Sofia saiu da entrevista sentindo uma confusão de emoções. O alívio de ter superado aquele momento de tensão era imenso, mas a inquietação persistia: será que havia conseguido causar uma boa impressão? O entrevistador fora gentil e atencioso, mas ela sabia que a competição era feroz. Em todo caso, fizera o seu melhor. Agora, só podia esperar.
O vento frio da manhã a recebeu quando cruzou a porta do edifício. Puxando o casaco contra o corpo, apertou a bolsa entre os dedos. Estava a poucos passos do futuro que tanto sonhara, e isso a deixava ansiosa e excitada ao mesmo tempo. "Vai dar certo", sussurrou para si mesma, tentando afastar os pensamentos inquietos.
Enquanto caminhava pela calçada, uma rajada de vento mais forte fez seu coração parar por um instante. Alguns dos desenhos de seu portfólio escaparam pela a******a da bolsa e começaram a dançar no ar, levados pelo capricho da brisa.
— Não, não, não! — murmurou, correndo atrás deles.
Os papéis voavam descontrolados, e Sofia m*l conseguia acompanhar. Quando finalmente esticou a mão para pegar um deles, esbarrou em alguém. O choque a desequilibrou, mas antes que pudesse cair, mãos firmes seguraram seus ombros.
— Ei, calma! Eu ajudo — disse uma voz masculina, num tom que misturava surpresa e diversão.
Ela ergueu o olhar e encontrou um par de olhos castanhos, calorosos e atenciosos, fixos nos seus. Era um rapaz alto, de cabelos escuros e um sorriso fácil. Ele vestia roupas esportivas, e uma fina camada de suor brilhava em sua testa.
— Meus desenhos... — gaguejou Sofia, tentando se desvencilhar e alcançar as folhas ainda voando.
— Deixa comigo — ele respondeu, soltando-a e correndo para recolher os papéis.
Minutos depois, ele retornou, estendendo o pequeno maço de desenhos.
— Aqui estão. Parece que são importantes.
Sofia segurou as folhas com carinho, soltando um suspiro de alívio.
— Você não faz ideia. Obrigada. Precisei deles para uma entrevista de trabalho.
— Entrevista? Espero que tenha ido bem. Eu sou Pedro, aliás.
— Sofia. Prazer, Pedro — respondeu ela, aceitando o aperto de mão que ele oferecia.
Pedro sorriu.
— Salvando portfólios desde hoje cedo. Acho que mereço um café como recompensa.
Sofia riu, surpresa pela brincadeira e pela forma como ele parecia relaxado, mesmo depois da confusão.
— Que tal eu pagar? Afinal, fui eu que esbarrei em você.
Pedro ergueu as sobrancelhas, fingindo indignação.
— Vamos dividir, então. Parece justo, já que o grande culpado foi o vento.
Eles seguiram para uma cafeteria próxima, onde o aroma de café fresco os envolveu assim que entraram. Conversaram sobre sonhos, carreiras e a vida, e a conexão entre eles parecia natural, quase inevitável.
Quando Sofia recebeu a ligação confirmando sua aprovação na entrevista, o brilho em seus olhos não passou despercebido por Pedro.
— Parabéns, Sofia! — exclamou ele, entusiasmado. — Isso merece mais que um café.
— E o que sugere? — perguntou ela, divertida.
— Que tal um museu? Final de semana? Meu convite.
Ela sorriu, surpresa, mas genuinamente animada.
— Parece perfeito.
Pedro ergueu sua xícara em um brinde improvisado.
— Ao destino — disse ele.
Sofia bateu sua xícara na dele, sentindo que aquele encontro inesperado talvez fosse o começo de algo que ela nem sabia que precisava.
Claro! Aqui está o trecho com a despedida e a descrição de Sofia:
Na saída da cafeteria, Sofia ajeitou a bolsa no ombro e olhou para Pedro com um sorriso caloroso.
— Obrigada pelo café... e pelo resgate do portfólio. Você realmente salvou o meu dia.
Pedro deu de ombros, fingindo modéstia.
— Foi um prazer. Quem sabe o vento não estava conspirando para que a gente se encontrasse?
Ela riu, uma risada leve e contagiante, e Pedro notou como seus olhos verdes pareciam brilhar ainda mais sob a luz suave do fim da manhã.
— Talvez. De qualquer forma, espero te ver no museu, então.
— Pode contar com isso — respondeu ele, com firmeza, enquanto ela começava a se afastar.
Sofia seguiu pela calçada, seus longos cabelos ruivos balançando suavemente com o vento. A pele clara refletia a luz do sol, dando-lhe um ar quase etéreo, enquanto o vestido azul-marinho realçava sua silhueta. Havia algo em Sofia que combinava força e delicadeza de forma única.
Pedro ficou parado, observando-a enquanto se distanciava. Ela era linda demais, mas não era só isso. Havia uma alegria inocente e divertida em seu jeito de ser, algo que o fazia sorrir sem perceber.
Quando ela virou a esquina, ele suspirou, ainda com o sorriso no rosto. Talvez o destino tivesse mesmo suas razões.
Pedro continuou parado por alguns instantes, olhando para a esquina por onde Sofia havia desaparecido. A ideia do museu brotara de forma quase impulsiva, mas agora, enquanto caminhava de volta para casa, ele não podia deixar de rir de si mesmo.
Museus e galerias de arte nunca foram exatamente a sua praia. Desde pequeno, ele os associava a longas tardes monótonas ao lado do pai, que era um entusiasta convicto. O pai falava com paixão sobre cada pintura, escultura ou instalação, mas para Pedro, tudo aquilo parecia apenas um desfile interminável de quadros e objetos que ele não entendia.
Só ia às exposições porque era o tipo de coisa que fazia o pai feliz. E, de certa forma, essas visitas forçadas se tornaram uma tradição. Mesmo depois de crescer, Pedro ainda acompanhava o pai de vez em quando, embora fosse mais pelo vínculo entre os dois do que pelo interesse genuíno na arte.
A ideia da exposição de arte moderna, na verdade, tinha vindo do pai. "Você deveria ir, Pedro. Vai ser uma das melhores do ano. Quem sabe até te surpreenda?" Pedro não tinha levado a sugestão a sério até agora. Mas algo em Sofia — talvez o brilho nos olhos quando falava sobre design, ou a paixão evidente ao descrever suas criações — o fez pensar que ela iria gostar. E Pedro, sempre atento aos detalhes, quis impressioná-la.
"Impressionar Sofia..." Ele riu de si mesmo, sacudindo a cabeça. Claro que estava se metendo numa fria. Ia passar o sábado em um lugar que nunca o atraiu, tentando disfarçar o tédio enquanto Sofia provavelmente ficaria encantada com cada peça. Mas, por outro lado, talvez não fosse tão r**m.
Ele sabia que ia se sentir perdido diante de conceitos abstratos e explicações que não faziam sentido para ele. Ainda assim, havia algo em Sofia que fazia tudo parecer diferente. Talvez não importasse o quanto ele detestasse museus. Apenas estar ao lado dela, compartilhar aquele momento, já seria o suficiente para transformar o sacrifício em algo que valesse a pena.
Pedro sorriu consigo mesmo. "Sim, vai valer a pena", pensou, enquanto o som do trânsito ao redor o trazia de volta à realidade. Mesmo que acabasse se ferrando, só pela companhia de Sofia já seria um sábado bem gasto.