O Dr. Henrique já não se enganava. Não era admiração profissional. Não era orgulho acadêmico. Não era vaidade por ter uma aluna brilhante sob sua supervisão. Era amor. E isso o aterrorizava. Ele começou a perceber nos pequenos gestos: no jeito como o dia dele melhorava quando ela chegava cedo, no incômodo físico quando ela se sentava perto demais, na raiva silenciosa quando algum colega ria alto demais com ela. Henrique passou a evitar olhar direto nos olhos dela. Porque quando olhava… perdia o controle do próprio pensamento. À noite, sozinho no apartamento impecável e silencioso, ele tirava o paletó, afrouxava a gravata e se jogava no sofá, exausto. Mas o cansaço não vinha do trabalho. Vinha dela. Ele se lembrava do som da voz de Letícia explicando resultados, do jeito firm

