-Obrigada- disse terminando de assinar os papéis.
-Não fique tão triste Naruto Sama, você vai voltar logo.
-Assim espero Konohamaru, até a próxima.
Me despedir dos meus amigos e parceiros é uma tarefa difícil, ainda mais pra mim que estou aqui desde os meus 18 anos e agora, no auge dos meus 25, estou saindo para umas “férias”, tudo bem, ser capturado e ser um prisioneiro de guerra não é nada fácil, mas é muito melhor do que eu vou ter que enfrentar agora. Vou voltar pra casa, onde está a minha mãe Kushina, minha irmã Karin e o meu irmão Nagato.
Quando eu tinha 15 anos meu pai morreu, foi um herói de guerra, minha irmã tinha 17 anos na época e o Nagato apenas 5, não falei pra ninguém, mas desde que isso aconteceu eu coloquei na cabeça que queria seguir os caminhos do meu pai. Me alistei e fui convocado, e quando disse a minha mãe que seguiria carreira ela se acabou, não queria ter mais um soldado morto em casa, foi isso o que ela disse antes que eu saísse de casa para viver no quartel. Ela não falou mais comigo desde então e quando meus irmãos souberam que eu estava voltando do Vietnã eles insistiram para que eu voltasse para casa e eu aceitei. Eu vou ser o único “Namikaze” já que só eu puxei as características físicas do meu pai, todos os outros são iguais a minha Kaa-chan.
Soldados abriram as portas e lá estava ela me esperando, minha irmã veio me buscar juntamente com a Naomi, filha dela com um tal de Suigetsu, eles namoravam e quando minha irmã anunciou a gravidez o cara foi embora, Naomi é linda, tem todos os traços de uma Uzumaki e toda vez que Karin fala que isso é uma benção de Kami porque assim ela não tem que ficar lembrando do traste eu penso como a minha mãe deve se sentir quando me vê.
-Oie- ela pulou em cima de mim- Eu estava com tantas saudades irmãozinho.
-Aí- ela apertou justo o meu braço enfaixado.
-Desculpe, está doendo?
-Se você parar de apertar vai parar de doer- eu me abaixei- E você pequena, como está?- eu falo com ela por skype sempre- Com saudades do Tio?
-Claro, mas não vou te abraçar agora, você está machucado- ela falou com toda a doçura de uma criança de 3 anos
-Você deveria aprender mais com a sua filha- disse me levantando.
A pequena riu do que eu disse e eu peguei a minha mala com a mão que ainda me resta.
-Deixa que eu levo.
-Não precisa, está pesada.
-Você não vai carregar essa mala Naruto, não seja igual a Kaa-chan- revirei os olhos.
Deixei que ela carregasse a mala e fui até o carro, entrei e fiquei esperando ela voltar, demorou um pouco, mas eu não tinha escolha, ela fala que eu sou a Kaa-chan, mas não percebe que é tão teimosa quanto ela.
As duas voltaram e seguimos o caminho, as ruas de L.A são tão conhecidas por mim que eu poderia andar de olhos fechados, mas diante de tudo o que eu passei e de onde eu vivi nos últimos anos isso parece uma realidade bem diferente e quando eu vi que estávamos chegando, percebi que essa realidade não é a minha. Karin parou o carro em frente a um portão preto e tocou o interfone ao lado. Logo ele se abriu e começamos o caminho pela longa estrada enfeitada de palmeiras até a grande mansão creme, ela se dirigiu até a garagem e eu suspirei, não sirvo para essa vida.
Meu pai era um soldado, mas minha Baa-chan é médica, a mãe do meu pai… E meu Jii-chan é um escritor, ele já foi do exército, mas se aposentou já faz alguns anos, desde então ele se dedica totalmente aos livros eróticos que escreve. Eu sou um fã, mas ninguém precisa saber disso. Minha mãe herdou de sua família a empresa, uma extensão de lojas de roupas de grife, e ela se construiu como estilista.
Nagato me esperava na porta de entrada, animado correu e me abraçou, com mais cuidado do que a Karin e eu agradeci internamente por isso.
-Como você está grande- eu disse sorridente.
-Você que é enorme.
-Um dia você chega lá- disse dando uma piscadinha.
-Vamos, tem um banquete pra você lá dentro.
Entrei logo depois dele, a sala enorme estava bem diferente.
-A Kaa-chan costuma mudar a decoração- Nagato disse percebendo a minha cara de confusão- Vai se acostumar com o tempo- E ela ainda não chegou, tinha um desfile importante ou alguma coisa assim.
-Claro- disse sério.
Não tem nada no mundo que me assuste mais do que o reencontro com a Kushina. Assim como Nagato falou a cozinha estava lotada de comida.
-Eu estava no exército, não passando fome.
-Rações não são bem comidas Naruto- arregalei os olhos, ela estava atrás de mim.
Eu me virei e vi, ela estava vestida num vestido amarelo, era divertido porque o seu cabelo estava ainda mais destacado, mesmo com ele preso num coque, os saltos que ela usava não era o suficiente para que ela ficasse do meu tamanho, claro que isso é um pouco difícil.
-Oi- eu disse meio nervoso.
-Oi. Vá tomar um banho e depois você vem comer, o seu quarto já está pronto.
-Claro.
E foi assim, ela me tratou como se estivesse falando comigo nos últimos 7 anos, e eu só tivesse desobedecido alguma ordem dela, mas fiz assim como ela falou, subi carregando minha mala, mesmo sobre os protesto de Karin Uzumaki, abri a porta e fiquei surpreso, estava tudo do mesmo jeito, as coisas eram novas eu reparei, mas tudo igual ao que era antes. Um quarto neutro, quer dizer, quase vazio, mas as cores são gritantes, laranja e preto são predominantes, coloquei a mala no chão ao lado da cama e fui até o banheiro, tudo como deixei, o banheiro era preto e tinha uma luz forte. Procurei uma toalha e me enfiei debaixo da ducha, faz alguns anos que não tomo um banho tão relaxante assim. Mas pelo costume não demorou tanto, não temos muito tempo no quartel para os banhos, voltei para o quarto e abri a mala, vesti uma calça jeans e uma blusa preta, coloquei uma jaqueta verde que eu tinha e desci, todos estavam na sala e quando cheguei fomos para a cozinha.
Tudo em silêncio, só se ouvia o som dos talheres, assim que terminamos eu comecei a tirar a mesa.
-Não precisa fazer isso- escutei Nagato falando e aí percebi a senhora que entrou na cozinha, eu deixei tudo e fui atrás da Karin.
-O que vamos fazer?
-Como assim o que vamos fazer?
-Ué, eu quero sair… Ver como as coisas mudaram.
-Não conte comigo pra isso, Naomi precisa tirar um cochilo agora, vai com o Nagato.
-Isso que é sentir falta de alguém- disse rindo, ela nem me olhou, virou as costas e subiu com a filha nos braços.
Assim que ela subiu Nagato apareceu.
-E então? Quer fazer alguma coisa hoje?
-Desculpe, eu já tenho um encontro- ele disse batendo as mãos nos bolsos- Tá tudo aqui, tchau até mais- saiu correndo logo em seguida.
-Nossa, quanta recepção.
Acho que vou sozinho, subi no quarto e peguei minha carteira. Me olhei no espelho e estava ok, fui descendo as escadas quando vi minha mãe no jardim, acho melhor avisar. Quanto mais eu fui chegando mais eu conseguia ver o rosto dela, estava com lágrimas. Ela está chorando, tenho certeza que é pelo papai. Não dá, não consigo ter essa conversa agora, eu não consigo. Dei meia volta e saí, fui até a cozinha e ainda tinha uns imãs lá, escrevi um bilhete e deixei grudado na geladeira.
Eu vou a pé, pelo que eu vi na garagem meu carro ainda está lá, mas prefiro andar um pouco, pelo menos isso mantém a minha condição e o meu preparo, fui caminhando, vi algumas lojas conhecidas, comprei alguns doces e acabei na praia, aqui sempre foi o meu lugar favorito e eu amava surfar, me sentei num murinho, longe o suficiente para não sujar as roupas, mas perto o suficiente para sentir a brisa e o cheiro do mar. Fiquei ali por bastante tempo, até escurecer na verdade e depois voltei, a casa estava silenciosa, subi para o meu quarto, preciso de outro banho. Quando terminei fiquei por ali mesmo, me deitei na cama tentando dormir, virei para o lado e não conseguia nem pregar os olhos, virei para o outro e nada.
Eu não vou conseguir dormir, cada segundo que passo nesse colchão é como se eu traísse os meus companheiros que ainda estão lutando, eu não queria deixar ninguém para trás, não queria cometer os erros de quem eu achei ser o meu melhor amigo, mas aqui estou. Esta cama é muito macia, não sou acostumada com isso. Peguei a coberta e me deitei no chão, ao lado da cama, só assim consegui dormir.
Acordei no dia seguinte bem cedo 4h30, era o meu horário. Eu nem dormi para ser mais exato, fico tendo pesadelos a noite toda, bombas, choques, todas as torturas que sofri. Ainda consigo sentir a dor. Sem pensar direito me coloquei de pé, arrumei a cama e fui tomar uma ducha gelada, me vesti com uma calça moletom e coloquei um tênis de corrida e saí.
As ruas desse bairro é bem tranquila, sempre foi na verdade e eu sempre corri por aqui, mas ainda escuro é a primeira vez, fiquei por um tempo correndo e quando voltei fui até a academia, não consigo fazer muita coisa com esse braço quebrado, os médicos disseram que eu vou voltar a ter movimento, e vou poder voltar a fazer tudo o que eu fazia antes, só vai precisar ficar enfaixado pela pressão, eu já estou me acostumando com isso então não é um incômodo. Fiz o que eu consigo, treino cardio e depois fui tentar dar alguns socos no saco, nada parece me satisfazer, me agachei e comecei a fazer flexões, com uma mão só é mais difícil, mas quem gosta de caminhos fáceis não é mesmo. Estava concentrado quando escutei um grito, me levantei correndo e fiquei paralisado.
-Quem é você?- perguntei para a menina na minha frente.