"Não aceite! Diga não, saia dessa sala e nunca mais volte a olhar para mim!" – Gavin Salvaterre.
12 horas antes...
Lindsay
Bati a porta do quarto e quando entrei na cozinha peguei Victória e Brian aos beijos. Não é nada legal você morar no mesmo apartamento que sua amiga e o namorado dela. Pior ainda era saber que eles só te aceitaram ali por caridade.
Mas se tudo desse certo e eu conseguisse o emprego, a primeira coisa que eu faria com meu primeiro salário seria procurar um apartamento só para mim. Estava cansada de bancar a vela.
Victória estava sentada no colo de Brian e foi impossível não ver a mão dele apertar os s***s dela por baixo do baby-doll que ela usava.
"Por favor, vão para o quarto. Eu ainda moro aqui com vocês!", pensei com vontade de gritar.
- Run, run! - me limitei a pigarrear.
Victória empurrou Brian pelos ombros e ficou de pé. Ele me encarou e sorriu com cinismo.
- Bom dia irmãzinha!
- Espero que seja mesmo um bom dia depois do que eu vi. - dei a volta na mesa passando atrás deles e abri a geladeira. - Vocês não podiam esperar eu sair? Tenho uma entrevista de emprego hoje e não gostaria de ficar me lembrando disso enquanto converso com meu futuro chefe.
- Já é algo positivo pensar no cara como seu futuro chefe. - Vick sorriu mordiscando uma maça.
- Eu preciso desse emprego, não existe a opção ser desclassificada. - respondi séria.
- Hei Lis relaxa, se você não conseguir lá, pode conseguir em outros lugares. - Brian me encarou.
- Que outros lugares? Nenhum outro oferece o salário, os benefícios e a chance de trabalhar como arquiteta na arte de tecnologia como eu quero. - respondi.
- Olha você vai conseguir, é uma das pessoas mais maduras que eu conheço e você só tem 25 anos. - Victória sorriu se aproximando. - Tenho certeza que a pessoa que te entrevistar não vai ver apenas as notas excelentes, vai ver o quanto você se sacrificou pra se formar. Meu você veio pra essa cidade sem conhecer ninguém, não tem pais e bancou a faculdade sozinha. Se o pessoal dessa empresa não ver a pessoa valiosa que é, eles não te merecem.
- Eu concordo! - Brian envolveu os braços em torno da cintura de Vick, um sorriso zombeteiro nos lábios.
- Valeu, vocês são a família que eu não tenho. - forcei um sorriso.
Gavin
Suspirei e joguei os papeis em cima da mesa. Dez pares de olhos me encararam e os olhei de volta.
- Não posso aprovar essa construção.
- Qual problema? - meu advogado me encarou.
- Vocês extrapolaram o orçamento, estão pedindo um milhão a mais para iniciar as obras. - respondi.
- Mas, esse é o orçamento final. - o advogado responsável pela obra me encarou
- Não tentem me enganar, vocês estão superfaturando a obra, pode avisar ao seu cliente que não vou dar mais um centavo por essa obra e se não estão satisfeitos procurem outro investidor.
- Mas isso é um absurdo, senhor Salvaterre. - o advogado pela obra devolveu.
- Absurdo é vocês quererem ganhar dinheiro em cima de mim! Reunião encerrada. - decidi ficando de pé.
- Senhor Salvaterre!
- A reunião é com vocês, agora resolvam isso, não quero nenhum prejuízo. - encarei meus advogados enquanto ajeitava meu paletó.
- Isso é um absurdo! - ouvi o advogado responsável pela obra reclamar.
- Esse cara é um monstro. - o assistente dele concordou.
- Desgraçado, isso não está certo, vamos abrir um processo contra vocês. - ouvi o advogado dizer, certamente para um dos meus. - Isso é quebra de contrato, meu cli...
Fechei a porta de vidro deixando a discussão lá dentro e voltei para minha sala. Eu sabia que meus advogados resolveriam o problema. Eles não recebiam três vezes mais que o normal à toa.
Lindsay
Desci do táxi e encarei o prédio onde provavelmente iria trabalhar. Respirei fundo e pedi ajuda a Deus e todos os anjos antes de entrar.
Quando criei coragem, parei em frente a recepcionista, uma loira de terninho preto muito bem arrumada.
- É... Eu tenho uma entrevista de emprego com... O senhor Salvaterre. - gaguejei um pouco.
- Último andar, pode subir. - ela sorriu me indicando o elevador.
Forcei um sorriso e acenei uma vez agradecendo com a cabeça. Entrei no elevador e quando o mesmo parou no último andar fiquei impressionada com a decoração. Haviam quadros, estatuetas e vasos de flores ajudando a enfeitar o corredor branco com tons de azul marinho e preto.
- Por aqui senhorita, o Senhor Salvaterre a está esperando. - a mocinha sorriu e abriu a porta pra mim.
Assenti e vacilei um passo quando cheguei na porta. A sala era enorme, acho que era do tamanho do meu apartamento com Vick e Brian, senão maior. Era revestida com três paredes de vidro exibindo toda a cidade. Uma poltrona à esquerda com um mini bar. Um sofá à direita com uma tv de tela plana.
Quadros, vasos de flores e uma enorme mesa de madeira estava posicionada no centro da sala e pra completar uma mesa de sinuca ficava a esquerda.
Atrás da mesa de madeira uma cadeira alta e preta estava virada de costas pra mim. Imaginei que o senhor Salvaterre estava sentado atrás dela, admirando a vista.
- Senhor Salvaterre, a garota da entrevista. - a mocinha avisou e me guiou pra frente.
Dei um passo vacilando e a mulher fechou a porta. Meu coração disparou quando ficamos a sós.
- Aproxime-se!
Fiz o que ele mandou e parei em frente à sua mesa. Será que ele faria a entrevista sem me encarar?
A cadeira então se virou, me assustando. Não pude deixar de arregalar os olhos ao ver aquele homem. Um metro e oitenta aproximadamente, cabelos negros, olhos sombrios e esverdeados.
- Gavin Salvaterre! - ele ficou de pé largando umas folhas na mesa. Me olhando, estendeu a mão.
- Lindsay Aileen! - tentei apertar a mão dele com firmeza.
Ele era sério e cheirava bem. Bem demais. Me perguntei se as mulheres reagiam como eu perto dele, se sentiam essa área intimidadora. E ele também parecia ser extremamente frio. Desejei que se me tornasse empregada dele não cruzasse seu caminho com frequência. Ele era assustador, pra dizer o mínimo.
- Sente-se. - ele apontou a cadeira ao meu lado.
Me sentei e retorci as mãos na altura do colo. Vi que o papel na mesa tinha meu nome, era o meu currículo.
- Então você se formou em arquitetura. - o senhor Salvaterre me olhou.
- Sim! - assenti, obrigando minha voz a se manter firme.
- E está interessada na vaga de assistente em arquitetura em tecnologia de construção, por quê?
- Porque acredito que devemos respeitar não só as pessoas, mas aquilo que nos foi dado, como energia solar, luz e o vento. E eu gosto de construir coisas e de harmonizá-las com o ambiente, de forma a melhorar o aproveitamento da luz solar dentro de uma casa, por exemplo. E assim economizar energia e a água para produzi-la. Acredito que nos tempos que vivemos hoje em dia, não podemos abusar daquilo que necessitamos e está se tornando escasso. Além do mais assim como o senhor, acho o setor de tecnologia auto sustentável fascinante e foi um presente conseguir fundi-lo com a área que escolhi de formação. - respondi como havia ensaiado nos últimos dias.
- Interessante! - ele se limitou a dizer e recostou-se na poltrona preta. - Quer whisky?
- Eu não bebo, senhor! - respondi pega de surpresa.
Que cara oferece whisky a quem está entrevistando e que entrevistado seria louco de aceitar? Seria um daqueles testes de contratação?
- Senhor?! Quantos anos você acha que eu tenho? - ele riu debochado.
- Sinceramente senhor, não faço ideia. - respondi constrangida.
- Tenho 30 anos senhorita, então não me tome por senhor. - ele me olhou enviesado.
- Sim, senhor! - assenti e mordi o lábio.
Merda! Havia acabado de desacatar sua primeira ordem.
- Quantos anos você tem? - o senhor Salvaterre suspirou e parecia entediado ao se levantar.
- 25! - me policiei para não acrescentar “senhor” ao final da frase.
- Está falando sério? Você falou de sua formação como quem tem muita experiência na área.
- Bom faço 26 anos em poucos meses se... - me interrompi mordendo a língua.
O Senhor Salvaterre parou na minha frente e se debruçou na mesa. Sem pressa tomou um gole do whisky.
- Última pergunta! - me olhou.
"Última pergunta? Como assim?!"
- Eu já olhei seu currículo, mas currículos como o seu existem vários por ai. O que me fará contratá-la ou não será a resposta à pergunta que lhe farei agora. Então pense no que vai me responder.
Meu estômago se agitou naquele momento, o que aquele homem estava querendo? Torturar ao máximo seus entrevistados e ver quem resistira a tamanha pressão? Senti pena de todos seus empregados naquele momento.
- Faça a pergunta então! - o encarei nos olhos.
Que olhos lindos ele tinha, duas pedras esverdeadas, mas que eram desprovidas de qualquer brilho ou emoção. Duas pedras de gelo conseguiriam ser mais calorosas do que aquele par de olhos.
- Por que devo contratar a senhorita ao invés dos outros que entrevistei e ainda vou entrevistar?
"Jura? Essa é sua tal pergunta senhor Salvaterre?", pensei com vontade de perguntar. Tanto suspense para fazer uma pergunta tão simples e tão comum em entrevistas? Acho que esperava mais do senhor.
- Primeiramente, o senhor deve me contratar porque não vai encontrar outra pessoa como eu na sua pilha de folhas. - comecei, eu precisava impressionar ele, não ia deixar que me intimidasse. - Em segundo lugar, gosto de desafios, aprendo rápido, além de ser muito criativa no meu trabalho e não ter medo de cara feia ou de clientes que gostam de intimidar. - “como o senhor”, quase acrescentei. - Se quer alguém que o bajule, então sou a pessoa errada para este cargo, mas se procura algo diferente, alguém que irá surpreendê-lo então deve me escolher. Já lidei com professores exigentes e outros chefes, gosto disso, pois, me ajuda a amadurecer profissionalmente. - mordi o lábio. - Mas acima de tudo senhor Salvaterre, quero este emprego, porque além de termos gostos profissionais semelhantes, também comecei do zero e precisei sacrificar muitas coisas para conseguir me formar. Admiro e respeito sua trajetória. Se me der essa chance, garanto que não irá se arrepender. - o encarei firme.
Gavin
A filha da mãe conseguiu me impressionar, constatei cruzando os braços.
Quando aquela garota entrou e me olhou, quase querendo se fundir no piso, achei que não teria nenhuma chance à vaga, até ela começar a falar. Eu sabia reconhecer quando uma pessoa dizia algo pra me impressionar e quando estava sendo sincera. E a senhorita Aileen foi sincera em suas palavras, não era uma bajuladora, muito menos uma garotinha que se assustava e cedia a qualquer pressão.
E foi esse jeito dela que me chamou atenção e não só em relação a vaga de emprego. Para alguém tão jovem e recém formada ela era madura demais, determinada demais. Era como se por trás da aparência frágil ela tivesse um fardo muito pesado pra carregar. Assim como eu. Pelo jeito tínhamos mais em comum do que ela achava. Me inclinei sobre ela e encarei seus olhos azuis.
- Você vai odiar trabalhar pra mim, as pessoas dizem aqui que eu sou um monstro sem coração.
- Não me importo! Eu quero a vaga de emprego, o que me atraiu foi o prestigio de sua empresa, o enriquecimento profissional. Os boatos sobre o senhor ou sua falta de coração, são só boatos. - a senhorita Aileen respondeu com firmeza e eu soube que ela faria qualquer coisa por aquele emprego.
- A vaga é sua! - suspirei.
- Está falando sério? - ela sorriu ficando de pé, invejei aquele brilho que deixou seus olhos mais bonitos.
- Eu não brinco com essas coisas e se me questionar outra vez retiro a vaga. - respondi.
- Tudo bem, foi um prazer conhecer o senhor. - ela estendeu a mão.
- Igualmente, vá até o RH para assinar o contrato contendo os termos de horário e essas coisas. Você começa na segunda-feira que vem. - respondi sério sem lhe dar a mão.
- Sim senhor! - ela assentiu e radiante me deu as costas, ignorando minha falta de educação.
"Isso saia da minha sala, vá embora, vá pra longe de mim. Por sorte no andar onde vai trabalhar não irá nunca mais ver a minha cara!", pensei sentindo a inquietação dentro de mim diminuir.
- Espera! - ordenei.
"Merda o que eu estava fazendo?"
- Algum problema? - a senhorita Aileen se virou prestes a tocar a maçaneta.
- Aceita ir comigo à um lugar está noite? Quero que você tenha uma ideia de quem eu sou.
- Isso faz parte da contratação? Vai haver outras pessoas lá? - ela me olhou desconfiada.
- Sim! - menti de certa forma, pois não haveria pessoas ali, apenas uma além de nós dois.
A senhorita Aileen mordeu o lábio pensativa.
"Não aceite! Diga não, saia dessa sala e nunca mais volte a olhar para mim!", pensei.
- Tudo bem, aonde e que horas?
- Meu motorista passa pra pegar você, tenho o endereço no seu currículo. Esteja pronta às 19 horas.
- Está bem, entendi. Boa tarde senhor Salvaterre.
- Boa tarde senhorita Aileen!
Assim que a porta fechou voltei pra mesa e peguei o copo de whisky. Furioso o joguei contra a parede.
- Você é um merda Salvaterre, entenda isso e faça essa garota ficar longe de você!
Lindsay
Fechei a porta do apartamento ainda atordoada pela entrevista intimidadora e por milagrosamente ter conseguido uma vaga. Agradeci a Deus e todos os anjos e santos.
- E ai como foi a entrevista?
Victória me assustou surgindo do nada na minha frente.
- Bem... Eu acho! O emprego é meu. - sorri dando de ombros?
- Eu não acredito, a gente vai sair pra comemorar hoje. - ela sorriu e me abraçou. - Parabéns!
- Obrigada, mas não quero sair pra comemorar. Na verdade não vou poder.
- Por que não?
- Prefiro ficar estudando para chegar na empresa segunda e não fazer feio. - menti.
- Ah Lis fala sério, você já tem o emprego, se desgruda um pouco daqueles livros chatos!
- Não eu não quero sair, de verdade. Vai você com o Brian e comemorem por mim tá bom? - sorri e dei as costas indo na direção do quarto.
- Se continuar trancada nesse apartamento só estudando e trabalhando vai ficar encalhada e sozinha, cheia de gatos pra sempre. - Vick gritou.
Eu ri achando um absurdo, mas me limitei a dar um tchauzinho pra ela e entrei no meu quarto.
Abri meu guarda-roupa procurando o que vestir e me dei conta de que eu não tinha nada apropriado pra uma reunião de trabalho. Abri a última gaveta do armário e peguei uma caixinha de madeira. Encarei o bolo de dinheiro que economizara por anos, coloquei na bolsa e sai do quarto.
- Volto mais tarde! - avisei antes de bater a porta do apartamento.
Fui até a avenida mais movimentada onde as melhores lojas ofereciam de tudo pra você. Roupas, sapatos, cabeleireiro, manicure. Comi algo na rua e passei a tarde inteira fora procurando algo pra vestir.
Optei primeiramente por um terninho, mas era sério demais pra minha idade e segundo a vendedora, sendo arquiteta eu tinha que usar algo moderno e elegante. Expliquei a situação e ela me mostrou um vestido preto.
Ele terminava pouco acima do joelho, o vão entre os s***s e acima dele eram transparentes, assim como as costas. Os sapatos pretos com salto agulha dourado davam um toque refinado, alongavam minhas pernas e me deixavam mais alta.
- Olhe como está linda?! - a vendedora sorriu e jogou meus cabelos pra frente.
Sorri concordando com ela. Eu me sentia mais velha, mais madura e mais confiante.
- Vou levar os sapatos e os vestidos. - sorri olhando a vendedora pelo espelho.
Ela sorriu satisfeita e me convenceu a ir pro segundo andar onde tinha um salão acabei fazendo as unhas, hidratando o cabelos e ainda ganhara uma limpeza de pele e a maquiagem como cortesia.
Quando estava finalmente pronta quase não reconheci aquela mulher em frente ao espelho. Mesmo sem querer acabei imaginando como o senhor Salvaterre ficaria quando me visse.
Às 19 horas eu estava pronta no meu apartamento, sem um centavo das minhas economias e agradecendo por Vick e Brian terem aceitado minha sugestão e saído. Para aqueles dois qualquer motivo era valido pra sair.
O interfone tocou avisando sobre a chegada do motorista. Respirei fundo e desci pelo elevador. Quando sai, meu coração disparou assim que vi aquele carro preto.
- Boa noite senhorita Aileen. - o motorista tirou o quepe e abriu a porta pra mim.
Surpresa com tanta cortesia entrei e não reconheci o caminho que ele fez. Pra onde estávamos indo?
Gavin
O carro parou em frente ao prédio e abri a porta para a senhorita Aileen antes que o motorista o fizesse. A mão dela estava fria, mas extremamente macia quando segurou a minha.
A primeira coisa que vi foram suas pernas saindo do carro e aquilo já me desconcertou. Quando ela desceu e me encarou naquele vestido preto com aqueles saltos só consegui imaginar como ela ficaria ainda mais linda totalmente nua usando aqueles salto altos. Apenas os salto altos.
- Boa noite senhor Salvaterre! - ela forçou um sorriso.
Afastei os pensamentos pra longe e me afastei dela.
- Vamos entrar!
- Os outros já chegaram? - ela perguntou me seguindo.
Não respondi e entramos no elevador. Digitei um código e o elevador deu um tranco. Olhei aquelas paredes de ferro evitando encarar a senhorita Aileen nos olhos. Provavelmente ela se assustaria e fugiria de mim eternamente ao ver o que eu estava prestes a fazer. E era isso que eu queria e não queria ao mesmo tempo.
As portas do elevador se abriram e Lindsay se assustou ao se deparar com um quarto.
Lindsay
"Mas que loucura é essa?!", encarei o cômodo assustada.
Parece uma sala, mas tem cama vermelha, espelho no teto, baixa iluminação. Aquilo parecia um quarto de hotel, me assustei ao perceber.
- Venha por aqui, ela está chegando.
Segui o senhor Salvaterre ainda atordoada e aliviada por saber que outra pessoa chegaria, mas quem? Ele me conduziu pelo cotovelo, sua mão quente me arrepiando e abriu uma porta. Achei que fosse o banheiro, mas então vi que era uma espécie de saleta. Havia uma cadeira, uma mesa com um botão vermelho e um espelho fumê que dava de frente pra cama.
- Eu disse que você iria odiar trabalhar pra mim, alertei você pra desistir do emprego, mas não me ouviu. Agora você vai ter um vislumbre do monstro que eu sou e vai mudar de ideia.
- Senhor Salvaterre...
- Pare de me chamar de senhor e me chame de Gavin. Apenas Gavin pra você. Se não suportar ver o que vou lhe mostrar aperte este botão e a tirarei daqui. - ele apontou o botão vermelho. - E então estará tudo acabado.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa Gavin fechou a porta e me trancou lá dentro.
- Hei, abre essa porta! - a esmurrei.
Ouvi a campainha e fiquei aliviada, a outra pessoa tinha chegado e iria me tirar dali. Era uma mulher, constatei aliviada até ver suas vestes.
Blusa vermelha que mais parecia um top, saia curta preta que m*l lhe cobria a b***a, uma bota de cano alto cobrindo-lhe os joelhos e uma bolsa com corrente dourada. Ela era morena, tinha cabelos lisos e usava uma maquiagem forte no rosto.
- O que vai querer hoje bonitão?! - ela perguntou a Gavin.
Era estranho pensar nele como Gavin e não como senhor Salvaterre.
Gavin se sentou na cama e olhou o espelho, os olhos em mim como se estivesse me vendo.
- Tira a roupa. Lentamente. - ordenou encarando a moça.
Meu Deus ela é uma prostituta, eles iam t*****r e Gavin queria que eu ficasse ali olhando.
Ergui a mão prestes a bater no botão, mas então vi que Gavin estava olhando na minha direção, como se pudesse me ver. Algo em seu olhar me deteve e eu apoiei as mãos na mesa. Só então reparei que havia duas garrafas de água ali.
A prostituta sorriu e começou a abaixar a saia lentamente. Engoli em seco ao ver a calcinha de renda preta. Me incomodava pensar que minha lingerie era da mesma cor.
Ela continuou se despindo, retirando o top, as botas até ficar totalmente nua na frente de Gavin que parece não esboçar reação alguma. O volume crescente em sua calça era a única coisa que denunciava seu estado.
- Deita na cama! - ele ordenou e ela obedece.
Gavin se levantou enquanto ela seguia seus comandos e dentro de uma gaveta pegou uma corda. Aquilo já estava ali pra que ele usasse?, me perguntei.
Gavin voltou pra cama e usando o meio da corda amarrou as mãos dela. Em seguida puxou seus braços pra que ficassem pra cima e prendeu cada ponta da corda em uma ponta da cabeceira.
Ajoelhando na sua frente, sem tirar uma peça de roupa, Gavin começou a distribuir beijos pela perna daquela mulher. A prostituta jogou a cabeça pra trás e dá seu primeiro gemido.
A sala cheirava a sexo.
Mesmo que eles m*l tivessem começado o cheiro já impregnava o lugar a ponto de me deixar enjoada.
Não conseguia ver o rosto de Gavin, enquanto ele subia os lábios pelas pernas daquela mulher. Tudo o que conseguia ver eram seus cabelos negros e a mulher deitada sobre a cama.
O rosto dela estava jogado pra trás, ela fechou os olhos com força enquanto mordia o lábio inferior. Conseguia ouvir os gemidos dela e mesmo sabendo que ela não podia me ver, que ela nem sequer sabia que eu estava ali, não conseguia deixar de ficar constrangida. Abaixei a cabeça no momento em que a escutei gritar.
Quando ergui a cabeça de novo, vi as mãos de Gavin agarrando com firmeza as coxas dela, mantendo suas pernas abertas. A cabeça dele estava entre elas. E mesmo que eu nunca tenha passado por uma situação igual, nunca tenha sido beijada ali, sabia o que ele está fazendo com ela.
Ela fechou as mãos com força, cravando as unhas nas palmas enquanto levantava o quadril na direção dele e gemia extremamente alto.
Aquela situação absurda, ao mesmo tempo em que era bizarra, era excitante. Me peguei desejando estar naquela cama, no lugar dela, sentindo as coisas que a língua de Gavin estava provocando nela.
Meus olhos se arregalaram com horror quando vi o polegar dele penetrá-la no ânus. Com certeza essa parte não devia ser excitante, mas a mulher gritava mesmo assim.
A cabeça de Gavin se mexia constantemente conforme sua língua ia entrando e saindo de dentro daquela mulher. Não demorou muito e ela desabou na cama tremendo, como se estivesse tendo convulsões.
Enquanto a mulher se recuperava, Gavin se afastou e virou o rosto. Seus olhos focaram bem em mim. Como se ele pudesse me ver através daquele espelho.
"Não se preocupe, o espelho está protegendo você!", pensei tentando acalmar as batidas do meu coração que dispararam só com a forma como ele me olhava.
Ele sorriu de forma perversa e sabia que aquele sorriso era pra mim. Só eu e ele sabíamos que eu estava ali. Afinal estava escondida ali por uma ideia absurda que ele teve.
Ele se voltou para a mulher e ela o encarou com os olhos vorazes. Ela dava a ele todos os sinais de que queria mais.
- De quatro! - Gavin ordenou.
Com dificuldades ela conseguiu girar na cama e ficar de quatro. Eu não sabia se queria ver o que estava por vir, mas não consegui desviar os olhos.
Estava trancada naquele espaço, atrás daquele espelho. Minha única opção era abaixar a cabeça, tapar os ouvidos e torcer para que tudo acabasse logo. Mas não fiz nada disso.
Fiquei olhando Gavin abrir os botões e abaixar o zíper da calça. No instante seguinte o p*u dele estava penetrando o ânus dela fazendo-a gritar enlouquecidamente.
- Você gosta que te fodam aqui né? Confessa que você adora! - ele ofegou e agarrou os cabelos dela com violência, enquanto entrava e saia dali com cada vez mais força. Fiquei me perguntando se não está doendo.
A mulher agarrou a corda enquanto empinava a b***a na direção dele. Com o polegar ele estimulava o c******s dela em movimentos rápidos, precisos e intensos. Me assustei ao ver o quanto aquilo me excitava.
Ela gozou outra vez e desabou na cama, Gavin se afastou e desceu da cama. Ele deu a volta e passou bem perto do espelho onde eu estava. Seus olhos voltaram a me encarar como se ele estivesse me vendo.
Mordi o lábio inferior ao ver o pênis dele de fora. Pensei que se não tivesse aceitado o convite dele não estaríamos nessa suíte agora.
Por um segundo desejei voltar no tempo e quase me arrependi de ter dito sim à ele.
Quase.