CAPÍTULO 15 - RASTRO DE SANGUE

1057 Words
(POV DE CASSIAN BLACKWOLF) O asfalto gritava sob os pneus enquanto eu rasgava as ruas em direção ao Edifício Mirante. Minha mente era um borrão de fúria. A reação de Louise ao ouvir o nome de Alyssa no rádio não saía da minha cabeça. Como ela sabia? Por que aquele pavor puro antes mesmo da confirmação? Estacionei de qualquer jeito, jogando a viatura sobre a calçada. As luzes azuis e vermelhas ricocheteavam nos vidros do prédio, criando um espetáculo macabro sob o céu n***o de Costa da Lua. O cheiro me atingiu antes mesmo de eu abrir a porta. Sangue fresco, ozônio e a fumaça de um cigarro que não deveria estar ali. Os pais da menina já estavam no local. O corpo, coberto pelo saco preto, era uma mancha escura que parecia sugar toda a luz do pátio. Uma cena dolorosa que fedia a desperdício. Meu irmão Connor chegou logo depois. Caminhamos em direção a Ryler Blackwolf, meu Beta e braço direito. — Ryler, qual a situação? — rosnei. — Alyssa Mendes, 18 anos. Ela pulou do 21º andar... — Isso está muito estranho — Connor interveio, a voz sombria. — Não tem nem dois dias que a melhor amiga dela cometeu suicídio na festa de 18 anos. — Sim. Hoje Alyssa completou dezoito — Ryler murmurou. Então, eu senti a mudança no ar. Uma pressão invisível, densa e arrogante, colidiu com a minha aura de Alfa. Nikolai Kincaid caminhou em nossa direção. Eu travei o maxilar, o gosto de bile subindo pela garganta ao ver o homem que entrara na minha cozinha naquela manhã. — Não há marcas de traumas ou de que ela tenha sido forçada — Nikolai falou, a voz polida demais. — Com certeza foi suicídio. Eu bufei, a fúria vibrando nas minhas costelas. — É mesmo, Sherlock? Você já quer fechar a investigação só de olhar de relance? Minha voz escorria sarcasmo. Eu não gostava desse cara. Algo nele cheirava a segredo, a coisa errada escondida sob o uniforme. Connor estreitou os olhos. A hostilidade dele era quase palpável, uma promessa de violência. — E quem é você? — Connor perguntou, a voz como um trovão baixo. Kincaid olhou para o meu irmão com a mesma insolência desdenhosa que usara comigo. — Nikolai Kincaid. Acabei de ser transferido do Norte. Vim para trabalhar como tenente e atendi o chamado. Connor se inclinou na direção dele, os olhos azuis faiscando. — Vocês já se conhecem? — meu irmão perguntou. — Sim... — murmurei, as palavras pesando como chumbo. — Foi ele quem salvou a Louise do ataque no funeral da irmã dela. Só de admitir aquilo, senti o chão ceder. Cada vez que olhava para Kincaid, eu via o meu próprio fracasso. O Alfa que não protegeu a fêmea. Aproximei-me dele, expandindo meu poder até que o ar ao redor ficasse pesado demais para respirar. — Fique longe da minha casa e da minha família, Kincaid — sibilei no ouvido dele. — Ou você vai se arrepender de ter entrado em território Blackwolf. Nikolai nem piscou. Ele continuou ali, com aquele ar arrogante de quem não teme a morte. Virei-me para falar com os pais da menina, mas meus ouvidos captaram o sussurro dele para Ryler logo atrás de mim. — Eu não entendo. Ele é o Alfa da maior alcateia do mundo. Por que está trabalhando de policial? O rosnado de **Caius** rasgou meu peito. Girei sobre os calcanhares. — O que eu faço ou deixo de fazer não é da p***a da sua conta, Kincaid! Faça o seu serviço e pare de se meter na minha vida! Entrei no SUV, batendo a porta com força. O ronco do motor era o único som capaz de abafar o caos na minha cabeça. A pergunta do desgraçado parecia morder minhas nádegas a cada quilômetro. "Porque trabalhar de policial se já é o Alfa da maior alcateia do mundo?" Bufei sozinho, apertando o volante até o couro gemer. Simplesmente porque eu desprezo tanto a mulher com quem fui obrigado a casar que preciso de dois empregos para não ficar no mesmo ambiente que ela. Eu precisava do sangue e do caos das ruas para não ter tempo de respirar o ar daquela mansão. O ar dela. Mas o silêncio da cabine foi invadido pelas lágrimas de Louise. Elas queimavam na minha memória mais do que a pasta de ervas queimava nas minhas mãos. "Eu pensei que conseguiria te fazer me amar. Mas você nunca me deu um milímetro de abertura." A voz dela sufocava o cheiro de couro do banco. Eu deveria sentir alívio. O divórcio estava ali. Mas o que eu sentia era um buraco n***o se abrindo no meu peito. E para piorar, a voz da velha da reserva sibilou por cima do motor: "Cuidado com o que você acha que é mentira, Alfa. Às vezes, o erro não está no vínculo... está em quem se recusa a aceitá-lo." Soquei o volante. Ela não usou feitiço. Não usou magia. Então como ela estava mexendo comigo assim? Cheguei ao QG da alcateia e cruzei o saguão como um vendaval. Parei diante da porta da minha sala. Meus sentidos deram um solavanco. O perfume floral e doce me atingiu. Sienna. Abri a porta com um estrondo. Ela estava lá, sentada na minha poltrona de couro. Eu seria um mentiroso se dissesse que não notei a aparência dela. Homens notam. O cabelo preto, longo e liso, caía como uma cascata de ébano sobre os ombros. A pele tinha um tom profundo de cobre, quente e reluzente sob a luz fraca. Ela cruzou as pernas longas e atléticas, a musculatura definida sob o vestido justo. Ergueu o rosto, e os olhos verdes floresta me fixaram com uma intensidade predatória. Com aquela postura tensa e elegante, ela parecia uma pantera n***a pronta para o abate. Um sorriso de posse surgiu nos lábios pintados. — Cassian, você demorou — ela ronronou, levantando-se com a graça de um felino. Olhei para ela. Pela primeira vez em cinco anos, aquela visão não me trouxe conforto. O perfume fedia a desespero e me embrulhou o estômago. Fedia a cada minuto que passei sendo um carrasco para Louise enquanto me escondia na perdição daquele corpo. — O que você está fazendo aqui, Sienna? — Meu rosnado fez o sorriso dela vacilar.
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