— Ele acha que eu nunca vou casar — continuou. — Porque homem nenhum presta. Ele acha que todo mundo é igual a ele. Fiquei quieta. Porque no fundo… ela não tava errada. Digão não confia em homem nenhum. Não confia nem nos que andam do lado dele, imagina num que olhe pra irmã. — Mas o Juninho não é qualquer um — falei, cuidadosa. Karina estreitou os olhos. — Tu tá defendendo ele agora? — Não tô defendendo. Só tô falando a verdade. Ele é fiel ao teu irmão. Se ele sentisse alguma coisa, não ia ser desrespeito. Ela ficou em silêncio, pensando. — É justamente por isso que é pior — murmurou. — Porque se ele sentisse… ia dar merdä grande. O peso daquela frase ficou no ar. Aqui, sentimento não é coisa leve. É risco. É fraqueza. É motivo pra guerra. Encostei a cabeça no sofá de novo. —

