Bia
Cheguei na casa de Bryan, já eram oito horas da noite. Me atrasei, pois passei na casa dos meus pais antes para ver como estava tudo por lá, porque se dependesse da Carol eles não teriam assistência nenhuma. Nossa, como isso me deixava brava! Como uma criatura podia negligenciar os próprios pais?
Agora que estava namorando com Bryan eu ficava lá e cá. Quando meu ruivo tinha plantão noturno dormia lá e quando ele não tinha dormia cá. Ele tinha me dado uma cópia da chave um dia depois de me pedir em namoro. Ao fechar a porta com dificuldade, devido as sacolas que carregava, fui agraciada com um delicioso cheiro de comida.
— Cheguei. — Gritei. E fui recebida com um xingamento. Abri um sorrisão. Bryan era um completo desastre na cozinha, a típica pessoa que queimava até água. Sua maior especialidade era macarronada, que dizer, a única coisa que sabia fazer além de pedir comida. Porém para fazer ela, a criatura desmontava toda a cozinha e sempre saía com um ou dois dedos cortados.
Fui para o quarto dele, deixei as sacolas com algumas roupas minhas em cima da colcha azul escuro da cama. Andei até o banheiro para pegar a caixinha de primeiros socorros que ficava debaixo da pia. Por um instante me olhei no espelho, naquele dia tinha conseguido passar um lápis no olho sem ficar cega, usei um batom vermelhão que deixou a minha boca um pouco maior. Hesitei, será que Bryan iria gostar? Odiava aquela minha insegurança b***a, mas quando se passa a vida todo escutando o quão estupida é, ficava meio difícil acreditar em você mesmo. Todavia, prometi para mim mesma que não ia me importar com a opinião dos outros, ou pelo menos ia tentar.
Voltei para a cozinha com a caixa em uma mão e a sacola de bolinhos que tinham sobrado do café na outra. Parei no batente olhando para as costa do meu homem. Bryan estava usando apenas uma bermuda, larga em sua cintura, pois dava para ver o elástico da cueca. Todo atrapalhado com as duas panelas no fogão. Era possível ver molho de tomate respingado nos armários branco e preto, o tapete de barbante enrolado em frente a pia e um montão de louça em cima dela.
— Tá tudo certo ai, grandão? — Perguntei tentando segurar o riso. Bryan se virou para mim com um garfo na mão e um pano de prato enrolado. Parece que essa noite ele resolveu fritar alguma coisa.
— Meu Deus. Quem é essa delicia deliciosa que apareceu na minha cozinha. — O meu medo de achar que não ia gostar se desfez na hora. Bryan veio até mim e pegou em meu rosto. — Já disse como vermelho fica bem em você? — Me deu um selinho na boca. — Parecem morangos maduros seus lábios.
Isso me fez lembrar de uma outra vez que escutei essa mesma frase:
"Era um terça-feira feira chuvosa e fria. Quase tive meu estoque de chocolate quente no zero. O pessoal precisava de algo quente para espantar o gelo do dia. A melhor ideia que tive, foi seguir o exemplo das Starbucks, copos para viagem.
O mesmo rapazinho entrou com uma linda caixa em formato de coração e me entregou. Como no dia anterior, saiu correndo logo após a entrega. Nem deu tempo de interrogá-lo. Abri o cartão e estava escrito assim:
"Toda vez que vejo morangos eu lembro dos seus lábios carnudos. Fico imaginando se são tão doces quanto aparentam ser. O chocolate me lembra da sua pele sedosa, morro de vontade de lambê-la.
De: Um homem que aprecia a doçura quando a vê".
Senti minhas bochechas pegarem fogo ao ler aquelas palavras, agora a curiosidade estava a mil por hora, quem era essa pessoa que estava me mandando presentes?
— Bia, está vendendo fondue. — Bryan perguntou para mim ao apontar a caixa aberta em cima do balcão. Nem tinha visto o meu vizinho chegar, olha que isso era uma grande coisa, o cara não dava para passar despercebido.
— Oh, não. — Empurrei a caixa para ele. — Eu ganhei. Quer alguns?
— Ah não! São seus. — Pude ver o olhar brilhante dele. Bryan era uma formiguinha. Achava isso adorável nele, a melhor coisa para alguém que cozinha é ter sua comida sendo apreciada.
— Vamos lá, garoto açúcar. — Sorrir para ele. — Eu sei que você quer.
— Não me pergunte duas vezes. — Fingiu cara de pena para mim. Gargalhei e empurrei a caixa para ele.
— Não posso comer tudo sozinha, me ajude. — Já podia ver os números da balança subindo com a quantidade de calorias que tinha naquela caixa dos prazeres.
— Como bom cavaleiro, não recuso uma dama pedindo ajuda. — Piscou para mim. Meu coração bobo vacilou uma batida."
— O que você está aprontando, senhor Mendonça? — Cheguei mais perto do fogão. Quase soltei um gemido pela sujeira ali vista.
— Estou preparando o meu famoso macarrão. — E apontou para a frigideira que tinha dois bifes enormes, de tão grandes estavam pendurados para os lados. Mordi o lábio para não rir. — E uns bifões para nós.
— Posso ajudar? — Indaguei, não sei porque ainda me surpreendia com o desastre que Bryan era na cozinha. Sério, o homem conseguia construir de olhos fechados e com uma mão amarrada, mas não sabia cozinhar.
— Você vai colocando a mesa e eu termino de fritar os bifes e faço uma salada.
— Para que salada? — Ele fez uma careta e me deu um beijo no rosto enquanto desfazia do pano de prato que estava na mão. Olhei aquilo sem entender nada. — Estava espirrando óleo na minha mão.
Dei uma sonora gargalhada com a carinha fofa que ele fez. Coloquei a mesa e comecei dar uma ajeitada na cozinha. Em poucos minutos estávamos os dois jantando. Era incrível o orgulho que ele sentia pela macarronada. Realmente era algo bem saboroso e eu comia com vontade e até repetia, apesar que com o tamanho do bife, desta vez eu não iria conseguir.
— Então, mocinha. — Bryan olhou para mim com aqueles olhos claros. — O que está acontecendo?
Sabia que esse dia ia chegar, suspirei e afastei meu prato perdendo o apetite.
— Nós nunca conversamos sobre bebês ou sobre o nosso futuro...
— Jesus, mulher. — Bryan suspirou pesado. — Eu achei que você queria terminar comigo.
— Terminar com você? Por quê? — Olhei para ele assustada.
— Vocês estava agindo toda estranha, não querendo falar comigo, me olhava e depois desviava os olhos. — Bryan ergueu o braço e acariciou o meu rosto com carinho. — Quero um futuro com você e estou aberto a negociações sobre bebês.
Era isso que eu mais temia. Olhei para o meu prato e comecei a brincar com o macarrão.
— Talvez eu não possa ter filhos. — Disse em um sorriso triste. — Eu sinto muito. — Mordi o lábio para não chorar.
— Então, adotamos uma ninhada de criancinhas. — Bryan deu de ombros como se aquilo não importasse. — Vai querer assistir algum filme hoje?
— Eu estou dizendo para você que talvez não poderemos ter filhos e você me pergunta qual filme eu vou querer assistir hoje? — Ele só podia estar brincando, não é?
Bryan levantou da cadeira e veio até a minha, ajoelhou no chão e pegou a minha mão.
— Bia eu amo você. Você, essa mulher linda, amável, brincalhona, que tem o coração maior que o mundo todo, com sorriso fácil, ótima doceira e incrível de cama. — Sentir meu rosto esquentar. — Você não é uma incubadora, eu não sei se serei um bom pai, se você quiser ter bebês nós iremos tentar, se você não puder, nós adotamos. — Ele deu beijos em minhas, mãos e eu não aguentei. Comecei a chorar.
— Você não entende. — Os soluços era ouvidos por toda a casa. Bryan me pegou no colo e caminhou comigo até o sofá. Passando as mãos nas minhas costas, não falando nada. — Eu quero ter minis Bryan correndo pela casa com seus cabelos cor de fogo. — Escondi me rosto em seu pescoço, meu corpo sacudindo por causa do meu pranto.
— E por que não minis Bias com cachinhos negros e essa pele linda que você tem? — Eu olhei para ele e fechei a cara.
— Quero minis Bryan. — Fiz bico. A verdade é que não importava, desde criança eu sonhei em ter meu próprios bebês.
— Então vamos fazer minis Bryan, eu não me oponho nenhum um pouco em tentar. — Ele sorriu. — Nada como muito s**o para dar jeito nesse pequeno problema. — Começou a beijar meu pescoço, enquanto enfiava a mão por dentro da minha camisa. — Como você sabe que não pode ter filhos?
Soltei um gemido tentando me concentrar na pergunta dele.
— Os exames que eu fiz. — Fechei os meus olhos e joguei a minha cabeça para trás dando mais espaço para ele me beijar. — O médico pediu uns de hormônios e está tudo descontrolado e ai eu fui na médica. — Parei de falar e soltei o ar, Bryan apertava um dos meus s***s. — Ela me encaminhou para ginecologista que me pediu para fazer ultrassom e eu descobrir que tenho ovários policísticos também.
— Não sei o que é isso, mas parece sexy. — Bryan desabotoou a minha blusa e mergulhou a cabeça em meus s***s, beijando e mordiscando toda a extensão de pele que o sutiã deixava amostra.
— Meu, Deus! Bryan. — Puxei os cabelos dele até olhar para os olhos dele que transmitia toda a luxuria que estava sentindo. — Isso é sério.
— Tá, ok! — Ele parou de tentar me beijar e me encarou. — O que temos que fazer para reverter esse quadro?
— A médica disse que tem alguns tratamentos, vou ter que entrar com remédios para dosagem de hormônios e contar com a sorte. — Fiz um bico do tamanho do mundo.
— Então vamos fazer tudo que a médica disse. — Bryan levantou do sofá comigo no colo e começo a andar em direção o quarto. — E fazer muito s**o, para ajudar com a sorte.
Não poderia impedir um homem em sua missão.