Ele fechou a porta do quarto atrás deles.
O silêncio ali dentro era pesado, carregado de tudo que eles tentaram negar por cinco meses.
Letícia ainda tremia. Juan tirou o casaco dela devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse quebrá-la. Colocou as mãos nos ombros dela, firme, presente.
— Olha pra mim — ele pediu, a voz baixa, controlada à força.
Ela levantou o rosto. Os olhos marejados, cansados, cheios de verdade.
— Eu tentei — ela disse, engolindo o choro. — Eu juro que tentei ficar longe. Tentei ser forte, tentei pensar que era o melhor… mas eu não consigo mais ficar longe de você, Juan.
Aquilo atingiu ele em cheio.
Juan fechou os olhos por um segundo, respirou fundo, como quem segura um mundo inteiro nos pulmões. Quando abriu, o olhar já não era o do homem frio dos negócios — era só o dele, nu.
— Você acha que eu consegui? — ele respondeu rouco. — Cada dia sem você foi um inferno silencioso. Eu acordei e dormi pensando se você tava bem, se tava segura… se ainda pensava em mim.
Ela se aproximou um passo.
— Eu pensei todos os dias.
Outro passo.
— Eu tive medo — ela confessou. — Medo do seu mundo, medo de virar um alvo… mas mais medo ainda de viver sem você.
Juan segurou o rosto dela com as duas mãos.
— Então não vai mais. — A voz dele não tremeu, mas o olhar sim. — Se você fica, fica de verdade. Com tudo que eu sou. Com o perigo, com as regras, com a proteção. Eu não te largo mais no meio do caminho.
Ela encostou a testa na dele.
— Eu não quero mais meio termo. Eu quero você. Mesmo com medo.
Ele puxou ela pro peito, apertando forte, como se estivesse finalmente em casa.
— Então acabou o afastamento — ele disse. — Acabou a fuga. Você é minha mulher, Letícia. E quem encostar em você, encosta em mim.
Ela chorou ali, no abraço dele, mas não era dor. Era alívio.
— Promete que não vai mais sumir de mim? — ela murmurou.
— Prometo — ele respondeu sem hesitar. — E prometo outra coisa também: ninguém mais vai te alcançar sem passar por mim primeiro.
Ele levantou o queixo dela e beijou devagar, profundo, não com urgência, mas com certeza. Um beijo de reconciliação definitiva, de decisão tomada.
Quando se separaram, ele encostou a testa na dela e disse:
— Bem-vinda de volta pra onde você sempre pertenceu.
E, dessa vez, ela sabia: não estava voltando para o perigo.
Estava voltando para o lugar onde era protegida — e amada.
Eles entraram no banheiro em silêncio, como se qualquer palavra pudesse quebrar aquele momento. A água quente começou a cair, envolvendo os dois num vapor suave. Juan puxou Letícia para perto, os corpos finalmente reconhecendo o que a distância tentou negar.
Os beijos vieram intensos, molhados, cheios de saudade acumulada. Ele a encostou na parede, protegendo-a com o próprio corpo, como sempre fazia. As mãos dele firmes, seguras. As dela agarradas aos ombros dele, como se ali fosse o único lugar do mundo onde ela realmente queria estar.
A água caía sobre eles enquanto o tempo parecia suspenso. Não havia pressa, nem medo — só a certeza de que estavam juntos outra vez.
— Eu te amo, Letícia — ele sussurrou, a voz baixa, carregada de verdade.
Ela encostou a testa na dele, o sorriso tremendo entre lágrimas e felicidade.
— E eu te amo, Juan.
Os beijos continuaram, quentes, profundos, cheios de tudo o que ficou guardado por cinco longos meses. Ali, debaixo da água, não havia mais separação, nem dúvidas.
Só eles.
E, dessa vez, sem despedida.
Depois, ainda de mãos dadas, eles foram para a cama. Não havia urgência — só a necessidade calma de continuar ali, juntos. Juan a puxou para perto, envolvendo Letícia como se estivesse confirmando que ela era real, que não iria desaparecer outra vez.
Os beijos ficaram mais lentos, mais profundos. Carregavam promessa, reconciliação, pertencimento. Ele passou a mão pelos cabelos dela, e ela se aninhou no peito dele, ouvindo o coração que sempre a protegeu, mesmo à distância.
Ali, entre lençóis desarrumados e suspiros contidos, eles se amaram do jeito que só quem passou pela ausência consegue amar: com cuidado, com entrega, com a certeza de que aquele reencontro não era só desejo — era escolha.
Antes de adormecerem, Juan beijou a testa dela e murmurou:
— Agora fica. Não vai embora de novo.
Letícia sorriu, os olhos já pesados de paz.
— Eu fico. É aqui que eu pertenço.
E, pela primeira vez em muito tempo, os dois dormiram sem medo do amanhã.