o encontro
Letícia tinha 22 anos, mas a vida já a havia tornado adulta demais. Durante o dia, trabalhava como faxineira, limpando o clube onde à noite assumia outro papel: garçonete. Não era dançarina, não se envolvia com clientes por dinheiro. Apenas servia bebidas, correndo entre mesas e salas VIP, tentando ganhar o suficiente para pagar os remédios da mãe doente e garantir o sustento da casa.
Naquela noite, já passava das duas da madrugada quando foi chamada para servir a sala VIP número 12. Ao abrir a porta, deu de cara com ele. Um homem alto, forte, de presença imponente. Morena, cabelos castanho-ondulados caindo sobre os ombros, corpo curvilíneo e olhar cor de mel, Letícia sentiu a adrenalina subir ao perceber que estava na frente de um mafioso — perigoso, arrogante, irresistível.
Ele a observou de cima a baixo, os olhos penetrantes que pareciam enxergar cada detalhe da sua alma. Ela tentou manter a postura profissional, oferecendo o drink com a voz firme:
— Boa noite, senhor. Estou aqui para servi-lo.
— Hum… você está aqui para me servir, é? — disse ele, com um sorriso que misturava charme e perigo.
— Sim, senhor — respondeu Letícia, entregando o copo com cuidado. — Apenas cumpro meu trabalho.
Mas ele avançou, quase agarrando-a. Ela tentou se afastar, assustada:
— Não! Me solta! — gritou, tentando recuperar o equilíbrio. — Eu não sou isso!
Antes que a situação ficasse ainda mais perigosa, um homem que ela havia visto mais cedo entrou rapidamente, afastando o mafioso com força:
— Sai daqui! — ordenou, protegendo-a.
O homem alto e forte a fitou novamente, agora com uma expressão diferente, menos agressiva, mas ainda dominante.
— O que você faz aqui? — perguntou, com a voz baixa e firme.
— Eu… sou apenas garçonete — respondeu ela, respirando pesadamente. — Não fico com ninguém por dinheiro. Estou aqui só para trabalhar… para pagar os remédios da minha mãe, para manter a casa…
Ele estudou cada palavra, cada gesto, cada detalhe do seu rosto. Então, segurou sua mão de forma firme, mas sem machucar:
— Você não deveria estar aqui sozinha à noite. É perigoso…
— Nem todo mundo tem uma vida perfeita — murmurou Letícia. — Não se pode julgar.
Ele riu, um som grave que fez seu corpo arrepiar.
— Só pergunto… você não poderia ter um trabalho melhor?
— Eu mereço — respondeu ela, firme. — Faço o que posso para sobreviver.
Ele a observou por mais alguns segundos, como se decidisse algo. Depois, finalmente disse:
— Então vamos tirar você daqui. Está na hora de sair dessa noite… e desses problemas.
Letícia sentiu seu coração disparar. Aquela noite, que começou como mais um turno de trabalho, marcaria o início de algo perigoso, irresistível e totalmente inesperado. Um encontro que mudaria sua vida para sempre.
Ele segurou a mão dela com firmeza, guiando-a para fora da sala VIP. Letícia ainda tremia, com o coração acelerado. Cada passo era carregado de adrenalina, mas também de curiosidade. Quem era aquele homem capaz de impor tanto medo e, ao mesmo tempo, despertar algo que ela não conseguia explicar?
— Não tente correr — disse ele, a voz grave e controlada. — É perigoso ficar sozinha aqui à noite.
Ela engoliu em seco, sem saber se sentia alívio ou mais tensão.
— Eu posso me virar sozinha… — tentou protestar, mas percebeu que qualquer resistência seria inútil.
Ele abriu a porta do carro, um veículo escuro, elegante e imponente, e fez um gesto para que ela entrasse. Hesitante, Letícia subiu no banco do passageiro, os olhos ainda evitando o dele, mas não conseguindo escapar totalmente da presença dominante que irradiava dele.
— Para onde vai me levar? — perguntou, tentando soar calma.
— Para um lugar seguro — respondeu ele, sem se distrair com nada ao redor. — Aqui fora não é seguro para alguém como você.
O motor rugiu e o carro começou a se mover. Letícia olhou pela janela, as luzes do clube se distanciando, e sentiu um misto de medo e excitação. Ele era perigoso, podia ser imprevisível… mas, de algum jeito, parecia que naquele carro ela estava protegida.
Ele quebrou o silêncio:
— Por que está aqui, Letícia? Trabalhando de noite, correndo riscos… não é para qualquer um.
Ela respirou fundo, tentando colocar em palavras a vida que levava:
— Minha mãe está doente. Eu preciso sustentar a casa, pagar remédios, comida… Eu faço o que for preciso para que ela fique bem. Não é fácil, mas é a minha vida.
Ele a observava pelo retrovisor, olhos penetrantes e atentos.
— Corajosa… — murmurou, quase para si mesmo. — Mas você não precisa enfrentar tudo sozinha.
Ela ficou em silêncio, surpresa com a intensidade da frase. Não era apenas proteção física, era mais… era como se ele realmente tivesse notado cada detalhe da sua vida, cada esforço, cada luta silenciosa.
O carro atravessava ruas desertas, e a tensão entre eles crescia, quase palpável. Letícia podia sentir o cheiro dele, a segurança e a força em cada gesto. E, mesmo tentando negar, uma parte dela sabia que nada seria igual depois daquela noite.
Ele quebrou o silêncio novamente, com um sorriso quase imperceptível:
— Você não parece alguém que devesse estar aqui. Bonita demais para esse tipo de vida… — ele olhou para ela, sério e direto. — Mas talvez eu possa mudar isso.
Ela engoliu, sem saber se se sentia aliviada, assustada ou curiosa demais. Naquele momento, estava claro: aquele mafioso não era apenas perigoso… ele era irresistível. E, sem perceber, Letícia começava a se envolver com alguém que podia mudar toda a sua vida — para o bem ou para o pior.