YaoWei: Presença essencial.

1125 Words
Nos dias que se seguiram, a relação com Elizabeth começou a mudar. Seus gestos carinhosos, como um toque gentil no braço e palavras de encorajamento, aqueciam meu coração. Apesar da dor pela ausência de Vicky, algo em mim começava a se abrir. Certa manhã, enquanto caminhávamos por uma trilha coberta de folhas, Elizabeth parou e me encarou. — YaoWei, eu sei que você ainda pensa na Vicky. Mas saiba que estou aqui para você. Às vezes, ela pode não voltar, e isso pode ser uma oportunidade para você seguir em frente. Talvez ela tenha fugido... Suas palavras ressoaram profundamente. Hesitei antes de confessar. — Eu amo a Vicky. O beijo que trocamos provou que ela sente o mesmo, eu a conheço e sei que ela não fugiria de mim — disse, a voz trêmula. — Não sei se meus sentimentos por ela vão mudar. Elizabeth sorriu, não com pena, mas com compreensão. — Eu respeito isso. O que você sente é importante. Mas saiba que você não está sozinho. Posso estar ao seu lado, mesmo que apenas como amiga. Um alívio percorreu meu corpo. Enquanto continuávamos nossa busca, percebi que, embora meu coração ainda pertencesse a Vicky, Elizabeth se tornava uma presença essencial em minha vida. Ela me incluía em pequenas aventuras: caçar frutas silvestres, compartilhar histórias ao redor da fogueira e rir de um esquilo que tentava roubar nossa comida. A dor ainda estava presente, mas uma nova luz começava a brilhar. Numa noite estrelada, voltei-me para Elizabeth. — Obrigado por tudo. Você tem sido um apoio incrível. — Estou aqui por você, YaoWei — ela respondeu, com um olhar suave. — Vamos encontrar a Vicky juntos. Sempre terá um lugar no meu coração. Essas palavras ecoaram em minha mente. Comecei a perceber que, mesmo amando Vicky, podia abrir espaço para novas conexões sem desonrar o que sentia. Nossa busca se entrelaçava em um novo capítulo de esperança, onde amizade e amor podiam coexistir. Os dias passaram, e Elizabeth se tornava cada vez mais essencial. Certa tarde, encontramos uma clareira cheia de flores silvestres. — Vamos fazer um buquê! — sugeriu, seus olhos brilhando. Enquanto coletávamos as flores, uma mistura de alegria e tristeza tomou conta de mim. Eu pensava em Vicky, mas também em como Elizabeth se tornava uma fonte de luz na escuridão. — Você sabe — eu disse, amarrando as flores com um pedaço de corda — eu nunca pensei que poderia sentir uma conexão forte por alguém além de Vicky. Elizabeth parou, surpresa. — O que você quer dizer? — É difícil explicar. Mesmo amando a Vicky, sinto que você… me entende de uma forma única. Ela sorriu, mas havia seriedade em seu olhar. — O amor pode assumir muitas formas, YaoWei. E é normal sentir carinho por mais de uma pessoa. Naquela noite, ao redor da fogueira, compartilhei mais sobre Vicky, nossas memórias e sonhos. Elizabeth ouviu atentamente, e em vez de se afastar, aproximou-se. — Quero ajudá-lo a encontrá-la — disse, firme. — Juntos, podemos buscar pistas e descobrir algo novo. A determinação dela reacendeu uma chama de esperança em mim. À medida que a noite avançava, nossos medos e anseios se entrelaçavam, formando um vínculo que ia além da amizade. Na manhã seguinte, decidimos explorar uma área do lago que ainda não conhecíamos. O coração acelerado misturava expectativa e ansiedade. Elizabeth caminhava ao meu lado, seu apoio inabalável. — YaoWei, lembre-se: estamos juntos nessa — ela disse, segurando minha mão por um instante. A conexão foi elétrica, mas eu me lembrei de Vicky, e uma onda de confusão me invadiu. — Eu ainda amo a Vicky — reafirmei, como se isso pudesse justificar o turbilhão emocional que sentia. — Eu sei, e está tudo bem. Você não precisa reafirmar isso sempre. Vamos focar em encontrar respostas. Essas palavras aliviaram um pouco do peso que carregava. O sol brilhava no lago, refletindo as esperanças e os medos que compartilhávamos. Com Elizabeth ao meu lado, percebi que a jornada era tão importante quanto o destino. A busca por Vicky continuava, mas algo novo surgia entre nós, uma amizade que prometia se aprofundar, independentemente do resultado. Após dias de busca, Elizabeth e eu decidimos explorar uma caverna que tínhamos avistado. A entrada era sombria e envolta em mistério, mas havia algo que nos atraía. Ao entrar, o som de gotejamento da água ecoava pelas paredes frias, criando um ambiente tenso. Enquanto explorávamos, algo no chão chamou minha atenção. Agachei-me e peguei um pequeno laço de cabelo rosa. O coração disparou ao reconhecer aquele objeto. Era de Vicky. — Elizabeth, olha! — exclamei, segurando o lacinho. — Isso é dela. O olhar de Elizabeth se tornou sério. — Você acha que ela pode estar aqui? Uma onda de desespero me atingiu. Lembrei das histórias sobre Mordecai e como ele poderia estar mantendo Vicky presa nessa caverna. O instinto de ficar ali, esperando por qualquer sinal, era forte. — Precisamos esperar. Alguém pode vir — eu disse, olhando para a escuridão da caverna. — YaoWei, não é seguro. Podemos nos expor. Se Mordecai descobrir que estamos aqui, ele pode levar Vicky para longe — Elizabeth respondeu, seu tom firme. — Precisamos sair e bolar um plano. Relutante, concordei. Coloquei o lacinho no bolso, sentindo uma mistura de esperança e preocupação. Saímos da caverna e encontramos um local escondido entre algumas rochas, onde podíamos observar a entrada sem sermos vistos. — O que vamos fazer? — perguntei, tentando organizar os pensamentos. — Precisamos descobrir se Mordecai realmente a tem. Podemos usar um disfarce ou fazer barulho para atraí-lo e, assim, ver se Vicky aparece — sugeriu Elizabeth, sua mente ágil encontrando soluções. — E se ela estiver em perigo? — questionei, preocupado. — É um risco, mas se ele realmente a tem, precisamos agir rápido. O importante é não ficarmos vulneráveis. Temos que ser estratégicos. Enquanto o sol começava a se pôr, traçamos um plano. Elizabeth sugeriu que fizéssemos um ruído para atrair Mordecai, enquanto um de nós se aproximaria discretamente da entrada da caverna. — Se você consegue distraí-lo, eu posso entrar e procurar por Vicky — ofereci, sentindo a urgência. — Não. Precisamos fazer isso juntos. Se algo der errado, não quero que você esteja sozinho lá dentro — Elizabeth insistiu. A tensão pairava no ar. Sabíamos que estávamos em uma corrida contra o tempo. Com o lacinho de Vicky no bolso, a determinação crescia dentro de mim. Estava decidido a resgatá-la, e Elizabeth estava ao meu lado. Passamos a noite planejando cada detalhe, esperando o momento certo para agir. A esperança e o medo dançavam dentro de mim, mas, com Elizabeth ao meu lado, senti que tínhamos uma chance. A busca por Vicky estava prestes a tomar um rumo decisivo.
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