CAPÍTULO 36 GABRIELA NARRANDO A gente foi descendo o morro devagar. A rua ainda tava cheia, moto passando, som alto vindo de alguma laje, cheiro de churrasco misturado com fritura. A favela não dorme cedo, isso eu já tinha aprendido. Quando chegamos no trailer, a chapa tava estalando. O cheiro de hambúrguer com bacon me deu até tontura de fome. — Boa noite, meninas! — o cara do trailer falou. — Dois x-tudo caprichado — Karina pediu sem nem olhar o cardápio. — E manda duas cervejas. Eu virei pra ela na hora. — Duas? — Duas. — Eu nunca bebi, Karina. Ela me encarou como se eu tivesse dito que nunca tinha tomado água. — Nunca? — Nunca. — Então hoje vai provar. — Eu não sei se é uma boa ideia… — Relaxa, Gabi. Uma latinha não mata ninguém. Eu mordi o lábio, meio insegura. Sentam

