Conduzo pela estrada, ignorando os limites de velocidade, os sinais de protesto e as paisagens urbanas que passam pela janela. Só me interessa uma coisa: chegar à casa onde vive a pessoa que destruiu toda a minha vida. E não só a minha. A vida da Samanta. A vida da nossa filha. Os meus dedos apertam tanto o volante que ficam brancos. Por dentro, tudo ferve. A raiva se transforma numa determinação fria e pura. Nem sei o que vou dizer quando estiver na frente do meu pai. Não sei se vou conseguir me controlar. Mas uma coisa eu sei com certeza: não haverá mais silêncio. Não haverá tentativas de entender os seus motivos. Vou tirar toda a verdade dele, mesmo que tenha que quebrar a mandíbula dele. Lembro-me dessa foto. Como a segurei nas minhas mãos, como a vi pela primeira vez e senti como tu

