Um Novo Dia
O som insistente do despertador ecoou pelo pequeno quarto de Sofia. Ela gemeu, enterrando o rosto no travesseiro em uma tentativa inútil de adiar o inevitável. O visor digital brilhava com números que pareciam zombar dela: 6h30. Era cedo demais para quem tinha trabalhado até tarde na cafetaria na noite anterior, mas ela sabia que o dia era importante.
Com um suspiro preguiçoso, esticou o braço para silenciar o alarme. A luz fraca da manhã filtrava-se pelas cortinas finas, iluminando os traços delicados do quarto – livros espalhados, um laptop sobre a escrivaninha e uma planta meio esquecida no canto.
Deitada sobre os lençóis amarrotados, Sofia fechou os olhos por um instante, tentando afastar o nervosismo que começava a tomar conta de seu corpo. Era a sua terceira entrevista de emprego nas últimas semanas, e a ansiedade já se tornara uma companhia constante.
Seu peito subia e descia lentamente enquanto ela tentava acalmar a mente. Decidiu se permitir um momento de pausa, algo que a ajudasse a relaxar antes de enfrentar mais um dia repleto de incertezas. A ponta de seus dedos deslizou instintivamente pela pele, num toque que começou como uma tentativa de conforto, mas que logo se tornou mais intencional quando chegou à sua zona íntima.
A respiração de Sofia mudou, tornando-se mais profunda. Ela permitiu-se mergulhar naquele instante, desligando-se do mundo e das preocupações que a aguardavam. O ritmo de seus movimentos cresceu, acompanhando a onda de prazer que se espalhava pelo seu corpo, levando embora – ainda que temporariamente – o peso de seus pensamentos. Sofia gemia de prazer, uma prazer que sabia como dar a si mesma.
Quando finalmente atingiu o ápice, Sofia suspirou, sentindo uma tranquilidade efêmera tomar conta de si. Por um momento, ficou ali, olhando para o teto e tentando capturar aquele raro sentimento de alívio. Mas logo a realidade voltou, implacável como sempre.
Ela virou-se de lado, abraçando o travesseiro, enquanto pensamentos antigos voltavam à superfície. Apesar de momentos como aquele trazerem um pouco de conforto, sua vida amorosa era uma fonte constante de frustração. Sofia nunca se sentira completamente satisfeita com seus parceiros. Os poucos relacionamentos que tivera sempre deixavam a desejar, especialmente na i********e. Nenhum deles parecia entender o que ela precisava, o que ela queria.
“Será que o problema sou eu?”, pensou, quase em um sussurro. Essa dúvida a perseguia há tempos, mas Sofia nunca conseguia encontrar uma resposta.
O toque do celular, vibrando na mesinha de cabeceira, interrompeu seus devaneios. Era um lembrete: hora de se preparar para a entrevista. Ela respirou fundo, afastando as reflexões e levantou-se. Ainda havia muito a fazer, e Sofia estava determinada a continuar tentando, tanto na vida profissional quanto em todas as outras áreas onde ainda buscava se encontrar.
Sofia encarava o espelho, ajustando os últimos detalhes do vestido azul-marinho que escolhera para a entrevista. O tecido moldava-se perfeitamente ao seu corpo, equilibrando elegância e profissionalismo, exatamente como esperava. As mãos trêmulas alisavam a saia enquanto tentava acalmar a mente inquieta. Respirou fundo e ergueu o rosto, encarando os próprios olhos. Precisava ser forte. Aquela entrevista era mais do que uma chance – era um passo importante, talvez o começo do que sempre sonhou para si.
Desde pequena, Sofia sabia o que queria. Passava horas ao lado da avó, sentada na pequena mesa de costura, observando-a transformar tecidos simples em verdadeiras obras de arte. Cada vestido que criava, cada ajuste, cada botão costurado parecia carregar uma história. Sofia absorvia tudo, fascinada. Foi ali que seu amor pelo design nasceu, alimentado pelas mãos firmes e experientes da avó.
“Um dia, você vai criar coisas lindas, minha menina”, dizia a avó, enquanto guiava as mãos de Sofia na velha máquina de costura, uma relíquia que hoje ocupava um lugar especial em sua casa. Era mais que uma máquina – era um elo entre o passado e o presente, um lembrete de suas origens.
Enquanto prendia uma mecha de cabelo solta atrás da orelha, Sofia sentiu a saudade apertar. A vida nunca fora fácil. Depois do acidente que tirou a vida de seus pais, ela e Rita, sua irmã mais velha, tiveram que crescer rápido. Restou apenas a avó para cuidar delas. Rita sempre fora a fortaleza, a mão que segurava Sofia nas tempestades. Lembrava-se de como a irmã a acalmava nos momentos de medo e de como narrava histórias sobre o amor incondicional de seus pais, um amor que Sofia sonhava em encontrar um dia.
“Felicidade está nos detalhes”, dizia a avó. Nos pequenos gestos, como o aroma de chá ao fim da tarde ou a luz dourada do sol atravessando as cortinas. Quando a avó partiu, a casa ficou grande e silenciosa demais. Mas Sofia seguiu em frente, trabalhando duro como garçonete enquanto concluía o curso de Design de Moda. Foram anos de sacrifícios, mas ela nunca deixou de sonhar com o dia em que suas criações seriam vistas e admiradas pelo mundo.
De frente ao espelho, Sofia viu-se diferente. Não era mais a menina que costurava vestidinhos para as bonecas com a avó, nem a adolescente que chorava baixinho no escuro, temendo o futuro. Agora era uma mulher. Uma mulher formada, com sonhos claros e uma determinação que parecia gravada em sua alma.
Pensou em Rita, sempre tão protetora e cheia de palavras encorajadoras, e em Tomás, seu sobrinho que a admirava como uma verdadeira heroína. Sofia queria ser essa pessoa não apenas para ele, mas também para si mesma. Queria provar que os sacrifícios da avó e os esforços de Rita valeram a pena. Queria que seus pais, de onde quer que estivessem, se orgulhassem de sua trajetória.
Pegando a bolsa, conferiu se o portfólio estava ali. Respirou fundo, sentindo o peso e a expectativa do momento. Saiu de casa com passos firmes, deixando a ansiedade para trás. Era a hora de enfrentar o mundo e, finalmente, transformar seus sonhos em realidade.