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1155 Words
Como poderia descrever Rubens Erdoğan, um turco narcisista, arrogante, prepotente e egoísta? Creio que essas palavras o descreviam bem até demais. Eu o conhecia desde quando me entendia por gente; cheguei à sede com quatro anos e o i****a dançando na pista tinha seis. Sim, apenas dois anos de diferença. Mas ele agia como se fosse meu irmão mais velho. Não era isso que eu queria de Rubens; eu queria mais, sempre quis. Com treze anos, passei perto do seu quarto uma noite para vê-lo e acabei me deparando com a cena dele fodęndo a empregada. Já com quinze anos na época, Rubens já tinha um corpo impecável e um charme de galante. Claro, um homem com seus dois metros de altura, cabelo em um corte que chegava até a metade de sua orelha. Fios tão brancos como a neve, olhos azuis cintilantes como o céu em dia de sol, a pele branca que chegava quase à palidez. E o corpo... Erdoğan tinha um corpo invejável, como o de um corredor olímpico. E isso, além de todos os seus outros traços, chamava atenção. — Ju, limpa a baba — ouvi a voz de Charlotte, logo depois sua risada. — Cala a boca! — disse, desviando meu olhar. — Quero ir embora. — Ah, não! — Charlotte Saito, com os olhos puxados típicos de sua origem asiática, cabelo liso e preto, pele sempre bem cuidada e branca. Minha melhor amiga. —Nosso chefe! — ela apontou na direção de Makyson. — Acabou de se casar e ganhamos duas semanas de férias. Você quer beber! Lotte apenas pegou em minha mão, me arrastando em direção à mesa de bebidas. Não queria beber até não me lembrar de mais nada; da última vez que fiz isso, ouvi um sermão de Rubens por uma semana. Como disse, ele age como o irmão que eu não tenho. Claro, nem se eu quisesse, conseguiria relaxar e beber. Depois dessas duas semanas de folga, eu teria que passar meses ao lado de Rubens, planejando um roubo e o executando. Sobre pensar nele, lá estava eu, o encarando novamente. Pegando ele dançando com o irmão de Ariel e Higor, o novato. Rubens era o favorito de Makyson. Tudo bem que, a julgar pela história deles, não poderia julgar ou desprezar essa relação. Mas isso era um grande estorvo; ele sempre queria ser perfeito, pois não queria dar desgosto a ele. Entende agora a tamanha enrascada em que estou? — Esse negócio está ligado?! —a música parou no mesmo instante e todos olhamos na direção de Ariel e Makyson. Ambos sentados em uma mesa particular no centro do salão. — Como vou viajar e não vou estar aqui no aniversário daquele moleque — ele apontou na direção de Rubens e eu revirei os olhos —, dessa vez o parabéns vai ser com a galera! — Por favor, entrem com o bolo — Ariel disse, tomando o microfone das mãos de Mancini. Rubens odįava seu aniversário, que por coincidência era amanhã. Ou melhor dizendo, pelo meu relógio de pulso, hoje, meia-noite e um. No momento em que o Don e sua esposa levantaram, todos caminharam na direção da mesa de bolo que os cozinheiros trouxeram. Vinte e um anos era o que ele estava completando. Mas pelo sorriso forçado em seu rosto e as mãos fechadas em punho, mostrava sua irritação por isso. Makyson, por sua vez, fez como todo ano fazia na sede: agarrou o pescoço de Erdoğan e começou a pular no "parabéns pra você", arrancando um sorriso dele. Raramente todos os membros da máfia viam Makyson Mancini, mas eu o via todo ano. Ou melhor, uma vez por ano, todo dia vinte de julho, ele ia à sede com um bolo e cantava parabéns para Rubens. Todo ano me lembrava de Silas me contando sobre ele. “— Fique longe dele, tampinha, ele se acha o melhor porque o chefe o salvou. Só se esquece que não é o chefe que está aqui o tempo todo.” Sempre quis saber do que exatamente Makyson o salvou, pois sei que desde os dois anos ele está sob a proteção do chefe. Mancini parecia um pai para Rubens. Fiquei tempo demais presa em meus pensamentos, encarando-o. Pois, no final do parabéns, seus olhos cristalinos me encaravam de volta, parecendo me engolir na imensidão. Era assim toda vez que ele passava tempo demais me olhando. Meu corpo entrava em erupção, minhas mãos formigavam, e uma sensação estranha no meio das minhas pernas me atingia. Sabia o que era isso, sem nem ao menos ter transädo na vida ainda. Rubens me excitava. Era pensando nele que me tocava todas as noites, e saber que para os seus olhos eu era apenas uma irmã mais nova me deixava irritada. Ergui meu copo de gin em sua direção, virei as costas, tomando todo o líquido e caminhando em direção ao banheiro. Logo que entrei no banheiro, fechei a porta, respirando ou melhor, tentando respirar. Não deveria ter bebido mais de duas taças de gin; meu corpo estava quente demais. Abri a torneira, passando minhas mãos molhadas na minha pele inteira. Dröga! Me encarei no espelho, analisando meu cabelo ondulado ainda perfeito do jeito que deixei. Eu não era o tipo de pessoa que chamava muita atenção; meus cabelos chegavam até minha cintura, eram ruivos naturais, bem bronzeada, graças à marquinha de biquíni que fazia um sábado sim e outro não. Meus olhos castanhos eram comuns. Estava alta por conta dos saltos, pois era baixa e bem... gorda. Certamente odįava usar esse termo, mas era a realidade. Tinha um quadril largo demais e s***s fartos demais, sem nenhuma cirurgia, tudo graças ao meu peso, que só piorou no ano passado depois que quebrei meu pé. Gostava de mim do jeito que era; não era meu peso que destruía minha autoestima. Bom, havia dias e dias, na realidade. — Ana — revirei os olhos depois de ouvir três batidas na porta e reconhecer a voz. Odįava que me chamassem de Ana; desde quando cheguei à sede pedi para que me chamassem de Júlia, mas não! Ele não era todo mundo, né? — O que quer? — abri a porta bruscamente, encarando Rubens na porta do banheiro feminino. —Vim ver se está bem. Você bebeu três taças de gin — bufei e empurrei ele do meu caminho. — Estou ótima! — deveria dizer parabéns, mas da última vez que fiz isso, saí traumatizada de seu quarto, por isso, nunca mais desejei parabéns para ele. Pelo menos, não em voz alta. — Amiga! — Lotte correu em minha direção no momento em que me viu. —Vamos para MG! —Ela não vai — e antes que eu pudesse responder, a voz dele apareceu atrás de mim. — Quem vai? —perguntei. — Os irmãos Sanchez — os novatos —, o irmão da Ariel, Silas, eu e você.
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