Treze.
Algumas pessoas amaldiçoam esse número. Dizem que ele é o símbolo do mau presságio. O décimo terceiro sentado com os apóstolos, morto cruelmente na sexta-feira, que vez ou outra é presenteada no calendário com essa data. O capítulo crucial do apocalipse, onde cita de forma subliminar a b***a que vem acabar com que sobrou da humanidade. O banquete em Vallhala com os doze deuses e décimo terceiro causando a morte de Balder, que por coincidência me remete a temerosa carta da morte no tarô, que é representada por também esse número. O treze.
Eu sempre fui supersticiosa e sempre odiei esse número, mas incrivelmente, não é por nenhum desses motivos que citei.
É algo mais profundo e verdadeiramente digno da minha maior repulsa.
A rivalidade com essa corja de infames faz a raiva se aflorar no meu sistema nervoso só de ver o um acompanhando o três.
Tinha esquecido como as ruas de madrugada são tão frias. Amaldiçoou a roupa que visto, ou melhor, a falta dela no meu corpo. Só queria uma jaqueta mais pesada ou uma simples regata que me desse mais uma camada de tecido para me aquecer.
Paro em frente à loja de conveniência, enquanto observo todo o movimento ao meu redor. As luzes lá de dentro estão apagadas, tudo está escuro, exceto o pequeno relógio eletrônico acesso colado no vidro da vitrine que marcava exatamente 03:31 da madrugada, bem ao lado da numeração do estabelecimento, onde tinha escrito com números de metal: 13.
Que sincronia mais estranha é essa que me persegue dessa forma?
Procuro por chaves debaixo do tapete de "seja bem vindo", mas obviamente não acho. Passo a mão na testa, forçando a minha mente traçar um plano que me fizesse entrar lá dentro, antes que o dia amanhecesse e a minha hora chegasse.
Morrer bem no dia do meu aniversário, é algo não muito conveniente.
Não vejo outra saída, a não ser usar a moda antiga.
Caço um grampo de cabelo nos bolsos da minha calça, nem uso essa droga, mas incrivelmente o universo decide colaborar e coloca um lá. Pego o pequeno objeto, o levo até os buracos da fechadura, reparando que meus dedos tremem demais para possuir uma boa coordenação motora em uma situação como essa, onde me pego arrombando a porta do meu próprio emprego. Nunca fiz isso e não é tão simples como os filmes mostram. Tento por incontáveis minutos abrir essa merda e simplesmente não vai.
A raiva me sobe a cabeça. Estou estressada com tudo que aconteceu no meu primeiro dia de liberdade. Frustrada por ter me enfiado em um problema tão grande nessa proporção.
Merda!
Chuto a porta de alumínio, várias vezes ao mesmo tempo que uso todos os palavrões do dicionário, faço isso tantas vezes que meus dedos dos pés dentro da bota começam a doer. Só quero esvair essa adrenalina sufocante que se transformou em angústia.
Até que... a porta simplesmente abre.
Ela estava aberta esse tempo todo.
Como eu não tive a brilhante ideia de simplesmente girar a maçaneta?
Talvez porque seria muita ingenuidade do Sr. Godoy deixar o seu estabelecimento tão entregue aos delinquentes dessa cidade, tipo eu ou aquele cartel maldito.
Respiro fundo, pensando se devo mesmo entrar lá dentro.
Mas não tenho escolha, a caixa de bombons que guardava o que sobrou da mercadoria levada pela polícia, estava lá. Então apenas entro, amaldiçoando o sino que ficava pendurado na porta e tocava toda vez que madeira batia contra ele, imaginando que a minha vida não poderia ficar pior.
Não acendo as luzes, para dificultar, caso haja alguma câmera de segurança, a minha identificação. Duvido muito que o dono se preocupe com isso, quando deixa tudo tão vulnerável dessa forma.
Vou diretamente para a prateleira onde coloquei o que supostamente era meu. Mas para a minha fatídica surpresa, não tem nada lá, nenhuma caixa, nenhum bombom aberto e muito menos drogas.
— Gosta tanto de açúcar assim?
Meu coração dispara como um alarme que toca de manhã cedo, meu estômago dar uma volta de trezentos e sessenta graus na minha barriga e as minhas pernas amolecem como gelatinas, quando eu escuto aquela voz tão terrivelmente familiar.
Levo meus olhos na direção em que ela vem, até achar uma sombra, fodidamente imperiosa, escorada na parede mais próxima, me observando como se fosse me atacar a qualquer instante. É essa a sensação que eu sinto; que o momento da minha morte chegou antes do combinado.
— O que faz aqui?
Levo uma mão até o peito, como se aquele simples gesto fosse capaz de fazer meus batimentos se regularem.
Mesmo na penumbra, consigo enxergar seu olhar brilhar de forma impassível, misteriosa e perturbadora aos meus sentidos. Ele estava poderosamente de braços cruzados, vestindo uma roupa diferente da que vi mais cedo. Uma camisa branca, uma calça escura e dessa vez sem a jaqueta, o que me dava uma prévia dos numerosos desenhos espalhados pelos seus braços. Tive a ligeira impressão de ver seus lábios se curvarem, quando ele movimentou a cabeça, para me fitar de um ângulo melhor. Curioso perante o medo que lutava com meu orgulho de demonstrá-lo.
— Me responda você. — me devolve a pergunta. — Procura por isso? — ele ergue a maldita caixa na mão, atraindo minha atenção para lá.
— Como sabia?
Tem muitos questionamentos rondando meus pensamentos além desse. Primeiramente de que maneira ele veio parar aqui? Pergunta retórica, da mesma forma que eu, lógico, por isso a porta estava aberta. Contudo, o que ele veio fazer nesse lugar a essa hora da manhã e de que modo desconfiou do meu esconderijo?
— Lembrei de ver ela mais cedo na sua mão, mas engraçado... — ele descruza os braços e começa a dar passos na minha direção. — não tem chocolate dentro dela, agora.
Engulo a saliva como se tivesse engolido uma faca. Ele estava se aproximando e conforme fazia isso, meu coração batia mais forte, cada vez forte, e ele cada vez mais imponente.
— Talvez porque eu tenha comido tudo — jogo a piada no ar, quase como um deboche ao d***o, quando finalmente seu corpo chega rente ao meu. Estava frio lá fora, mas como quem entra no inferno, não está mais. — Que pena... você queria?
Não sei quando achei o perigo tão atrativo, para brincar com a minha sorte dessa maneira.
Agora de perto, vejo um sorriso, beirando a perversidade ser desenhada na sua boca, que instantaneamente faz meu olhar cair até ela. Não consigo descrever o que sinto quando reparo no seu formato, nas rachaduras que tem nos seus lábios e na cor citrina em meio a sua barba por fazer.
Varia de medo, raiva e magnetismo.
— O que eu quero agora envolve sangue. Acha que posso conseguir isso dentro de caixas de bombons?
Meus olhos voltam aos seus. Reparo na cor cristalina que circulam suas pupilas dilatadas, devido a escuridão do lugar. Meu corpo estremece com a sua resposta, mais do que já estava golpeando antes.
Não sinto mais medo.
Agora sinto a necessidade de pôr um fim nessas provocações. Acabar com as suas tentativas de me acanhar. Quero e preciso mostrar quem eu sou. Quem realmente é a Hanna quando é provocada.
— O que quer de mim? — me aproximo mais ainda, erguendo meu queixo. — Quer que eu te peça misericórdia e te implore para não me matar?
— Não seja apressada, linda. — Linda? Meus olhos começam o percurso para se revirarem, mas logo param quando de relance vejo sua mão se esgueirar até seu bolso. É agora que ele puxa uma faca e corta a minha garganta como a da Beatriz? — Comece me dizendo onde está o resto?
Então ele retira de lá o saquinho com o que sobrou da sua mercadoria. Ele o segura entre os dedos, me mostrando que pegou o que eu tinha escondido. Esse gesto repentino me faz ficar atônita, com o tanto de suposições sobre o meu futuro me açoitando, pensamentos em demasia que se atropelam no meu cérebro.
— Digo. — falo em um fio de voz, incerta do que fazer, mas com a certeza sobre o que quero saber. — Mas antes me fala, foi você que a matou?
— Matei? Quem? — suas sobrancelhas se unem. Não sei se ele é um bom ator fingindo demência, ou se só percebeu a confusão que causa em mim e está se divertindo às minhas custas.
— Beatriz. Não se faça, por favor. O tipo "sonso" não condiz com a sua carinha de bad boy.
Ele riu.
Riu com aquela risada presa no nariz e com os lábios cheios de presunção.
— Dizem que tipos como eu, são os melhores.
Agora foi a minha vez de replicar a sua risada.
Patético. Eu não precisaria puxar seu mapa astral para saber que tinha leão em quase todas as suas casas astrais.
E eu não sei o que se passou dentro dos seus pensamentos para ter aquela audácia de me dizer tal coisa.
— Não mude de assunto. — cobro. — Me diga, porque a matou?
— Conclusivo. — ele levanta a palma das suas mãos na altura dos seus ombros, semelhante a quem decreta inocência. — Não julgueis e não serás julgada.
Não sei como é capaz, mas todo aquele misto de sentimentos que se embaralhavam junto ao meu medo se resumem só a ódio. Ódio pela forma como ele age tão tranquilamente.
— Bad boy sonso, até que vai. Mas agora religioso? — agora sim me permito revirar os olhos. — Sem essa, me diga, o que aconteceu com ela?
— E eu sei? — ele ergue seus ombros sem tirar os olhos do meu.
Estranhamente, eu não consigo ler o que se passa na escuridão daquele olhar.
— Claro que sabe, você chegou aqui a procurando.
— E então eu viro um assassino por isso?
— Pastor é que não é.
— Você não tem cara de santa e nem por isso fico falando. — o tom da sua voz sai levemente ofendido. Se eu não estivesse prestes a morrer, continuaria com essa discussão nível "criança de cinco anos" só para lhe mostrar que perder não é comigo.
Solto uma respiração impaciente.
— Foi você ou não?
— De que isso importa?
— Importa porque é um feminicídio. A garota que supostamente você ia entregar um pacote cheio de drogas, morreu esfaqueada. — jogo a verdade na sua cara, me dando conta do quão horrível isso é. — E se não se incomoda em dizer, eu queria mesmo saber qual as chances do mesmo acontecer comigo.
— Não foi eu. — diz simplesmente, tomando espaço para trás.
— Então porque ela morreu?
— Não tenho super poderes para adivinhar isso, princesa. Não sei o que ela andou fazendo por ai, só sei que não tem dedo meu nisso. Agora deixa de enrolação e me fala... — seu olhar volta a me atingir com um peso de seriedade. — Onde está o resto?
Não o conheço para saber o quanto está sendo sincero, apesar de sentir que está.
— Pare de me chamar de princesa! — ordeno com uma feição nada simpática no rosto, que logo se desfaz para uma expressão desentendida. — Que resto?
— Depois o sonso sou eu? — ele solta uma risada sarcástica, enquanto eu tento não me mostrar minimamente afetada pela minha falta de inteligência. — Ande, onde tá o pacote? Na caixa só tinha isso e eu vim pegar o resto.
— Não tínhamos combinado a entrega, amanhã no mesmo horário? — retruco, cruzando os braços, assumindo uma postura mais confiante.
— Era, mas eu não sou i****a de te deixar escapar com algo que não é teu. — ele estreita seus olhos para mim, desconfiando. — não sei porque, mas eu sei que estava planejando fazer isso. E já que o destino te trouxe aqui, eu quero o que é meu, agora!
Troco o peso dos pés, ao mesmo tempo que a minha mão alisava minha nuca. Isso não explicava o porque dele está aqui, já que não esperava me encontrar. Contudo, isso já não importa mais, pois já estou fodida em diferentes níveis e cores.
Começo a imaginar o que dói mais? Uma facada na garganta ou uma perfuração de bala?
— Pois é. — estalo, tentando parecer descontraída, enquanto enganava a morte. — Aconteceu algumas coisas...
— Que coisas? — ele estreita mais ainda o seu olhar azulado na minha direção, repleto de curiosidade. — Você vendeu tudo?
— Acha mesmo que se eu tivesse vendido tudo, estaria tendo essa conversa super desnecessária com você a essa hora da madrugada? — pergunto como se ele soubesse responder.
— Não sei. — ele dá de ombros. — Me diga você, é tão boa assim vendendo esse tipo de coisa?
Sim, eu era. Era. No passado.
Fazia dinheiro em segundos e gastava ele em milésimos.
O famoso ditado "vem fácil, e vai fácil", é terrivelmente verdadeiro.
— Eu sou boa em tudo que me disponho a fazer. — sei que isso pode soar soberbo, mas é a verdade. — Mas respondendo a sua pergunta; não, eu não vendi sua mercadoria.
Eu preferia mil vezes ter vendido tudo aquilo do que ter perdido para a polícia.
— E onde ela está? — ele volta a quebrar a distância que tinha entre nós dois, faz isso sem se importar com a colisão do seu peito nos meus s***s e com o abalo sísmico que isso causa ao meu corpo.
— Com a polícia. — digo em um fio de voz.
Fecho os olhos e espero. Espero ser golpeada no pescoço. Espero que algo perfure meu peito. Espero ser arremessada no chão. Espero a morte chegar. Mas ao contrário disso tudo, o que acontece é meus ouvidos, escutando uma risada.
Ele está rindo?
Qual o problema mental que ele tem?
— Tá de brincadeira né? — abro os olhos e o vejo com o braço apoiado em uma das prateleiras, enquanto a sua outra mão segura a sua barriga, como se isso fosse o fazer parar de rir sem limites. — Não tá falando sério.
— Na verdade, estou sim. — reafirmo.
— Não, — ele ainda rir, mas com menos intensidade. — Não tá, não.
— Tô sim.
— Não tá. — agora ele não rir mais. Então entendo que a p***a tá começando a ficar séria mesmo.
— Eu tô.
— Tá, você tá! — diz de maneira grossa, me pegando pelos braços. — Garota, eu te entreguei isso não tem nem oito horas e você me aparece aqui, na minha frente, me dizendo que a polícia pegou?
Seu timbre é alto, enquanto me chacoalhava, seu toque é forte, mas não ao ponto de me machucar, mesmo, ele estando, de fato, com muita raiva pelo o que aconteceu. Meu coração dispara de novo, e só então percebo que ele tinha dado uma acalmada enquanto conversamos — de maneira estranha e tranquila — sobre quão sonsos somos.
— Teoricamente, eu não ia aparecer na sua frente. — falo descaradamente sem medir a proporção do perigo, quando ele para de me sacudir. — Eu só vim aqui pegar o que sobrou, para aí sim, vender e usar o dinheiro para ir embora. — explico os detalhes, vendo fumaça sair dos seus ouvidos. — Sumir, tipo, evaporar, para você não ter que me matar como matou a Beatriz.
Sinto como se seus olhos quisessem ter o poder de soltar fogo na minha direção. Seus maxilar estremece, quando o aperta com tanta força e seus ombros ressaltam consideravelmente, quando ele enrijece seus músculos. Desço minha atenção para as suas mãos que ainda me tocavam, para as suas veias saltadas entre o nó dos seus dedos, que tomavam espaço em disputa com as tatuagens.
— Eu não matei aquela garota. — ele me solta e dar as costas, caminhando de forma perdida até os fundos do lugar. — Mas eu estou pensando seriamente em fazer o que fizeram com ela, com você!
— É agora que eu te suplico para me deixar viva?
— É legal brincar com a morte? — ele me responde lançando uma nova pergunta que me faz repensar nessa maldita vontade de brincar com fogo.
Seu corpo se vira para mim, e em um passe de mágica a sua transformação de pessoa para monstro parece ter acabado. Ele não espera por uma resposta, porque parece já tê-la em suas mãos.
— Pegue!
Penso em recuar quando ele me entrega o resquício do que sobrou da sua mercadoria, na qual eu havia deixando dentro da latinha que ele achou primeiro, mas não o faço.
— O quê eu vou fazer com isso? — meus olhos intercalam o pacotinho nos seus dedos e nos seu olhar repleto de desafio.
— Não me diga que com tanta esperteza, não sabe o que fazer?
Fugir? Era uma boa opção.
— Não é tão ingênuo de me entregar isso, assim, mão beijada.
— E você não é tão tola em acreditar que vou realmente fazer isso. — rebate, e eu tenho a impressão que voltamos a ter a discussão de duas crianças com cinco anos. — Você vai pegar essas gramas e vai transformá-las em treze quilos. Agora!
Solto uma risada cheia de escárnio, enquanto o encaro, tentando enxergar a veracidade naquela sua ordem.
Quando foi que eu obedeci alguma nesses dezenove anos de vida?
— Não tá falando sério.
— Tenho cara de quem está brincando? — seu olhar congelante juntamente com o maxilar rígido, diziam que não.
Mas eu não seria a Hanna se não tentasse me sair por cima, mesmo que meu orgulho estivesse sendo destruído bem embaixo do meu nariz.
— Posso ser esperta, sonsa e até ter as melhores piadas antes da morte, mas mágica, eu não aprendi a fazer.
— Não me importa como vai fazer pra conseguir isso. — ele fala firme, com seu olhar penetrante no meu, se aproximando de novo, pegando minha mão e enterrando o saquinho de pó branco na minha palma. — Mas você vai pagar o dinheiro que me deve.
— Não te devo nada!— deixo isso claro, porque não foi minha culpa a polícia invadir aquela festa que eu nem queria ir.
— Ah.. deve sim! E é bom que comece a usar todas essas suas habilidades — diz com ironia. — a seu favor, porque eu juro, que se você bancar a esperta, engraçada ou desentendida comigo, o seu fim vai ser garantido.
Tivesse pensado treze vezes antes de me entregar aquilo.
Eu quis dizer, mas não fiz. Porque as piadas antes da morte, agora, não me parecem ser tão engraçadas mais.
— Não se passa pela sua cabeça que eu posso sair daqui e te dar um perdido? — ainda sim, tendo não me mostrar prejudicada com as suas ameaças cheias de certeza.
— Não vai. — sua fala é repleta de certeza. — Essa cidade é minha, eu faço as regras e eu mesmo as desfaço, mando em cada pedaço, cada rua, cada bairro. Todos me obedecem. O poder é meu! O comando do Treze vem de mim. Então, Hanna, se você colocar seus pés fora daqui, eu vou saber, e quando menos esperar, eu vou estar lá para te levar ao inferno junto comigo.
A promessa de ida ao inferno ressoou aos meus ouvidos, repetidas vezes, como uma melodia terrivelmente assombrosa, ao mesmo tempo que sino pendurado na porta tocava, anunciando sua saída, mas não foi essa sua promessa que me deixou com medo.
E sim o fato, de que ele sabia meu nome sem eu nem ter o dito.