Ótimo trabalho, agente!

1407 Words
Washington D. C. POV's Annabelle Bieber FBI- 14:35 PM. Abro um sorriso fraco, entregando o relatório que foi proposto na mesa do chefe arrogante que duvidou que eu seria capaz, talvez imaginando que eu fugiria e nem aparecia mais aqui. Quebrou a cara! Os olhos surpresos são erguidos, não fala nenhuma palavra, apenas engole em seco, voltando a focar na pilha de papéis que analisa. Sem querer mais incômodo-ló, direciono-me para retirar da sala na ponta dos pés, receosa de tropeçar e fazer algum barulho que possa irrita-ló. Com medo de ser destratada ao extremo, saio cabisbaixa. Assim que estou quase pegando na maçaneta da porta, o ouço dizer: — Ótimo trabalho, agente. É real isso, estou recebendo um elogio? Para quem queria esganar o meu pescoço a minuto atrás, parece está de boa. Nem comemoro na frente dele, fico muda igual uma estátua, mas a minha vontade por dentro é de pular de felicidade. O chefe do FBI está me elogiando, oh meu Deus! É sinal que não sou tão r**m assim. Porque de propósito ele me deu um caso tão complicado para solucionar, para que eu não tivesse a menor chance. — Obrigada, chefe.— sussurro quase inaudível, insegura, sem manter um contato visual. — Não precisa agradecer, agente, você fez mais que a sua obrigação.— volta a ser um e******o. Desfaço o sorriso de achar que havia uma trégua, ficando séria e sabendo que esse indivíduo grosseiro fará de tudo para me prejudicar. — Saía, está dispensada.— aponta com o dedo para porta e suspiro fundo, revirando os olhos sem que ele veja. Que cara bipolar. — Sim, senhor.— fecho a porta vagarosamente, para não causar nenhum tipo de batida indesejada. Porque do jeito que troca de humor rápido, tenho até receio. Aff. Lembro que preciso pedir, o crachá, o distintivo e a arma. Quando será que vou receber esses pertences? Nem retorno para perguntar, tendo a sã consciência de que vou levar patada. Aguardo o meu turno acabar, sentada na recepção, observando o movimento. Os funcionários transitam, entram e saem. Analiso as roupas das mulheres que andam super elegantes e maquiadas, chego a me comparar quase ficando no chão por tamanha humilhação. Porque do jeito que estou aqui, pareço até mesmo uma atendente de recepção, acredito que nem a atendente se vista desse jeito. Passo a mão na cabeça, impaciente querendo que der o horário. Terei que ficar horas de castigo aqui, graças aquele "chefe" que não me deu mais nenhuma tarefa para eu realizar. É meio que uma prova de resistência, uma tática que está usando para que eu desista. Que ódio! ————————————————- 20:10 PM. FBI. Hoje o dia não foi nada bom e está terminando pior ainda. É um azar muito grande chover, eu pareço até uma louca no meio da avenida. Os carros estão em tempo de me atropelar. Estou ensopada pela chuva, já retirei até o tênis. Levo um banho completamente quando o veículo preto passa arremessando lama com os pneus. — Olha para onde anda, cego!— ergo o cotovelo com a mão, xingando o motorista. O carro volta... Como fui notada no meio desse aguaceiro? Era melhor eu ter ficado calada. Se for bandido, vou ter que usar a força física para me defender. — Quer uma carona?— a voz difícil de decifrar, por causa do barulho da tempestade, me faz se aproximar da janela do banco passageiro. Encosto a cabeça, me arrependendo. Fui xingar logo quem... Parece uma perseguição. Fico sem jeito, morrendo de vergonha. — Te perguntei se você quer uma carona? — Não, chefe.— n**o constrangida, odiando ser uma i****a e piorar a situação pro meu lado. Lhe dou meio que a confirmação de que tem razão em pensar mil coisas ao meu respeito, com eu dessa forma. Seus olhos vêem o quão molhada me encontro.— Não precisa. — Tem certeza?— emite um olhar duvidoso, vendo-me tremer de frio. Percebe-se que claramente estou sendo orgulhosa em recusar. — Tenho sim.— assinto com a cabeça, firme. Mas no fundo, gostaria agora de poder me aquecer nesse aquecedor que há no seu carro.— Quer dizer, não mais.— conserto-me na hora, amedrontada, ouvindo o barulho dos trovões. Tenho trauma.— Posso entrar?— lhe peço para destravar a porta. O proprietário do automóvel permite. No meu vê, é uma burrice da minha parte aceitar carona de um desconhecido que passou o dia inteiro dificultando o meu trabalho. — Qual é o seu endereço?— ele questiona disposto a me levar até em casa. Mordo o meu lábio inferior, com rapidez de não passar a localização exata. Estaria ferrando com a Giulia, se o levasse até lá. — Pode me deixar no metrô, são em algumas quadras daqui. — Nessas horas será difícil você pegar um metrô, deve está tudo alagado. Me fale seu endereço.— enquanto dirigi, se dispõe. Claro né, por culpa sua acabei saindo tarde. O mais inacreditável que está sendo "gentil", nem parece o b****a de hoje cedo que me colocou contra parede. — Não quero incomodar, chefe. — encolho os ombros, com o frio, além de apreensiva em está dentro do carro do sujeito que me acusou de coisas horríveis.— Sério, não precisa. Moro longe daqui, fica dentro do subúrbio. Não é um território muito nobre.— do jeito que aquele bairro é perigoso, nem vou levo-ló para não correr o risco de ser assaltado. Pelo temperamento que demonstra ter, se for assaltado, colocará a culpa em mim também.— Fica na contramão. — uso como argumento para fazê-lo desistir. Talvez por trás dessa gentileza, possa está tramando contra eu. — Não me importo de ir até o outro lado da cidade, agente.— desvia atenção da estrada por um momento, olhando-me convicto. Por um breve instante, me perco na profundidade dos seus olhos que se destacam pelo brilho que há neles. Ocorre uma faísca na troca de olhares, que me desconcentro e fujo de permanecer o encarando.— Você está tremendo de frio. Observa-se minuciosamente que os meus lábios balançam, se atentando aos detalhes. E de repente para o veículo, estacionando-se na beirada da avenida. Retira-se o paletó, estendendo para que eu ponha em mim. Tento negar, mas o frio está tanto que aceito. Por que está sendo bonzinho? Sendo que durante o dia no FBI parece até mesmo um ogro. —————————————- POV's Mabel Bieber. Respirar o ar fresco não tem explicação, é a melhor sensação do mundo depois de passar anos mofando naquele presídio vagabundo. Os meus fiéis alegados, se bem que nesse ramo, existem duas coisas: poder e dinheiro. Para se chegar no topo, precisa alcançar esses dois objetivos. Eu era boa demais e não via maldades nas coisas. As minhas ambições não eram tantas, preferia agir lado do correto, do que quebrar as regras. Foi aí que se aproveitaram da minha inocência e arrancaram tudo de bom que existia em mim. Fui condenada pelo Estado, concordei em receber a pena, mesmo sendo inocente. Minha decisão foi para proteger a mulher que hoje em dia não sinto o menor prazer de considera-lá como mãe. Eu a culpo por eu ter me tornando assim, ela tirou a minha essência, me fez muitas vezes duvidar de mim mesma. — Oi, pai. — sorrio em revê-lo me aguardando no portão de saída do presídio. Emociono-me. É o único que ainda veio me esperar. — Filha. Largo as sacolas indo abraçá-lo. Faz um bom tempo que não o abraço assim, eu o amo tanto. — A sua mãe não pôde vir. — explica, e nem lamento. É até bom não vê-la, é quase um alívio.— Selena precisa da sua ajuda, Mabel.— constato o desespero escancarado nos olhos do meu pai. — Como assim? — indago perdida, não entendendo onde queira chegar. — Sua mãe precisa de um transplante, o câncer dela se alastrou por outras partes dos órgãos, afetando os rins. Vi nos exames que você é compatível para ser doadora. Você irá salvar a vida da Selena, filha. — Como? — odeio o que esteja me propondo, como se eu tivesse alguma obrigação.— Sinto muito pai, mas eu não vou doar nada. — Você prefere que a sua mãe morra?
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