Na primeira noite em Buenos Aires, eles decidiram não inventar muito. Nada de restaurante chique demais, nada formal. Um bistrô aconchegante, perto do hotel, luz amarelada, mesas de madeira, vinho bom e cheiro de comida quente no ar. Foram todos juntos. As meninas sentaram de um lado da mesa, rindo, comentando do congresso, das palestras que iam assistir. Caio puxava assunto, fazia piada, quebrava o clima sempre que percebia qualquer silêncio estranho. Letícia estava leve. Usava um vestido simples, nada chamativo demais, mas que marcava o jeito dela de se mover — mãos que gesticulavam quando falava, olhos que brilhavam quando se empolgava com algum assunto científico. Ela ria fácil. Daquele riso solto, verdadeiro, que não pedia permissão. Henrique sentou de frente para ela. No começo

