CAPÍTULO 15 MANU NARRANDO Saí do quarto com passos lentos, como se o chão do apartamento tivesse ficado mais pesado de repente. O vestido longo acompanhava meus movimentos, elegante demais pra bagunça que eu tava sentindo por dentro. Cada passo ecoava no silêncio. Silêncio demais. Cheguei na sala já esperando ver meu pai ali, ajeitando o paletó, reclamando do horário, dizendo pra gente não se atrasar. Era sempre assim. Mesmo ocupado, ele nunca tinha faltado em nada importante da minha vida. Mas a sala tava vazia. Impecável. Arrumada. Fria. Olhei em volta, como se ele pudesse surgir do nada. A mesa sem nenhum copo de café, o sofá intacto, a pasta dele não tava jogada em lugar nenhum. Meu peito deu aquela afundada silenciosa, igual elevador quando desce rápido demais. — Pai? — chamei

