CAPÍTULO 35 GABRIELA NARRANDO Eu fiquei parada alguns segundos depois que ele saiu de perto. A caixa ainda na minha mão. Pesada demais pra ser só um celular. Respirei fundo, guardei dentro da mochila e saí da sala antes que eu voltasse atrás. Quando abri a porta, o movimento lá fora já tava mais tranquilo. A noite tinha tomado conta de vez. Luzes acesas, música distante, os vapores revezando turno. Ele tava encostado na parede do corredor, falando no rádio. Quando me viu, desligou. — Bora. — Pra onde? — Pra casa. Simples assim. Eu assenti. Não discuti. Descemos os degraus juntos. Os olhares ainda existiam, mas agora vinham misturados com outra coisa. Respeito. Ele pegou a moto, colocou o capacete e me entregou o outro. — Sobe. Subi na garupa sem falar nada. Dessa vez, nem

