Passaram-se algumas semanas. O bebê Vítor já estava com três meses. Gordinho, forte, bochechas rosadas, sempre risonho, daqueles bebês que sorriem com os olhos. Juan chegava perto e ele já se agitava todo, batendo as perninhas, como se reconhecesse o pai pelo coração antes mesmo da voz. Letícia observava aquela cena todos os dias com o peito apertado de amor — e também de medo. Foi numa tarde aparentemente comum que o drama começou a se desenhar. Letícia estava na sala, com Vítor dormindo no colo, quando percebeu algo estranho. Um carro preto passou devagar pela rua. Depois voltou. Passou de novo. Vidros escuros demais. Silêncio demais. O coração dela acelerou. Na mesma noite, Juan chegou diferente. O semblante fechado, o corpo tenso, os ombros duros como pedra. Ele beijou Letícia, be

