Bryan
Deixei a Bia no café quando recebi uma mensagem do meu amigo Sam pedindo ajuda com o cercadinho novo que tinha comprar para pequena dele. Comecei a rir sozinho, aposto que o cara já tinha martelado uns cinco dedos antes de me pedir ajuda, claro que, como todo bom amigo, iria rir muito da cara dele antes de ajudar.
Ainda não podia acreditar que Sam, o cara cheio de irmãs e que vivia dizendo que não ia se amarrar, agora era um pai de família, com esposa e um menina linda. Aninha Lulu, ninguém sabia ao certo por qual apelido chamar a adorável garotinha.
Estacionei o me carro em frente a casa dele e desci. Fui até o porta malas e peguei minha maleta de ferramentas. Minutos depois de tocar a campainha escutei os gritinhos da princesa da casa.
— Ei, cara. — Sam me cumprimentou assim que abriu o portão. Lulu ao me ver escondeu a cabeça na curva do pescoço do pai e ficou olhando com o r**o de olho para mim.
— Quantos dedos já perdeu? — Perguntei, tentando segurar o riso.
— Nossa, como você é engraçado. — Sam revirou os olhos e caminhou para dentro. Lulu olhava para mim por cima do ombro com curiosidade, quando eu sorria para ela. se escondia.
— O que eu tenho que fazer? — Olhei para a menina e a conversa com Bia veio a mente, será que serei um bom pai? Quando a garotada das escolas iam no batalhão eu adorava brincar com os pequenos e ensinar tudo que eu podia para eles, mas era só uma horinha, um filho era para a vida toda.
— A mocinha está engatinhando e acha graça em subir as escadas. — Sam apontou para a própria filha. — Ou descer de b***a, Mila quase teve um infarto quando se descuidou por meio minuto e a peralta, achou graça de se aventurar.
Entrei na sala e vi a bagunça de ferramentas e materiais. Balancei a cabeça consternado. Comecei a arrumar tudo e deixar as peças em ordens. Quando tudo estava perfeitamente alinhado, abri a minha caixa de ferramentas e peguei tudo que era preciso.
— Vai fazer barulho. — Apontei para Lulu, que tinha perdido a timidez a e agora observava tudo com muito interesse. — A mocinha pode estranhar.
— Vou ir dar comida para ela na cozinha. — Concordei com a cabeça e comecei a fazer a medição para depois furar a parede nos locais indicados para prender o cercadinho.
Amava esses trabalhos manuais, desde pequeno eu desmontava e montava coisas, mexia nas ferramentas do meu pai e todo mundo achava que eu seria um engenheiro, mecânico ou qualquer profissão que envolvesse montar e desmontar coisas, mas bombeiro era minha vocação, não me via fazendo outra coisa, por mais que amasse a carpintaria.
Montei a grade de cima e quando desci para montar a de baixo, encontrei a Lulu balançando uma chave de f***a para todos os lados, aquilo poderia ser muito perigoso. Vi um ursinho caindo no pé da escada. Peguei a pelúcia que parecia um bombeiro e me aproximei da criança, me agachei e mostrei o bombeiro.
— Que tal a gente trocar? — Balancei o ursinho na frente dela. A menina olhou para o objeto, depois para mim e por fim para a chave. Com a mãozinha livre ela abriu e fechou balbuciando alguma coisa na linguagem de bebês.
Peguei a chave e dei o bichinho para ela que o agarrou e apertou. Por um momento, me lembrei de outra garota fofa e seu ursinho.
"— Manoel, pronto para mais uma entrega? — Perguntei para o menino que prontamente estava me esperando no mesmo lugar do dia anterior.
— Sim, senhor. — Ela balançou a cabeça com entusiasmos. Dei seu pagamento e depois o grande urso que comprei.
— Lembre-se, este é nosso segredo, não conte nada para ela até sexta e provavelmente ela vai tentar te comprar com bolinhos ou ela vai tentar te dar dinheiro. Não cai na dela.
O menino assentiu com seriedade, caminhou pela calçada com dificuldade, eu havia exagerado no tamanho do urso. Depois de chegar na frente do café olhou para os dois lados e atravessou a rua. Andei sem presa, eu estava adorando ver as reações da minha menina, a cara fofa que ela fazia a cada presente.
Antes mesmo de Manoel entrar no café, Bia já estava o esperando de braços cruzados. Quando o menino estendeu o urso para ela, balançou a cabeça em negativa.
— Pode parando mocinho. — Disse ela. — Preciso saber quem é que está te mandando vir até mim com estes presentes?
— O homem me pagou um extra para não contar. — Ele estendeu novamente urso e eu quis rir da situação.
— Eu te pago o dobro. — Ela deu aquele sorriso de deixar qualquer um louco, confesso que se estivesse no lugar do menino já tinha confessado.
— Ele disse que você diria isso. — O menino vez uma segunda tentativa de entregar o presente.
— Então temos um acordo? Te dou o dobro que ele te pagou e bolinhos grátis por um mês. — O menino balançou a cabeça em negativa. Respirei fundo para não soltar uma sonora gargalhada.
— A minha palavra é a única coisa que eu tenho de valor, se eu não posso cumprir com ela então nada adianta. — Falou com convicção.
Vi os ombros de Bia cair, derrotada ela pegou o urso e deixou o garoto ir. Fez uma careta adorável e abraçou o ursinho.
— Brigando com um garotinho? — Resolvi me fazer presente, não conseguir suprimir a risada.
— O pestinha não quer ser subornado. — Ela fechou a cara. Caminhei até ela, minha vontade era lhe agarrar e dar um grande beijo na boca, mas me contentei com um casto na testa.
Ela leu o cartão e seus olhos brilharam, eu escrevi a frase:
"Minha garota fofa e de bom coração. Tenho vontade de te abraçar e não te soltar mais.
De: Um cara que acha sua beleza incrível""
— Quando é que você vai fazer uma garotinha dessas? — Sam me tirou dos meus pensamentos. Olhei para os olhos claros da menina que agora estendia o braço para o pai.
— Bia quer minis Bryan, de cabelos vermelhos. — Levantei e fui continuar o meu serviço. — É difícil ser pai?
Sam olhou para Lulu que deitava em seu peito. A menina e o pai eram muito parecidos, Mila vivia se queixando da semelhança, de não ser justo ela passar nove meses com um bebê dentro dela e a garotinha sair a cópia exata do pai. Cabelos pretos, olhos claros, pele levemente morena. Eu achava ela grande, então provavelmente seria tão alta quanto o pai.
— Metade do tempo eu fico babando com esse precioso pacotinho de felicidade. — Ele deu um beijo no topo da cabeça da filha. — Não outra metade eu morro de medo de fazer qualquer coisa errada. A primeira vez que ficamos sozinhos eu quase tive um treco, de cinco em cinco minutos ia ver se ela estava respirando.
— E agora?
— Estou mais tranquilo, converso bastante com o meu pai. — Sam riu com vontade. — Deus sabe que ele tem muita experiência com meninas.
Acompanhei ele na risada, Sam tinha cinco irmãs. Acho que eu pirava
— Ontem eu e Bia conversamos sobre filhos.
— Então vão começar uma família nova?
— Bia tem problemas para engravidar. — Suspirei. — Temos uma consulta marcada com a ginecologista dela.
— Que m***a. — Lulu jogou o urso no chão e começou a bater palminhas. Sorri para a menina, peguei o bichinho e devolvi para ela.
— Ela está toda encanada com isso. E você sabe como ela é. — Sam confirmou com a cabeça. — Mas, pelo lado positivo, vou ter que tentar bastante.
— Isso cara, aproveita bastante. — Pegando o urso no ar que a filha tinha jogado. Sam balançou a cabeça. — Depois que eles nascem, isso vai diminuir bastante. E quando você vai tornar a Bia uma mulher descente?
— Vou fazer o pedido no dia dos namorados. — Já tinha tudo esquematizado na cabeça, ia fazer tudo aquilo que tinha nos filmes clichês que ela adorava. — Preciso de ajuda para escolher o anel.
— Opa. Pode contar comigo. — Flores, bombos, jantar romântico com direito a serenata e depois um quarto de hotel, com a cama cobertas de flores, velas e tudo mais. Já estava procurando lugares para fazer tudo isso. Minha pequena merecia isso e muito mais.