CORINGA Os dias passavam em um arrasto lento, como se o tempo tivesse decidido brincar com minha mente. Eu estava no meu quarto, o mesmo espaço que agora parecia mais um túmulo do que um refúgio. As paredes, escurecidas pela solidão, apenas observavam. Eu, sentado, olhando para as mesmas fotos que havia prometido destruir. Eloísa, minha esposa, e Marina, minha filha. Algo que eu deveria ter apagado da minha vida há muito tempo. Mas aqui estavam elas, intactas, me encarando com o peso da culpa que eu não conseguia afastar. Eloísa sorrindo, Marina ainda criança, a vida inteira à frente dela. Que tipo de homem eu me tornei? O que eu havia feito com tudo isso? A raiva, o ódio… eles haviam me consumido ao ponto de eu não conseguir distinguir mais o que eu era. Aquele sorriso de Eloísa, a le

