CAPÍTULO 16 - SANTUÁRIO VIOLADO

1203 Words
(POV DE CASSIAN BLACKWOLF) Encarei aquela mulher com um asco que eu jamais pensei que sentiria por alguém que já esteve na minha cama. Quando ela se aproximou, o rastro do perfume dela me atingiu como um soco de náusea. Ela tentou me tocar, mas meu instinto foi mais rápido. Desviei. Segurei os braços dela no ar antes que os dedos longos alcançassem minha pele. O olhar de Sienna mudou. A luxúria de pantera deu lugar a uma confusão patética. — Cass, por que está agindo assim? — a voz dela era baixa, quase um sussurro magoado que não me comovia nem um milímetro. Eu me afastei, tentando encontrar qualquer gota de paciência dentro de mim. O reservatório estava seco. — Sienna, não devemos mais nos ver. Isso... — apontei de mim para ela, sentindo o peso do meu próprio erro — ...foi um erro e não vai mais acontecer. O rosto dela virou uma máscara de espanto e descrença. A boca vermelha se abriu em um "O" silencioso. Ela não parecia tão bonita nesse momento. A admiração que eu já tive por aquele corpo atlético e aqueles olhos verdes evaporou, deixando apenas o rastro de uma escolha m*l feita. — Do que você está falando, amor? — A voz dela começou a subir, aguda e instável. — Por que está falando isso? Eu não entendo... o que eu fiz de errado? Olhei para a porta de vidro fosco. Lá fora, meus subordinados trabalhavam no QG. Eu já tinha problemas demais com corpos caindo de prédios para resolver o drama de uma amante agora. — Sienna, eu já falei. Eu não quero mais. Por favor, vá embora e não me procure mais. Eu esperava que ela tivesse o mínimo de dignidade e saísse. Ela não saiu. Eu fecho meus olhos por uns segundos e penso: "p***a, isso vai ser difícil." Ela respirava forte. O peito subia e descia bruscamente contra o tecido fino do vestido. O cheiro do desespero dela estava me dando náuseas. Era um odor ácido que lutava contra o floral do perfume. Fui até o minibar no canto do escritório e servi um uísque duplo. Precisava do fogo do álcool para queimar o gosto de bile na minha garganta. Ela se aproximou pelas minhas costas. Senti o calor do corpo dela e tentei ignorar. Quando ela tentou me abraçar, me esquivei de novo, o copo tilintando na minha mão. — Amor, por que você está falando essas coisas? — ela insistiu, a voz embargada. — Você não vai se separar da Louise? Agora que ela sabe de nós, ela vai te deixar e podemos ser felizes juntos. Eu te amo, Cassian... Eu m*l conseguia encará-la. O uísque desceu queimando, mas não foi o suficiente. — Sienna, eu nunca te prometi nada além de sexo — disparei, a frieza na minha voz cortando o ar. — Você sabia das minhas condições e aceitou. E se eu me separar da Louise, a única com quem eu ficaria seria a Zoe. Ela arfou. O som foi seco, como se eu tivesse socado o estômago dela com as palavras. Senti minha cabeça latejar. "Deusa, eu só queria que ela fosse embora." — A Zoe? — Ela soltou uma risada histérica, os olhos verdes faiscando de veneno. — Você ainda persiste nisso? Você acha que ela vai ter um relacionamento com você, Cassian? Ela tem uma vida feliz com o seu irmão! Que obsessão mais bizarra é essa por uma mulher que não te quer? A fúria explodiu no meu peito. Eu suportava muitas coisas, mas ouvir o nome da Zoe saindo da boca dela como se fosse um pecado me fez perder o controle. Soco a mesa de carvalho do bar com força suficiente para fazer os papéis voarem. Girei para ela, o rosnado de **Caius** vibrando nas minhas cordas vocais. — Cala a p***a da boca, Sienna! Você não sabe de c*****o nenhum! Eu, a Zoe e meu irmão sempre estivemos conectados. Ela me ama e vai me querer sempre! Ela recuou, assustada pelo meu surto, mas a máscara de "boazinha" caiu de vez. Ela riu. Um sorriso feio que não chegava aos olhos. — Você é louco, Cassian. Como a Zoe vai explicar isso para os filhos dela? Ela não vai ficar com você. Isso é doentio. Ela já seguiu em frente, só você continua preso a um passado que não te pertence. Cada palavra era uma facada no meu ego ferido. Uma verdade que eu me recusava a aceitar. Avancei. Peguei-a pelo braço com uma força que eu sabia que deixaria marcas. Encarei-a com tanto ódio que o verde dos olhos dela pareceu desbotar diante do meu azul elétrico. — Você não sabe de p***a nenhuma, Sienna. Você não passa de uma mulher vulgar que transa com o marido da própria "amiga". Ela tentou se debater, mas eu era uma parede de músculos e fúria. — Eu nunca mais quero te ver. Até a Louise tem mais classe que você. Agora saia do meu escritório antes que eu te arraste para fora daqui. E acredite em mim... eu não serei gentil. Abri a porta e a empurrei para o corredor diante do olhar chocado dos meus homens. Sienna cambaleou nos saltos, o rosto transfigurado pelo ódio. Bati a porta, trancando-a por dentro. O silêncio do escritório agora era um peso morto sobre os meus ombros. Sentei na minha mesa e passei minhas mãos no rosto. Eu odiava Louise. Passei cinco anos tentando quebrá-la, transformando cada dia em um campo de batalha para puni-la pelo que ela me "tirou". Mas, olhando para o vazio que Sienna deixou, a verdade me atingiu como um soco no estômago. Eu não apenas a traí. Eu matei a loba dela. Meu caso com Sienna foi o veneno que escorreu silencioso, sufocando a fêmea que deveria ser a minha outra metade até que ela desistisse de uivar. Eu queria distância. Queria o divórcio. Queria apagar o vínculo. Mas eu nunca desejei que ela sofresse algo tão horrível. O ódio que eu sentia por ela não chegava aos pés da atrocidade que eu estava começando a enxergar nos laudos de Rafael. Eu sou um Alfa, p***a. Meu instinto deveria ser proteger, não entregar a minha própria Luna para o carrasco enquanto eu me perdia em outro corpo. O pensamento de que, enquanto eu buscava prazer nos braços de Sienna, Louise definhava em um inferno que eu me recusei a ver, me deu náuseas. Foi então que o meu rádio de emergência, sintonizado na frequência da segurança da minha mansão, explodiu em um chiado violento. — Alfa! Código n***o! — a voz do segurança estava entrecortada por sons de luta. — Acreditamos que tem um invasor na sua residência! Ele passou pela barreira de segurança... está indo para o andar superior! Meu coração parou. O andar superior. O quarto de Louise. — Temos um chamado para a sua residência a relatos de gritos e barulho de coisas quebrando! O copo de uísque escapou da minha mão, estilhaçando-se no chão de granito. Enquanto a bebida se espalhava como uma mancha de sangue, eu já estava correndo em direção à saída, o pavor sendo a única coisa que eu conseguia sentir.
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