com a voz seca, jogando a pasta sobre a mesa. O som do impacto ecoou no silêncio da sala. A capa da pasta trazia a imagem dele. Fria. Impassível. O olhar desse desgraçadö me encarava como se soubesse que eu tava aqui, arquitetando sua queda. — Esse é o alvo. Bruno da Rocinha. Vulgo Fera. Trinta e oito anos. Dono d

