Capítulo 3

1079 Words
Raya O som da música e das conversas ressoava pelo grande salão da realeza infernal, mas eu não conseguia me importar menos. Encostei-me em uma das paredes laterais, observando com desdém os nobres que se movimentavam, rindo e trocando palavras ensaiadas. Todos ali tinham um único objetivo: me casar com algum de seus filhos para fortalecer suas linhagens. Era ridículo. Ser uma esposa submissa? Nunca. Não preciso de um marido. Simples assim. Meus olhos vagaram até meu irmão, Vayron. Ele estava no centro do salão, conversando com os líderes dos níveis infernais. Forte, inteligente e extremamente social. Tudo nele se encaixava perfeitamente no papel de príncipe herdeiro. Já eu? Não tinha paciência para burocracias e discussões políticas. Tudo era mais simples na batalha. Uma presença calorosa ao meu lado me fez despertar de meus pensamentos. Minha mãe, Scarlett, ajeitou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha e sorriu. Scarlett — O que planeja fazer já que não deseja socializar com os nobres? — Eu posso ir embora mais cedo? Quero correr um pouco, ficar parada é entediante. Scarlett — Claro, minha princesa. Vá lá, mas tome cuidado. Não esqueça que sua beleza chama muita atenção, temo por ti, sempre. — Vou tomar cuidado, mãe. Afastei-me do salão, respirando o ar fresco do jardim. O silêncio da noite era uma bênção comparado ao barulho dos nobres bajuladores. Foi então que um estrondo ensurdecedor ecoou pelo céu. Meus olhos se voltaram para cima e vi asas brancas recortando a escuridão. Um segundo estrondo sacudiu o castelo, e percebi que algo estava errado. Muito errado. Arcanjos. Meus músculos se retesaram. Um ataque? Mas isso não fazia sentido. A oferta de paz ainda estava em vigor. Então por quê…? Não tive tempo de pensar. Os arcanjos avançaram contra os guardas do castelo, e logo alguns me cercaram. Sem saída. Respirei fundo. Se eles atacaram primeiro, eu podia me defender. Saquei minhas adagas e avancei contra um deles, deslizando pela lateral e enterrando a lâmina em sua costela. Ele gritou, mas antes que eu pudesse recuar, outro veio por trás. Me virei a tempo de erguer minha mão, conjurando chamas que o consumiram de dentro para fora. O cheiro de carne queimada preencheu o ar. Mais deles apareceram. Continuei lutando, meus braços doloridos, minhas pernas pesadas. Os cortes se acumulavam no meu corpo, e meu fôlego estava cada vez mais curto. Mas eu não podia parar. Não sabia como minha família estava lidando com o ataque dentro do salão. Será que estavam bem? Não. Não podia pensar nisso agora. Precisava focar. Meus movimentos começaram a desacelerar. O sangue escorria dos ferimentos e minhas forças estavam no limite. Um dos arcanjos ergueu sua espada, pronto para me acertar. Eu não conseguiria desviar a tempo. Foi então que o frio cortou o ar. Gelo cobriu os corpos dos anjos ao meu redor, congelando-os instantaneamente. Uma katana atravessou os blocos de gelo, despedaçando-os com precisão mortal. Olhei para o lado e vi minha avó, Mia, parada ali, sua lâmina ainda pingando sangue celestial. Mia — Está bem, minha coelhinha? Aquele apelido. No castelo, todos me chamavam assim, porque diziam que eu parecia um coelho preto de olhos azuis, igual a minha avó. — Obrigada por me salvar. Mia — Não precisa me agradecer. Logo meu carneiro vai aparecer e matá-los. Não demorou para que eu visse meu avô, Dagon, voando pelo céu. Ele abatia os arcanjos como se fossem nada. Mas o que realmente me fez prender a respiração foi ver meus pais, Asura e Scarlett, lutando juntos, ao lado de Vayron. O alívio me preencheu. Então meus olhos encontraram outra cena. Dantalion. O demônio mais forte e impiedoso do inferno, lutando no céu ao lado de Dagon. Eu sabia que eles se odiavam, mas ali estavam, lado a lado, defendendo o que agora era um único reino devido ao casamento dos meus pais. Mia — Certo, preciso levar você para um lugar seguro. — Eu posso lutar! Mia — Você chegou ao seu limite. Está lutando há muito tempo, primeiro que todos nós. Vá descansar. Não quer ser um fardo, quer? Fechei os punhos, irritada, mas sabia que ela estava certa. — Tudo bem. Mia — Vá para dentro do salão e fique perto da Sarah. Você estará segura ao lado dela. Me preparei para seguir sua ordem, mas um brilho intenso chamou minha atenção. Olhei para cima e vi meu avô Dagon sendo arremessado do céu. Ele caiu com força, levantando poeira e destroços. O ser que o atacou pairava no ar, emanando uma energia esmagadora. Três asas brancas. Cabelos e olhos tão brancos quanto a neve. Dantalion avançou contra ele, e o choque entre os dois fez o ar vibrar. Eles estavam lutando de igual para igual. Minha avó correu até Dagon, que segurava um ferimento no braço. Seu olhar queimava em fúria. Ele havia subestimado aquele ser divino. Seus olhos se voltaram para mim, e sua expressão se endureceu. Dagon — Entre. Agora. Engoli em seco. O tom em sua voz não deixava espaço para questionamentos. Sem hesitar, corri para o salão, sabendo que aquela batalha ainda estava longe de acabar. Eu queria ajudar eles, mas já não tinha forças, e não quero ser um fardo para eles, nunca. Quando entrei no salão e me aproximei da Sarah a vi em alerta cuidando dos convidados, ela não é muito forte, nem é conhecida por isso, mas é a esposa do Dantalion, que moveria céus e terra para cuidar dela e protege-la, o amor deles é lindo, mas nunca me contam como ficaram juntos, todos evitam esse assunto como se fosse um tabu. —vó!— chamo Sarah que me abraça e fica aliviada ao ver que estou bem. Sarah —meu filho quase infartou quando o ataque começou e não viu você aqui dentro!— está falando do meu pai, Asura, ele é super protetor comigo, como se eu fosse uma flor ou algo do tipo, dizem que antes ele não era assim, que não tinha sentimentos quando subiu no trono do inferno, mas não consigo acreditar nisso, ele é um rei tão justo, tão preocupado e gentil. —está, tudo bem vó, estou viva não estou? Sarah —queria estar lá fora, mas sendo apenas uma vampira meio angelical não ajudaria em nada, Lion, apenas iria se ferir por minha causa. Apenas faça companhia a ela enquanto tento curar minhas feridas, mas não se curam, tem algo de errado comigo.
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