O céu estava pesado naquela noite, carregado de nuvens cinzentas que pareciam refletir tudo o que eu sentia por dentro. Era estranho como o tempo parecia entender o que o coração não sabia dizer. Eu não conseguia parar de pensar nele. Desde aquele breve encontro, a imagem de Erik ficou presa na minha mente — o olhar firme, a voz rouca, o jeito como parecia ao mesmo tempo forte e... perdido. Eu sabia quem ele era. Todo mundo na comunidade sabia. O nome dele carregava respeito e medo, e, ainda assim, algo em mim não conseguia associar aquele homem perigoso ao mesmo que me olhou com tanta ternura. Talvez fosse isso que me assustava: a dualidade. O contraste entre o homem e o mito. Naquela noite, eu estava na janela, observando o alto do morro. As luzes piscavam ao longe, e o som abafado d

