Capítulo 1
O Aniversário de Raya
Hoje, o inferno estava em festa. O castelo, habitualmente imponente e sombrio, estava repleto de luzes suaves, e velas negras adornavam o salão principal, projetando sombras que dançavam nas paredes. A razão para tanta comemoração era clara: a princesa Raya completava 18 anos, a maioridade no inferno. Este não era apenas um aniversário, mas um marco importante na vida da jovem, o início de sua verdadeira jornada como herdeira do inferno.
O salão estava lotado de dignitários, nobres e outras figuras poderosas do submundo, todas presentes para celebrar a ocasião. Raya, com sua beleza inegável e presença magnética, era o centro das atenções. Ela usava um vestido n***o, adornado com fios de prata e delicados bordados que refletiam a luz das velas, combinando com a aura de poder e mistério que a envolvia. Seus longos cabelos negros caíam em ondas elegantes por seus ombros, e seus olhos azuis, profundos e penetrantes, brilhavam com uma intensidade única. Atrás dela, suas asas negras, herança de sua linhagem demoníaca, se estendiam majestosamente.
Raya sempre foi uma jovem calma e controlada, mas hoje havia algo em seus olhos, um brilho que indicava que ela estava começando a perceber a imensidão do papel que assumiria daqui para frente. Ela era, sem dúvida, uma princesa em todos os sentidos: educada, compassiva e com uma força incomparável. Sua beleza refletia a graça de sua mãe, Scarlett, mas o poder que ela carregava vinha diretamente de seu pai, Asura, o rei do inferno.
Asura estava ao seu lado, observando com um sorriso orgulhoso. Ele sempre a tratou como a “caçulinha”, uma criança frágil, embora soubesse, em seu íntimo, que Raya era uma das mais poderosas herdeiras que o inferno já conheceu. Ele via nela o futuro do inferno, e a certeza de que sua filha seria capaz de governar com sabedoria e força. No entanto, para ele, ela sempre seria sua menina, e ele faria tudo para protegê-la de qualquer ameaça.
Ao contrário de Asura, Scarlett, sua mãe, estava mais emocional, vendo sua filha completar 18 anos com uma mistura de alegria e apreensão. Ela sabia que Raya estava crescendo, mas o amor imenso que sentia pela filha a fazia querer preservar a menina que sempre foi sua. A perda de uma filha anterior havia deixado uma cicatriz profunda, mas Raya preencheu o vazio de maneira que ninguém mais poderia.
O meio-irmão de Raya, Vayron, filho de Asura com outra mulher, estava presente e também tinha seu papel neste evento. Vayron, embora mais distante e silencioso que os outros, sabia que sua presença era necessária. Ele era, afinal, o futuro rei do inferno, e sua posição de liderança era mais do que garantida. Em um gesto de carinho e responsabilidade, Vayron presenteou Raya com uma vaga no conselho infernal, uma posição de prestígio e poder, reafirmando seu apoio à irmã, embora a dinâmica entre eles fosse sempre complexa. Embora fosse o próximo a assumir o trono, Vayron sabia que o futuro do inferno também dependia das escolhas de Raya, e ele a tratava com o respeito que sua linhagem merecia.
Os avós maternos de Raya, Dagon e Mia, estavam presentes, oferecendo-lhe armas poderosas, ferramentas de força e proteção para que pudesse se defender no reino do inferno. Dagon, com sua vasta experiência em batalhas, sabia que a princesa não poderia ser apenas uma figura simbólica, ela precisaria de habilidades de combate. Mia, sua avó, com seu olhar atento e calculista, sabia o valor de uma arma bem usada, e seus presentes eram uma prova da sabedoria e cuidado de uma matriarca.
Os avós paternos de Raya, Dantalion e Sarah, não eram de expressar afeto de maneira direta, mas suas dádivas eram uma forma de garantir que Raya estivesse sempre à altura da realeza. Eles lhe deram jóias caríssimas e vestidos luxuosos, símbolos do status que ela teria de manter. Para Dantalion e Sarah, uma princesa deveria sempre brilhar, e suas escolhas refletiam o desejo deles de vê-la sempre como uma figura de poder e beleza, pois sabiam que o futuro da linhagem dependia disso.
Raya, embora estivesse cercada por presentes e figuras imponentes, se sentia distante de toda a pompa e circunstância. Não era que ela não apreciasse os presentes ou a adulação, mas seu coração estava inquieto. Ela sentia que, embora fosse celebrada, sua jornada estava apenas começando. O inferno todo parecia esperar algo dela, mas havia uma parte dela que ainda não compreendia completamente o que isso significava. Ela sabia que era poderosa, talvez mais do que muitos imaginavam, mas como seria o seu futuro? Isso ainda era algo nebuloso em sua mente.
Ela herdou muito do que o inferno poderia oferecer: força, poder, controle sobre o fogo e habilidades especiais. Mas, em seu coração, ela sentia uma necessidade de se entender melhor, de compreender seu verdadeiro papel. Ela não queria apenas ser uma princesa. Ela queria ser algo mais. Mas o que exatamente?
Enquanto todos celebravam, Asura a observava com uma leve preocupação. Ele sabia que sua filha estava prestes a tomar um grande passo em sua vida, mas, ao mesmo tempo, ele temia pela pressão que viria. Afinal, Vayron, seu meio-irmão, era o futuro rei do inferno, e isso significava que Raya teria de encontrar seu próprio caminho, longe do destino de realeza que parecia predestinado a Vayron.
Scarlett, por outro lado, estava orgulhosa, mas também sabia que sua filha não era apenas a princesa que todos viam. Ela era uma guerreira, uma líder em potencial. A beleza de Raya, embora impressionante, era apenas uma parte de quem ela realmente era. Scarlett sabia disso melhor do que ninguém.
No entanto, uma coisa era certa: o futuro de Raya estava em suas mãos. E o inferno, com todos os seus jogos de poder, estava observando atentamente. Ela poderia até não entender completamente o que isso significava agora, mas sabia que algo grande se aproximava. O que quer que fosse, ela estava pronta para enfrentá-lo, com a força de sua linhagem e a coragem que sempre teve.
E assim, enquanto o inferno celebrava o aniversário de sua princesa, Raya não sabia ainda o quanto sua vida estava prestes a mudar. O que o futuro lhe reservaria, ela ainda não sabia, mas havia algo no ar, uma sensação de que o destino, de uma forma ou de outra, a chamaria para um caminho que ela não poderia escapar.