CAPÍTULO 8 GABRIELA NARRANDO Entrei na casa atrás dele ainda meio perdida. Por dentro era tudo grande demais. Limpo demais. Piso frio brilhando, móveis bons, cheiro de café passado misturado com alguma coisa doce. Nada ali parecia com o barraco onde eu tinha passado a noite. Era outro mundo. Outro Digão também. A cozinha era enorme. Ilha no meio, geladeira inox, armário planejado. E foi aí que eu vi ela. Uma menina sentada no balcão, mexendo no celular. Devia ter a minha idade. Cabelo escuro, preso de qualquer jeito, short e camiseta larga. Quando levantou o olhar pra mim, me analisou inteira. Da cabeça aos pés. — Karina — Digão falou, entrando atrás de mim. — Arruma uma roupa pra ela e algum bagulho pra ela comer. Ela vai ficar aí até eu resolver o que fazer com ela. Meu coração de

