Capítulo - I

4149 Words
Quinta-feira, 19 de Março,  Big Brother Brasil - RJ   Era mais um início de dia no Reality Show mais cobiçado do país. O BBB se mantinha como o assunto mais comentado e mais acompanhado pelos populares. Naquela manhã todos os participantes ainda permanecentes na casa tentavam se recuperar da festa do líder que terminou a poucas horas atrás. Eles tentavam descansar o máximo antes do despertador da casa tocar para irem ao confessionário cumprir suas funções matinais. Aquele dia em especial era dia de prova do líder e muitos deles estavam focados em descansar para se preparem para a prova. O foco no descanso junto ao cansaço da festa da noite anterior os impediram de observar pequenos sinais de que algo estranho poderia estar acontecendo por trás daqueles muros e paredes de vidro. :- Bom dia - diz Sarah ao sair do confessionário e avistar a paraibana sentada no chão do corredor. Juliette levantou a cabeça respondendo com um sorriso sonolento, o que fez Sarah sorrir. Thaís era a próxima da fila e assim que adentrou o cômodo, Sarah finalmente soltou a porta. A loira caminhou em direção a morena se curvando para depositar um beijo em sua cabeça. :- Tá bem? :- Não, ainda estou com sono - a morena responde manhosa ao encostar a cabeça na parede e manter os olhos fechados - Vitória dá muito trabalho bêbada. :- Como foi dormir no outro quarto? - questiona aleatoriamente antes mesmo que pudesse repensar o que falava. A pergunta repentina fez Juliette abrir os olhos para poder encarar a face da loira. :- Foi normal - deu de ombros - Mas não tinha o ronco dos Bastiões - sorriu sapeca fazendo a Sarah sorrir também. - Até senti falta. - encara os olhos da loira. :- Sei - sorri desconfiada - Tinha espaço pra você lá, comigo - afirma e desvia o olhar da morena. :- Eu sei. Mas eu queria que você dormisse confortável Sarará - a morena sorri, o sorriso mais meigo, que Sarah só tinha visto naquela paraibana - Eu sei o quanto você gosta de se entregar nas provas e para isso é importante que você tenha um bom descanso - Juliette conclui enquanto levanta. :- Mas se você já está com saudades, não se preocupe porque agora a tarde já vou voltar para o Cordel, tá bom? - afirmou sorrindo ao se aproximar e abraçar a cintura da loira. No mesmo instante Thaís abriu a porta do confessionário indicando que Juliette já poderia entrar. Antes de se soltar, a morena depositou um beijo carinhoso na bochecha da loira e logo adentrou o cômodo fechando a porta atrás de si. Sarah encarou a porta por longos segundos antes de se dar conta do papel que fazia ali naquele corredor. Sentiu estar sendo observada e avistou Thaís a encarando com um olhar desconfiado junto a um sorriso nos lábios. Antes mesmo que a mais nova pudesse questionar qualquer coisa, optou por sair em direção a cozinha.     Alguns meses antes... Terça-feira, 15 de Dezembro de 2020 - Washington, EUA   Do lado norte do continente, médicos, enfermeiros e cientistas cirurgicamente selecionados, trabalhavam em um projeto sigiloso do governo dos Estados Unidos. Com a iminência de um novo vírus pouco conhecido, aparecia a oportunidade perfeita de uma nova arma de guerra. Um vírus ao qual eles poderiam controlar, com capacidade de extinguir toda uma nação, exterminando todo e qualquer inimigo que o confrontava sem a necessidade de armamento, destruição ou contaminação do solo. Mais uma vez a ganância e ambição estavam a frente de qualquer valor humano de empatia pela vida. A ganância cega a ponto de nos elevar ao posto de Deus. A ganância nos faz acreditar que temos o poder e dever de brincar e comandar seres e vidas de acordo com as nossas ambições, de acordo com o que apenas nós e nosso grupo consideram relevantes. Enquanto todo o mundo trabalhava em uma força tarefa pela descoberta de antígenos e vacinas. Esse grupo trabalhava, ocultos dos olhos do mundo, na busca do agravamento do vírus junto ao antígeno dele, tudo a mando de seu governo. Nas ruas de Washington, o cenário da pandemia e quarenta ocasionaram o sumiço de diversos moradores de rua da cidade. Pessoas invisíveis que não despertaram falta em ninguém que pudesse reclamar de seus desaparecimentos. Seres humanos já tão desprezados pela vida agora eram usados como cobaias vivos para os experimentos doentios de seu governo. Crianças, jovens, adultos e idosos de ambos os sexos, eram obrigados a desprezar toda sua identidade, personalidade e história e foram reduzidos a letras e números. Um mero experimento. O consolo que recebiam era que seus sacrifícios seriam para um bem maior da nação. Porém após o falecimento, eram descartados como um mero guardanapo, incinerados, reduzidos à cinzas. No andamento dos estudos, apesar da dedicação de todos os profissionais envolvidos, os resultados ainda estavam longe do objetivo. Foi então que Mrs. Miller, uma ruiva de pele alva e ganância no olhar, que fazia parte do grupo de médicos selecionados do laboratório, decidiu ampliar o nível da alteração do Vírus de Grau II - como previsto - para Grau V. As alterações de Grau II garantia um melhor controle do vírus pois tinham uma fácil produção de antígenos já que sua base de dados era uma Base Mestra da qual se desencadeia os antígenos de todos os vírus gerados a partir daquele grau - Grau II. Uma alteração de nível V não possui base mestra de antígenos, e está muito longe de uma base tipo II. Tendo isso em vista, se torna algo muito arriscado. Mas, para Miller, valeria a pena pelo sucesso do experimento e reconhecimento de seus estudos.   Arquivo Confidencial - 4° Laboratório do Governo de Estado de Washington - EUA Cobaia: X14 Idade: 22 anos Sexo: Feminino Condição: Saudável Infecções - Negativo Bactérias - Negativo Parasitoses - Negativo   Teste - I           Mutação: Grau V Alteração do Vírus: Coronus Melitus - X14 (COROM-14) - Evolução genética agressiva ( Grau V) do atual Coronavírus - COVID-19 Descrição: Um vírus que se aloja na região do bulbo e corrói todo o tronco cerebral danificando o sistema nervoso autônomo. - A primeira ação visível ocorre no sistema respiratório, sua ação degradante atinge os nervos responsáveis pela respiração, fazendo com que o ato de respirar se torne algo pesado e doloroso para o ser humano. O músculo responsável pela inspiração e expiração (diafragma) simplesmente não recebe mais os comandos de suas funções fazendo com que pare de trabalhar. E assim, o ser humano começa a sufocar. - No segundo estágio do vírus, ele ataca a circulação sanguínea, impedindo que o sangue chegue às regiões periféricas do corpo causando a cianose (coloração azulada na pele em certas regiões do corpo - pontas dos dedos, lábios, mucosas) em resultado da insuficiência circulatória. Neste estágio o ser humano já se encontra em estado agonizante e sem chances de reversão dos sintomas até que ocorra a falência total dos órgãos e chegue ao estado de óbito. Duração estágio um: 2 a 5 horas após a infecção. Duração estágio dois: 15 a 30 min até o óbito.   Parecia o cenário perfeito. A ruiva não poderia estar mais contente com o resultado. Conseguiu chegar ao objetivo de forma rápida com aquele experimento. O que ela não esperava era um terceiro estágio do vírus.   Terceiro estágio: Reativação do sistema nervoso periférico sem sinais cardíacos. Não há pulso, não há respiração e não há reflexos. Os cinco sentidos tornam-se rudimentares porém se mantém presentes, quase como um animal irracional movido por seus instintos. Um ser totalmente desconectado de suas memórias, origens e a natureza humana, movido apenas pelo instinto e fome incessante. O novo indivíduo desenvolve atos de canibalismo, se alimentando de sangue e carne fresca de animais e até mesmo de sua própria espécie.   Miller anotava os dados de seu estudo na prancheta de sua cobaia. Seu enfermeiro checava o cadáver para encaminhá-lo ao laboratório, quando percebeu uma reação no corpo à sua frente. Essa era uma ação normal de um cadáver após um óbito. Mas a ação se repetiu. Observou. Mais um movimento. :- Doutora? :- Sim - Miller responde concentrada em seus papéis. :- Parece que a cobaia está se mexendo. - diz o enfermeiro ainda intrigado. :- Respostas nervosas após o óbito são normais. - a médica retruca sem muita importância voltando a suas anotações. Fez-se um silêncio na sala. O enfermeiro observou o cadáver sentar-se na maca. O lençol que cobria seu rosto caiu lentamente revelando um rosto pálido e apático, o olhar de tom amarelado era vazio e encarava um ponto fixo. Seus dedos, lábios e entorno dos olhos ainda mantinham uma coloração roxa. :- Doutora. - pronuncia com dificuldade. :- Sim? - ela responde ainda encarando os papéis porém não obteve resposta. Intrigada pelo silêncio, finalmente levantou o olhar. Segundos depois foi possível ouvir o tilintar do plástico da caneta que segurava encontrando o chão duro coberto por porcelanato. :- Impossível!! Naquela tarde a cobaia foi encaminhada para o laboratório e no fervor de examiná-la, não tomaram as medidas de proteção necessárias. Não amarraram, não prenderam seus membros muito menos a sedaram. Apenas seguiram seus estudos com aquele corpo vivo e morto. Sem reações, sem batimentos, sem pulso, sem calor. Apenas aquela carcaça apática aguçava a curiosidade de todos os médicos e enfermeiros envolvidos com a cobaia X14. O que eles não esperavam era virar vítimas de sua própria criação. Em um dado momento durante uma coleta de sangue a cobaia atacou o enfermeiro mordendo sua mão. O gosto do sangue que jorrou do homem pareceu transtornar aquele ser em busca de mais. A cobaia se tornou agressiva e dona de uma força que não tinha enquanto estava viva. Outros enfermeiros a seguraram e somente um grupo de quatro homens conseguiram a fazer soltar de sua vítima. Ela se debatia inquieta, rosnava e tentava falhamente morder outras pessoas.   1° Contágio.   Mrs. Miller se aproxima tentando analisar o que aconteceu com seu experimento. Observou o homem com a mão ensanguentada e analisou sua cobaia. Os olhos que antes eram neutros carregavam raiva e fome. Em sua boca, saliva e sangue se misturavam enquanto rosnava, seus membros eram inquietos enquanto ela tentava se soltar. :- O que houve com você? - perguntou em um tom baixo e curioso enquanto ainda a analisava - O que é você? - perguntou enquanto checava os batimentos e concluindo que não tinha nenhum. Em um deslize de um dos enfermeiros a cobaia conseguiu soltar sua mão e arranhar a médica em uma tentativa de agarrá-la.   2° Contágio.   Após o ataque a médica, a cobaia foi descartada.  Naquele dia, os dois contaminados deveriam ter alertado os outros setores do ocorrido, para que assim, fossem em busca de um antígeno. Mas isso não aconteceu. O medo da punição por descumprimento das regras e o medo de serem exterminados por contaminação de algo desconhecido, era maior que a ética profissional. Naquele dia ambos apenas limparam seus ferimentos e foram para casa.   Conclusão: Cobaia abatida após ataque a dois profissionais responsáveis, antes de encerrarem os estudos da sua mutação. Corpo foi incinerado.   Uma sequência de erros antiéticos que resultaria em um cenário apocalíptico mundial em poucos meses e custaria a vida de milhares de pessoas.     Quinta-feira, 19 de Março. - Big Brother Brasil - RJ   Naquela tarde, alguns participantes se alimentavam na cozinha enquanto outros ainda dormiam. Gilberto estava deitado em uma das almofadas flutuantes da piscina. Vestia apenas uma sunga enquanto aproveitava o raios de sol que beijavam sua pele. Aproveitava o momento para repensar os últimos acontecimentos e ter um tempo apenas com ele mesmo. :- Gil? - Pocah aparece na beira da piscina - Gil? - o homem parecia não escutar entretido em seus pensamentos. - GIL?? - grita. O homem levanta de uma vez assustado fazendo com que perdesse o equilíbrio e caísse na água. Pocah não se contém rindo da situação do colega. :- Que foi mulher? Quer me matar é? - pergunta bravo após submergir da água. :- Desculpa. - tenta falhamente conter o riso. :- O que você quer? - se aproxima da borda da piscina. :- Queria ver com você se a produção mandou o remédio para dor de cabeça que você pediu? - a morena se aproxima mais da piscina. - Eu pedi mais cedo mas até agora não mandaram. Gil observou a mulher à sua frente intrigado tentando entender por que a produção não mandou os remédios para eles ainda. Ele também tinha feito pedido, porém ainda não tinha recebido, mas não se preocupou com isso pois após se alimentar bem e descascar na piscina o peso em sua cabeça melhorou. :- Eu também não recebi. - encarou a morena que o encarava duvidosa. - Sarah e Juh também pediram, vou ver com elas e te dou. A mulher sorriu agradecida e voltou para a cozinha. Mais alguns minutos na piscina e Gilberto optou por sair e ir em direção as amigas. O homem se secou e se enrolou na toalha antes de adentrar a casa. Entrou no quarto cordel e observou as amigas dormindo na cama de solteiro. Juliette no canto virada para a parede e Sarah atrás dela com o rosto em sua nuca. Era uma cena fofa de se ver. O homem sorriu e olhou ao redor em busca de alguém para que ele pudesse comentar, porém todos ali dormiam. Ele bufou frustrado e decidiu acordar as amigas. Caminhou até a cama do outro lado e pegou um travesseiro o jogando em cima das mulheres com toda a força que tinha. As duas não acordaram mas ele pode observar a mão de Sarah envolver a cintura da Paraibana a puxando mais para si. Sua boca abriu em descrença. :- Mas que cachorrada é essa? - sussurrou. :- Ei!! Bora acordar! - alterou o tom de voz. - BORA! - se jogou em cima das amigas por alguns segundos e se levantou ao ouvir um resmungo vindo das duas mulheres. :- Que poc chata. - Juliette disse rouca e ainda com os olhos fechados. Sarah sorriu em sua nuca. Esse simples ato faz seu corpo se arrepiar, uma sensação ainda desconhecida pela morena. Nesse momento percebeu a proximidade da loira e curiosamente gostou do contato. A mão de Sarah ainda rodeava sua cintura lhe causando um formigamento novo e gostoso. A morena não ousou se mexer temendo que o contato findasse. :- Anda Sarah, para com essa cachorrada aí que eu tô vendo tá? - Gil chamou outra vez. A loira virou ficando de barriga para cima na cama, ela encarou todo o quarto observando se mais alguém as olhavam e por fim parou em Gilberto e seu olhar desaprovador foi lançado. Aquele olhar de poucos amigos parecia não atingir Gilberto que continuava atento à situação. Ao lado de Sarah, Juliette senta na cama e esfrega os olhos manhosa. Apenas aquela cena foi o suficiente para roubar a atenção da loira e, em segundos, o semblante sério deu lugar a um olhar sereno.  Juliette finalmente encarou a loira. Uma troca de olhar inocente o qual estava presa demais para quebrar. :- Oi. - parecia i****a mas foi o que apareceu na cabeça de Sarah naquele momento. Juliette sorriu achando graça levando a loira rir também. :- Mas o que é isso? Eu ainda tô aqui tá? - Gilberto se pronuncia. - Não me ignorem! :- Ae, o incoveniente que nos acordou ainda está aqui amiga. - Juliette diz com uma falsa cara de tédio. Gil devolve a cara de deboche fazendo Sarah rir da implicância dos dois. :- O que você quer meu amor? - Sarah questiona o amigo já aceitando que não conseguirá voltar a dormir. :- Falsa. - ele implica e se aproxima da cama e senta-se próximo a elas. - Vocês receberam os remédios para dor de cabeça? :- Acho que ainda não. - A loira respondeu encarando a morena em seguida, Juliette se limitou a negar com a cabeça. :- Que estranho né? - o homem afirma. :- O que? :- Parece que ninguém recebeu nenhum remédio hoje. - Sarah o encarou intrigada. :- Ninguém? - ele apenas negou. - Que estranho mesmo. - encara a parede pensativa - Bom, então vamos comer alguma coisa para tirar esse m*l estar já que não tem remédio. - ela diz enquanto se levanta.   Naquele fim de tarde o trio conversava com Carla, Camila e João sentados a mesa da Xepa enquanto se alimentavam. A conversa era descontraída com assuntos aleatórios. Os seis riam das piadas da paraibana e de Gilberto. Minutos depois, os sons das risadas foram ofuscados por sons de motores. Um som alto encobria a casa. Aquele som vinha do alto, vinha do céu. Em sequência os raios solares em tom suave alaranjado que iluminavam o gramado , foram encobertos por sombras que se moviam pelo gramado. Todos saíram da casa para verem do que se tratava. Ao saírem e admirarem o céu a surpresa tomou suas faces. Dezenas de aeronaves sobrevoavam o céu em sentido ao sul. Os aviões voam mantendo um perfeito formato de V enquanto cruzam os céus. Eles encaravam o céu impressionados, nunca tinham visto algo parecido. :- Meu Deus, o que está acontecendo? - Carla pronuncia impressinada enquanto encara os aviões voando tão próximo ao solo. Mais uma esquadrilha das aeronaves passou por cima do grupo de pessoas no gramado. Suas feições mostravam dúvida, curiosidade e preocupação.  :- O que está acontecendo? - Arthur grita para que os outros ouçam. :- É o exército? - Camila encara os aviões se afastando. :- Não, esses aviões são da FAB, a Força Aérea Brasileira. - Sarah informa aos colegas. - Minha mãe me levou ao quartel deles uma vez. - ela encara uma ultima vez os aviões notando um detalhe - Esse são os aviões enviados apenas para missão especial e guerras. - sussurra a ultima frase.  Seu medo era passar alguma informação errada e alarmar seus colegas atoa. Mas essa era uma informação que ela tinha certeza. Lembra perfeitamente da vez que visitou o aeroporto do quartel com sua mães. A figura do general informando a importância daqueles aviões e a frase proferida pelo homem de meia idade vinham claros em sua mente "Esses são nossos melhores aviões, e são os que torcemos para não serem necessários usar" . Na época ela não tinha entendido bem o que aquilo significava, mas agora, vendo os aviões já  distantes da visão deles, ela suspeitava o que aquilo poderia dizer, e torcia internamente para que estivesse errada. :- Gente, será que aconteceu alguma coisa? - Vih tinha preocupação no olhar. :- Será que tem algo errado lá fora? - Pocah encara novamente o céu. Todos se encaravam, a incerteza e a preocupação eram nítidos em todos ali. :- Ai que horror. Que vibe péssima essa aqui!! - João interveio atraindo a atenção de todos - Se estivesse acontecendo alguma coisa a produção já teria nos comunicado. Vocês não lembram na edição do BBB20? Assim que começou a pandemia eles comunicaram a casa. - ele disse óbvio - Se tivesse acontecendo algo eles teriam comunicado a gente.  Depois da fala do João, mesmo intrigados, todos voltaram para a casa. Decidiram esperar um pronunciamento do Tiago Leifert no ao vivo.  Apesar de concordar com João, Sarah não conseguia tirar as imagens dos aviões de sua cabeça. Uma fincada de preocupação não saia de seu pensamento. Tentou voltar a dormir mas foi em vão. Ela levantou, bufou frustrada, pegou a toalha e saiu do cordel indo para o chuveiro.   22:50 hrs Todos já estavam sentados no sofá da sala aguardando a aparição do apresentador. Juliette estava inquieta na ponta do sofá. As mãos entrelaçadas apoiavam o joelho cruzado. Apesar do olhar sereno enquanto encarava o tapete quadriculado, seu pé que se sacudia de forma incessante denunciava sua ansiedade. Alguns deles conversavam aleatoriamente enquanto Carla e Camila também se mantinham quietas. O vinco em seus testas denunciavam a preocupação. Parecia que os minutos não passavam, parecia que Tiago nunca iria aparecer naquele telão. Na outra ponta do sofá, Sarah segurava a mão de Gil de forma firme. Ela também ansiava pela aparição do apresentador. Precisava saber se estava tudo bem. Precisava calar aquela voz em sua cabeça que gritava por preocupação. Seu olhar por diversas vezes procurava por Juliette buscando ler suas feições e seus pensamentos.   23:20 hrs Nenhum pronunciamento, nenhum comunicado. Nada. A tensão na sala era palpável. Já não tinha mais conversa. As  únicas dúvidas eram o por que Tiago ainda não tinha aparecido? Por quê não tinha nenhum pronunciamento? Por quê não tinha nenhum contato? O que estava acontecendo?   00:26 hrs Carla já se encontrava de pé na frente do telão o encarando a espera de Tiago. Camila caminhava de um lado para o outro no corredor. Juliette já estava em seu quarto copo d'água na cozinha. Arthur se levanta inquieto. Ele caminha da sala para cozinha e retorna fazendo o mesmo trajeto.  Juliette passa apressada em direção ao reservado. Sarah olha curiosa e levanta deixando um Gil agitado no sofá enquanto ele conversava com Camila sobre o que poderia estar acontecendo.  Sarah esperou pacientemente até Juliette sair do reservado. :- Está tudo bem? -  a loira pergunta enquanto a outra lava suas mãos. :- Não, nenhum pouco. - ela encara a loira pelo espelho e seca suas mãos. - Algo aqui dentro - aponta para o próprio peito. - Me diz que alguma coisa está acontecendo. - Seu semblante era preocupado.  Sarah queria acalmá-la, dizer que é só impressão. Mas ela não podia negar que o sentimento da morena era o mesmo que se passava dentro dela. :- Por que eles não falam nada Sarah? - pergunta agoniada.  :- Eu não sei. - solta o ar dos pulmões. - Vem cá. - diz baixinho para que só a Paraibana escutasse e puxou para um abraço.  Juliette apoiou a testa no peito da maior e procurou por conforto. Respirou fundo uma, duas, três vezes e se afastou o suficiente para encarar Sarah. :- Você acha que... - antes que pudesse terminar a pergunta todos puderam ouvir a voz do Big Boss nos alto falantes. :- TODOS PARA A CAMA - a voz que saiu dos autofalantes veio em um rompante assustando a todos. Todos estavam estáticos com o susto e parmaneceram no mesmo lugar. - TODOS PARA A CAMA! - o tom da voz era ofegante e autoritário, eles se encararam assustados. A voz que falava com eles sempre manteve uma boa dicção e falas pausadas para que todos entendam, bem diferente da atual. A voz falava de forma agitada e rápida. - VOCÊS... - a fala foi cortada, um silêncio. - MEU DEUS! - aquela frase exalava desespero e os assustou mais do que eles esperavam. - PARA A CAMA, IMEDIATAMENTE.. - e novamente a fala foi cortada.  Os brothers encaravam as paredes em busca da voz ou qualquer sinal que fosse e nada. Os corações palpitavam acelerados. Todos estavam assustados. Sarah segurava firme a mão de Gil na sala e não percebeu mas apertava o braço de Juliette como se a qualquer momento ela fosse fugir. :- Gente.. - Camila chama a atenção de todos - Acho melhor fazer o que pediram.  Eles concordaram ainda incertos. Estavam inseguros e o medo era claro em seus olhares. Cada um seguiu para seus quartos e suas devidas camas. Um silêncio ensurdecerdor tomou a casa. Ninguém ousava falar, ninguém ousava sair, ninguém ousava nada. m*l respiravam tentando ouvir qualquer coisa que fosse por trás daquelas paredes. Sarah estava na cama do canto, Gil deitou na cama do meio e Juh ficou na cama do outro canto. Gilberto estava deitado com as costas ainda apoiadas na parede, seus olhos ainda estavam arregalados e ele usava o edredom como um escudo protetor.  Do outro lado, Juliette se remexia inquieta na cama. Já tinha testado todas as posições e nenhuma delas parecia dar conforto e segurança à ela. Por fim ela sentou e encarou a cama do outro canto do quarto. Sarah estava sentada com as costas e cabeça apoiadas na parede, o edredom cobria suas pernas enquanto seus olhos se mantém fechados. A loira tentava se acalmar com toda aquela situação da casa.   :- Sarará? - Sarah ouvi a voz suave quase em um sussurro. Ela abre os olhos e encontra Juliette de pé a sua frente. A morena abraçava o próprio corpo, um claro sinal defensivo e acuado. O r**o de cavalo alto em conjunto com os óculos baixo em seu nariz formavam a versão mais fofa da Mulher. Sarah sorriu de canto com aquela cena e apenas aguardou que a morena continuasse. - Posso deitar com você? - Sarah nada respondeu, apenas sorriu e levantou a coberta abrindo espaço para a amiga.          
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