CAPÍTULO 9 GABRIELA NARRANDO Depois que a gente comeu, fiquei sentada na cozinha mais um tempo, só observando a Karina se mexer de um lado pro outro. Ela lavava a louça, secava, guardava, como se aquele fosse só mais um dia normal. Como se eu não estivesse ali por um motivo errado demais pra ser ignorado. Eu me sentia deslocada. Limpa, alimentada… mas ainda presa. — Tu deve tá cansada — ela falou, quebrando o silêncio. — Quer deitar um pouco? Assenti na hora. — Quero… se puder. — Claro — respondeu. — Quer ficar no meu quarto ou no de hóspedes? Pensei por um segundo. A ideia de dividir o quarto, mesmo com alguém gentil, me apertou o peito. — Sozinha — falei baixo. — Se não for problema. Karina me olhou com atenção, como se estivesse medindo minha resposta. Depois assentiu. — Tudo

