Já passava das nove da noite quando Estella finalmente deixou o hospital. O peso do dia estava estampado em cada passo. Ela dirigiu em silêncio, o som da chuva fina batendo no para-brisa, até parar diante do prédio de Kaio. Por um instante, ficou ali parada, respirando fundo — o tipo de pausa que vem antes de uma verdade difícil. Kaio abriu a porta assim que ela tocou a campainha. Bastou um olhar pra ele perceber que algo estava errado. — “Aconteceu alguma coisa?” Estella entrou devagar, tirou o jaleco e pousou a bolsa sobre o sofá. — “Sim. E você precisa ouvir isso de mim.” Ele se aproximou, preocupado. — “Fala.” Ela respirou fundo. — “Sara apareceu no hospital. Não oficialmente — ela entrou escondida, convenceu um funcionário a mexer no sistema da UTI. Quase perdemos um paciente.”

