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Seduzindo o Italiano

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Blurb

Laura Moretti tinha tudo o que o dinheiro podia comprar.Cobertura luxuosa em Manhattan, vestidos assinados, joias caras, viagens exclusivas e homens ricos dispostos a bancar cada capricho seu. Linda, elegante e perigosamente sedutora, ela aprendeu desde cedo que beleza também podia ser uma arma. Abandonada ainda criança por uma mãe alcoólatra e consumida pelos vícios, Laura cresceu em um orfanato cercada por rejeição, pobreza e humilhações. E foi ali que prometeu a si mesma que nunca mais seria fraca ou dependeria da bondade de ninguém.Agora, aos vinte e sete anos, ela domina perfeitamente o jogo da sedução. Homens poderosos caem aos seus pés com facilidade. Executivos, milionários, políticos… todos fascinados pela mulher misteriosa que nunca entrega o coração, apenas a ilusão dele.Até conhecer Alessandro De Luca.Aos trinta e cinco anos, Alessandro é um dos CEOs mais influentes de Nova York. Bilionário, frio e absurdamente elegante, o italiano comanda um império empresarial herdado da tradicional família De Luca, uma das mais poderosas da Itália. Reservado e calculista, ele não se impressiona facilmente e parece enxergar além das máscaras das pessoas.E isso desperta algo perigoso em Laura.Pela primeira vez, um homem não cai imediatamente em sua teia.O que deveria ser apenas mais um desafio se transforma numa obsessão silenciosa. Quanto mais Alessandro resiste, mais ela o deseja. Mas seduzir aquele homem será muito mais difícil do que Laura imaginava, porque Alessandro não quer apenas o corpo dela. Ele quer descobrir quem ela realmente é por trás dos vestidos caros, dos sorrisos ensaiados e das mentiras cuidadosamente construídas.Em um jogo intenso de provocação, desejo e orgulho, Laura perceberá que talvez esteja entrando na única negociação em que pode acabar perdendo tudo, o próprio coração.Porque Alessandro De Luca, não seria apenas mais um homem em sua lista.Ele seria o homem capaz de destruí-la… ou salvá-la.

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Capítulo 1
Nova York nunca dorme. As pessoas dizem isso com admiração, como se a cidade fosse viva, pulsando em milhões de luzes e passos apressados, mas eu aprendi que Nova York não dorme porque está faminta. Sempre querendo mais. Mais dinheiro, mais beleza, mais status, mais luxo, mais corpos, mais segredos. E talvez seja exatamente por isso que eu pertença a este lugar. Estou parada diante das enormes janelas da minha cobertura em Manhattan, observando os prédios iluminados enquanto seguro uma taça de vinho entre os dedos. Lá embaixo, os carros deslizam pelas avenidas molhadas pela chuva fina da madrugada, e tudo parece distante daqui do alto. Pequeno, silencioso. O apartamento inteiro cheira a perfume caro, velas de baunilha e flores recém-trocadas, tudo perfeitamente organizado, sofisticado e frio. Como eu. Dou outro gole no vinho enquanto observo meu reflexo no vidro. O vestido de seda preta abraça meu corpo como uma segunda pele. Os cabelos castanhos caem ondulados pelas costas nuas, e meus brincos de diamante brilham discretamente sob a iluminação amarelada do apartamento. Bonita. Bonita é uma palavra simples demais. Eu sei exatamente o efeito que causo nos homens, sempre soube. Talvez porque tenha aprendido cedo que beleza pode valer mais do que carácter dependendo do homem que está olhando para você. Meu celular vibra sobre a bancada de mármore atrás de mim. Nem preciso olhar para saber quem é. Vincent. Sorrio sozinha antes de virar lentamente e caminhar até o aparelho. A foto dele aparece na tela junto da mensagem: “Espero que esteja usando o colar que te mandei.” Reviro os olhos discretamente. Homens ricos adoram acreditar que possuem alguma parte de mim. Uns compram bolsas, outros apartamentos, joias, viagens, carros e alguns compram apenas atenção. Mas nenhum deles compra meu coração, porque essa parte morreu há muito tempo. Digito uma resposta rápida. “Talvez.” A resposta chega quase instantaneamente. “Cruel.” Dou um pequeno sorriso. Ele gosta disso. Eles sempre gostam. Bloqueio a tela e deixo o celular de lado antes de caminhar até o closet enorme da cobertura. Luzes automáticas acendem assim que entro no ambiente, iluminando dezenas de vestidos caros, sapatos organizados em prateleiras impecáveis e bolsas que custariam mais que o salário anual de muitas pessoas. Às vezes penso no orfanato, não o com saudade. Nunca com saudade. Mas existem memórias que grudam na pele da gente como cicatrizes invisíveis. Eu ainda consigo lembrar do cheiro horrível de mofo nos corredores estreitos daquele lugar. Dos cobertores ásperos. Das meninas brigando por comida. Das noites em que eu fingia dormir só para não ouvir o choro das menores. Consigo lembrar da fome, da humilhação. Do olhar das assistentes sociais me examinando como se eu fosse um problema ambulante. “Filha de alcoólatra.” “Filha da drogada.” As pessoas adoram rotular crianças pelos pecados dos pais. Minha mãe aparecia às vezes, cheirando a álcool barato e cigarro. Os olhos perdidos, a mãos tremendo, promessas vazias. Ela dizia que voltaria para me buscar, nunca voltou. Morreu quando eu tinha quinze anos. Overdose. Nem chorei no funeral, talvez porque eu já estivesse órfã muito antes da morte dela. Fecho a porta do closet com força, não gosto de pensar nisso. O passado é um lugar feio demais para permanecer muito tempo. Pego minha bolsa preta sobre a cama e caminho até o elevador particular da cobertura. Meu motorista já deve estar esperando lá embaixo. Hoje haverá um jantar beneficente no Upper East Side. Rico adora fingir que se importa com pobres. É quase engraçado. As mulheres usarão vestidos absurdamente caros para arrecadar dinheiro para crianças famintas enquanto garçons circulam com taças de champanhe que custam mais que uma semana inteira de comida no orfanato onde cresci. Hipocrisia combina perfeitamente com luxo. As portas do elevador se abrem no térreo, e Thomas imediatamente endireita a postura ao me ver. — Boa noite, senhorita Moretti. Assinto levemente. Thomas trabalha para mim há dois anos. Discreto, inteligente, nunca faz perguntas. Qualidade rara. O carro desliza pelas ruas movimentadas de Manhattan enquanto observo a cidade pela janela fumê. Nova York é linda à noite. Perigosa, sedutora, exatamente como as pessoas mais ricas daqui. Meu celular vibra novamente. Dessa vez é Ethan. Suspiro. Outro homem, outro milionário, outro ego carente precisando de validação feminina. “Você sumiu.” Ignoro. Cinco segundos depois: “Sinto sua falta.” Dou uma risada baixa. Engraçado como homens casados sempre “sentem falta”. Bloqueio a tela novamente e volto a olhar a cidade. Não sinto culpa, nunca prometi amor para nenhum deles. Os homens enxergam o que querem enxergar. Se um deles decide gastar centenas de milhares de dólares porque uma mulher bonita sorriu para ele, o problema definitivamente não é meu. O carro para diante de um hotel luxuoso cercado por flashes e jornalistas. Perfeito. Endireito os ombros antes de sair. O frio da noite toca minha pele imediatamente, mas mantenho a expressão intacta enquanto atravesso a entrada iluminada. Olhares me seguem, sempre seguem. Mulheres analisam meu vestido, homens analisam meu corpo. Nada novo. Entro no salão enorme decorado com lustres gigantescos e música clássica suave. O ambiente inteiro cheira a perfumes caros e dinheiro velho. — Laura. Viro o rosto ao ouvir minha amiga. Camille surge entre os convidados usando um vestido vermelho justo e um sorriso divertido nos lábios. Ela me abraça rapidamente. — Você está absurdamente gostosa hoje — ela murmura. Dou uma risada curta. — Você diz isso toda vez. — Porque é verdade toda vez. Camille é uma das poucas pessoas que realmente conhecem partes da minha vida. Não todas, obviamente. Eu nunca entrego tudo a ninguém. Mas ela sabe o suficiente. Ela me observa por alguns segundos antes de arquear uma sobrancelha. — Vincent vem hoje? — Provavelmente. — E Ethan? — Casados costumam aparecer em eventos beneficentes para fingirem ser bons maridos. Ela ri imediatamente. — Você vai acabar indo para o inferno. Pego uma taça de champanhe de uma bandeja que passa ao nosso lado. — O inferno parece mais interessante que o céu. Caminhamos pelo salão enquanto pessoas importantes conversam sobre investimentos, política e viagens milionárias. Tudo aqui é aparência. Um homem grisalho para ao meu lado poucos minutos depois. Robert Klein, sessenta anos, dono de uma rede hoteleira. Apaixonado por mim há quase um ano. — Laura… você está deslumbrante. Sorrio suavemente. O suficiente para alimentar esperança, nunca o suficiente para prometer algo. — Robert. Ele segura minha mão e deposita um beijo lento sobre meus dedos. Camille me lança um olhar divertido antes de se afastar discretamente. Esperta. Robert começa a falar sobre uma viagem para Mônaco no próximo mês enquanto observo o salão distraidamente. Treinei minha expressão durante anos. Aprendi a parecer interessada mesmo quando não estou ouvindo absolutamente nada. Às vezes me sinto uma atriz interpretando a mulher perfeita para cada homem. Sensual para uns, doce para outros, inocente, inteligente, indomável. Eu apenas descubro o que eles querem… e me transformo nisso. Simples. — Você deveria ir comigo — Robert diz de repente. Volto minha atenção para ele. — Para Mônaco? — Seria perfeito. Claro que seria. Porque homens como Robert adoram exibir mulheres bonitas ao lado deles como troféus caros. Dou um sorriso lento. — Talvez. A palavra favorita da minha vida, talvez mantém homens presos. Talvez cria expectativa. Talvez dá esperança sem compromisso. Robert toca discretamente minha cintura enquanto continua falando, mas meus olhos acabam parando em uma mulher loira do outro lado do salão, jovem, linda. Provavelmente esposa de algum executivo entediado. Ela sorri para as amigas enquanto segura uma taça de vinho. Por um instante, algo estranho aperta meu peito. Porque ela parece… leve. Como alguém que ainda acredita em amor. Desvio o olhar imediatamente. Sentimentos deixam pessoas fracas. E eu lutei demais para nunca mais ser fraca. O evento continua arrastado por mais uma hora até eu finalmente conseguir escapar para a varanda externa do hotel. O ar frio toca meu rosto. Silêncio. Finalmente. Apoio os braços na sacada enquanto observo a cidade abaixo. Às vezes tudo isso cansa, os vestidos, os homens, os jogos, as mentiras elegantes. Mas então lembro da menina magra sentada no chão gelado do orfanato contando moedas escondidas dentro do sapato. E lembro por que faço isso. Dnheiro significa segurança. Luxo significa poder. E poder impede que o mundo esmague você outra vez. Ouço passos atrás de mim. — Sabia que encontraria você aqui. Camille surge ao meu lado segurando duas taças de champanhe. Aceito uma. Ela me observa por alguns segundos. — Você parece distante hoje. Dou de ombros. — Só cansada. — Mentira. Olho para ela em silêncio. Camille me conhece demais. — Às vezes eu acho que você está começando a odiar tudo isso — ela diz calmamente. Dou uma risada baixa. — Eu adoro tudo isso. — Não foi o que seu rosto disse agora há pouco. Viro a taça devagar entre os dedos. — Amor é uma fantasia vendida para mulheres pobres suportarem homens medíocres. Camille suspira. — Você fala isso como se estivesse tentando convencer a si mesma. — Porque é verdade. Ela não responde imediatamente. Apenas observa a cidade. — Você nunca quis alguém de verdade? A pergunta paira entre nós. Fria, perigosa. Dou um gole no champanhe antes de responder: — Homens só amam enquanto é conveniente. Minha voz sai automática, ensaiada. Como algo repetido tantas vezes que já perdeu emoção. Camille me encara por alguns segundos longos. — Um dia alguém vai bagunçar completamente essa sua certeza toda. Sorrio lentamente. Confiante. Fria. Intocável. — Impossível.

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