Prólogo

283 Words
Dizem que o tempo cura tudo. Que as feridas fecham. Que a dor passa. Mas ninguém fala sobre as cicatrizes. Ninguém conta que, às vezes, a dor não some... ela só aprende a se disfarçar. Por muito tempo, eu me perguntei se Deus realmente via. Se Ele via quando o coração da gente se partia em silêncio. Se Ele ouvia quando as lágrimas caíam escondidas no travesseiro, sem som, sem testemunhas. Por muito tempo, eu achei que não. Achei que Ele tinha se esquecido de mim. Ou pior... que talvez, Ele nunca tivesse realmente olhado pra mim. A dor me moldou de jeitos que eu não escolhi. Me ensinou a ser forte, quando tudo que eu queria era ser cuidada. Me ensinou a sorrir por fora, enquanto por dentro eu desmoronava. Me ensinou que nem todo amor é amor... e que, às vezes, quem promete te proteger... é quem mais te machuca. E, por muito tempo, eu acreditei que a minha história era essa. Que eu seria pra sempre a soma dos meus traumas. Que eu seria, pra sempre, aquela garota que aprendeu a viver se escondendo de si mesma. Mas sabe... Deus tem uma maneira estranha — e perfeita — de virar páginas. De transformar dor em testemunho. Feridas em força. E lágrimas... em recomeços. Eu não sabia disso naquela época. Não fazia ideia de que, às vezes, a vida te leva pro fundo... só pra te mostrar que você nasceu pra emergir. O que eu não sabia... Era que tudo que eu vivi — cada queda, cada não, cada lágrima, cada pedaço quebrado — fazia parte de algo muito maior do que eu imaginava. Porque... Tudo... absolutamente tudo... tem um propósito.
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