-Quem é você?- a menina repetiu a minha pergunta.
Ela vestia uma saia preta meio curta, meias também pretas que iam até o seu joelho e uma bota de cano curto de salto, a blusa era colada e também preta, ela tinha s***s bem grandes, tinha uma gargantilha com um pingente de coração e usava uma boina vermelha, ela tinha muitas pastas na mão.
-Sou o Naruto.
-Naruto?- ela pareceu pensar e aí arregalou os olhos- Ata, o filho da Dona Kushina. Não sabia que estaria aqui.
-E você é?
-Hinata Hyuuga, muito prazer- ela estendeu a mão, eu apertei meio desconfiado- Sou assistente da sua mãe, uma estagiária vamos dizer assim.
-Entendi- acho melhor eu ir, olhei bem pra ela… Ela tem olhos perolados?
-Tudo bem?
-Oi?
-Você está parado aí.
-Ah, tá… Tá tudo bem. Eu vou indo- ela sorriu, era um sorriso lindo.
-Tchau, a gente se vê por aí.
-Tchau.
Eu subi correndo para o meu quarto e fui direto para uma ducha gelada, já deveria ser umas 6h da manhã, acho que vou preparar o café e achar alguma coisa para fazer, coloquei uma calça jeans preta, um tênis azul, uma blusa preta também e uma jaqueta jeans, peguei minha carteira e fui até a cozinha. Minha mãe estava sentada na ponta da mesa com o seu ipad, uma xícara que deve estar cheia de café, pensei em sair e tomar o meu café na rua mesmo, mas meus pensamentos foram atrapalhados pela voz dela.
-Eu já te vi aí, pode se sentar, eu não vou morder.
-Eu não ia sair.
-Eu te conheço Naruto- ela nem olhava pra mim.
Hum, eu não aguentei e bufei. Como ela acha que me conhece, não fala comigo a sete anos e acha que sabe alguma coisa sobre mim, ela não sabe nada. Peguei pão e café, coisa simples e comi em silêncio. Estava esse clima horrível quando a Hyuuga chegou.
-Está tudo pronto Dona Kushina, temos uma reunião às 9h e o Sr. Uchiha ligou, ele.
-Eu falo com o Sr. Uchiha depois Hinata- ela cortou a fala da menina.
Não pude evitar a minha cara de confusão, porque ela está falando com o Fugaku? Ele é o pai do meu ex parceiro de guerra, ao contrário da minha mãe ele acha o fato de termos nos alistado para o exército motivo de orgulho e honra, pelo menos alguém está feliz. Eu só terminei o meu café e ia sair para passear por aí. Quando estava saindo escutei uma voz doce atrás de mim.
-Ei- a Hyuuga apareceu- Você vai sair?
-Pretendo.
-Vai de carro?
-Na verdade não ia- ela me olhou e fez um bico.
-Tudo bem, obrigada.
-Porque?- às vezes a minha curiosidade é maior do que o bom senso.
-Preciso passar numa loja de tecidos, é um pouco longe, mas não tem problema, eu chamo um uber.
-Não, eu levo você- O QUE?
-Sério? Eu não quero te atrapalhar.
-Não, tudo bem. Só um minuto.
Eu fui para o quarto, subindo os degraus de dois em dois, peguei a chave do carro onde eu vi que estava e desci, essa menina é estranha. Muito pequena e definitivamente intrometida de mais, quem pede carona em pleno 2020? Mas tudo bem, talvez com ela eu consiga saber mais dessa história do Fugaku. Passei por ela e acenei com a cabeça, ela me seguiu até a garagem, lá no fundo tinha um carro coberto, o protetor estava cheio de poeira, o que indicava que ninguém deve ter mexido nesse carro faz algum tempo, vou sair com ele e procurar um mecânico por aqui pra fazer uma revisão, eu entrei no carro e ela veio logo em seguida, era um Pagani Huayra, ganhei esse carro do meu pai quando completei 16 anos, eu costumava sair com ele para as propriedades Namikaze, mais no interior e a gente colocava os cavalos a prova, era uma coisa legal, nós dois gostávamos da velocidade e era uma coisa só nossa.
Eu sempre fui mais próximo do meu pai do que da minha mãe, sempre fizemos coisas juntos, acho que é porque eu fui o primeiro menino que ele teve, tenho lembranças de quando ainda era muito pequeno, ele me carregava nas costas e eu adorava porque assim como eu ele era extremamente alto, nós jogávamos futebol, basquete, bom… Ele sempre ganhava, mas as vezes me erguia e eu conseguia fazer uma cesta. Era sempre muito divertido quando ele estava aqui. Só que quando ele saia em missões que demorava meses para mim era um tormento, até eu conseguir entender que ele precisava ir era muito difícil, eu costumava ouvir as conversas dos meus pais por telefone e sempre sabia quando ele ia chegar, então a minha mãe me colocava para dormir, eu fingia que dormia e depois quando todos já estavam deitados eu descia as escadas e ficava esperando por ele na sala, claro que todas as vezes era ele que me encontrava, dormindo no chão, mas eu tentava.
E quando eu fui crescendo fui enxergando o quanto meu pai era um herói, e eu sempre quis ser igual a ele e a sua morte acabou que me impulsionou mais ainda.
-Você está bem?- escutei alguém falando.
-Desculpa, o que disse?
-Você parece disperso, tem certeza que quer ir?
-Tenho, tenho sim- limpei a garganta e dei partida no carro.
Ele ligou de primeira e eu sorri, saí com o carro da garagem e fui seguindo o fluxo. Olhei de relance para a garota do meu lado, ela tinha um sorriso enorme no rosto, eu costumava sorrir também, mas isso acabou faz um tempo. Ela definitivamente é estranha.
-Então Naruto, você tem quantos anos?- ela me perguntou assim, sem mais nem menos, essa garota é espontânea de mais para o meu gosto.
-25.
-Hum, eu tenho 22. Estou cursando moda.
-Legal- disse meio que sério de mais. Bem, isso não me interessa.
-E você faz o quê?
-Nossa, você nem se quer sabia que eu existia?- perguntei acusatório.
-Eu sabia- e completou baixinho- Só não sabia que era assim- desconfiei, mas permaneci calado- É que não costumam falar de você com tanta frequência.
-Onde fica a loja?
-No centro.
-Certo.
O restante da viagem foi silenciosa, eu achei que conseguiria descobrir alguma coisa, mas acontece que eu não previa me sentir tão incomodado com a presença dela. Hinata Hyuuga é agitada de mais, fala de mais, sorri de mais, é linda de mais. Assim que chegamos ela tirou o cinto de segurança e se virou para mim.
-Obrigada, te devo essa- me deu um beijo na bochecha e saiu do carro.
-Espontânea de mais- eu disse depois de um tempo que ela já tinha saído.
Dei a partida e fui até o mecânico que meu pai costumava ir, se chama Suna, era uns cinco minutos de onde eu estava, então logo cheguei. Fui entrando e vi um menino quase da minha idade aparentemente, mas com o cabelo vermelho, ele estava sujo de graxa, ele deixou os papéis que mexia e veio até mim quando saí do carro.
-Uau- ele disse- Que máquina- eu sorri, era verdade.
-Bom dia.
-Bom dia, sou Gaara. Posso te ajudar em quê?
-Preciso de uma revisão, passou anos sem andar, peguei hoje.
-Sei, quanto tempo?
-Uns 7 anos- ele arregalou os olhos.
-Muito tempo- eu apenas concordei com a cabeça- Vem, vamos fazer o orçamento.
Ele se dirigiu ao interior do lugar, era simples, mas tinha bastante carros de luxo aqui. Acho que ele percebeu que eu reparava em tudo- Nós somos especializados em carros importados, meu pai era apaixonado por eles.
Ele chegou numa mesa grande, mas toda bagunçada, tinha papel para todos os lados, eu me sentei numa das cadeiras da frente.
-Desculpe, geralmente a Temari que lida com essas coisas, eu estou meio perdido.
-Sem problemas, também não sou um ás da organização- ele riu.
-Bom- ele procurou um papel limpo e uma caneta até que achou- por esse carro, acredito que mil US, total liberdade para fazer o que precisar?
-Claro- disse cansado.
-Assim que eu gosto. Bom- ele abriu uma planilha no computador- Ele deve ficar pronto em três semanas, tudo bem?
-Sim.
-Você é novo aqui né?
-Sim e não, nasci aqui, mas fiquei longe muito tempo.
-Entendi, é que você é sério de mais.
-Sei- disse me afastando- A gente se vê.
-Claro- vi ele voltar para dentro e eu segui meu caminho, passei em algumas lojas e fui para a praia, sem dúvidas foi disso que eu mais senti falta.
Eu vi, um pouco mais afastado um grupo de pessoas, se pareciam bastante com uns amigos que eu tinha, olhando bem acho que são eles, Lee, Tenten e eu acho que é a Ino? Se for o cabelo dela está enorme. Resolvi ficar na minha, se bobear eles nem se lembram mais de mim, fiquei sentado ali até escutar a aproximação.
-Não acredito, é ele mesmo- De repente uma figura masculina se projetou na minha frente- Naruto Uzumaki em pessoa- Era mesmo o Lee- E ai cara?
-Oi, beleza?
-Claro e você?
-To- levantei o braço enfaixado- Uma coisa aqui, outra ali.
-E como foi? Você só sumiu.
-Ah, na verdade eu não parei na base.
-Entendi. E aí? Você voltou quando?
-Cheguei ontem. Não gosto de ficar parado então vim dar uma volta.
-Opa, se quiser a gente sai hoje a noite.
-Vamos sim, onde?
-Na Kiss, ela tá bem melhor- ele disse rindo e eu ri também- Passa seu número, a gente passa pra te pegar às 22h.
Passei meu número pra ele e logo depois as meninas chegaram, o Lee e a Tenten estavam namorando e a Ino estava na pista, mas não se enganem eu nunca ficaria com a Ino, ela sempre foi uma das minhas melhores amigas e eu sofri muito por ter deixado ela. Voltei para casa acompanhado pelo pessoal, assim que cheguei fui tomar um banho e comer alguma coisa. Estava na cozinha quando a Hyuuga chegou, ela abriu a geladeira e pegou um copo de água.
-Você fica aqui sempre?- Eu perguntei.
-Porque? Te incomoda?
-Não, é só que eu nunca vi isso.
-Ás vezes sim, tenho até um quarto aqui. Mas não se preocupe, eu geralmente fico com a Dona Kushina no escritório.
-Sei.
-Você não se parece nem um pouco com a sua mãe- Ela disse e se sentou na minha frente ainda com seu copo de água. Eu não respondi- Nunca vi nada do seu pai, a Karin às vezes me conta alguma coisa, mas a Dona Kushina nunca fala.
-Entendi- Me levantei e saí dali, não aguento ficar falando do meu pai.
Não demorou para que chegasse a hora de sair, admito que estava ansioso, eu não costumava sair tanto quando estava no quartel, às vezes o pessoal se reunia, mas eram raras as ocasiões. Tomei um banho quente e me troquei, coloquei uma roupa como a maioria, peguei minha carteira e celular e fiquei esperando pela mensagem do Lee no sofá. Estava tranquilo, olhando uma coisa aqui e outra ali no celular até que vejo a Hyuuga, ela estava indo embora acredito eu, estava com uma bolsa e com vários papéis. Ela passou por mim tão atarefada e correndo que nem me viu ali, saiu tão rápido quanto chegou. Assim que ela saiu recebi a mensagem do Lee e fui caminhando até a entrada do portão, assim, bem no final eu encontro a Hyuuga, ela estava voltando e quando me viu abriu um sorriso.
-Ainda bem, eu já ia voltar. Esqueci minha chave.
-Hum- disse e continuei caminhando, ela se colocou ao meu lado.
-Você é tão calado.
-E você fala de mais- ela riu.
-Nisso eu concordo.
Abri o portão e esperei que ela passasse, ela deu de cara com o Lee e as meninas.
-Oi Tenten- elas se abraçaram- Eu não te vi já faz um tempo- De onde elas se conhecem?
-Você tem uma vida muito ocupada Hina- elas riram- Nós vamos na Kiss, quer ir?
-Eu adoraria de verdade, preciso esfriar a minha cabeça. Mas não dá.
-Porque não?
-Bom, eu estou com essa roupa o dia inteiro e preciso de um banho.
-Isso não é um problema, a gente passa na sua casa.
-Você me conhece mesmo Tenten?- as duas riram.
-Tem razão, mas se quiser encontrar com a gente lá, pra voltar você já vai ter carona.
-Vou dar uma pensada- elas se abraçaram mais uma vez- Tchau.
Ela se despediu de todo mundo e depois entrou em seu Chery Qq vermelho, o carro combina com ela.
-Vamos?- Escutei o Lee dizendo.
-Vamos- eu concordei e entrei no caaro.
Foi rápido, assim que chegamos entramos, por dentro era um lugar bacana, tinha música, não muito alta o que é bem legal, tinha um bar e alguns sofás. A Ino deu logo um grito e puxou a Tenten para a pista de dança eu e o Lee fomos para o bar. Eu passei um tempo ali, o Lee logo partiu para a pista de dança, ele é mais enérgico que as duas meninas juntas, eu fiquei ali sentado por um tempo. Até que eu vi uma menina, ela estava de costas, tinha os cabelos compridos pretos que iam até a sua b***a, e olhando daqui, que b***a em. Só dava para ver porque ela estava inclinada no balcão pedindo uma bebida, mas quando ela voltou ao normal dava para ver o vestido verde que ela usava era bem solto. Eu já estava gostando, mas quando ela virou para mim eu fiquei pasmo, era a Hyuuga, não tinha percebido o quão linda ela era, ela ainda não tinha me visto e eu não consegui tirar os meus olhos dela. Era realmente uma visão dos deuses.