O alarme tocou cedo, antes do nascer do sol. Letícia suspirou, espreguiçando-se com dificuldade, ainda sentindo o peso da noite anterior. Sua rotina na faculdade de Química era intensa, e não havia espaço para distrações — nem para cansaço.
Ela se levantou, vestiu o uniforme, arrumou rapidamente o cabelo e pegou sua mochila. Antes de sair, olhou para o pequeno bilhete que Juan havia deixado na cozinha:
"Boa sorte hoje, minha cientista favorita. Lembre-se: eu confio em você."
Um sorriso tímido surgiu em seu rosto. Apesar da intensidade de sua vida ao lado de Juan, Letícia não havia perdido o foco em seus estudos. A química sempre foi sua paixão, algo que a mantinha ocupada e motivada, mesmo com todas as ameaças e responsabilidades familiares.
Na universidade, Letícia se dedicava a cada aula, a cada experimento, anotando meticulosamente cada reação, cada fórmula. As horas se transformavam em um ciclo de laboratório, estudos e provas, e ela não podia falhar — não para ela mesma, nem para sua mãe, que dependia da dedicação da filha para ter uma vida minimamente tranquila.
Mesmo cansada, seu corpo lembrava da disciplina que vinha cultivando desde cedo: o trabalho noturno no clube, os turnos de faxina, os estudos diários. Cada conquista era uma vitória silenciosa.
Enquanto mexia cuidadosamente com reagentes em um tubo de ensaio, Letícia pensava em Juan. O cuidado dele, a proteção que lhe proporcionava, ainda ressoava em sua mente. Sentia-se estranhamente segura, mesmo sabendo que o mundo lá fora era perigoso.
Mas naquele momento, no laboratório, o mundo se resumia à química, aos experimentos e à concentração necessária para não cometer erros. Cada pipeta, cada mistura, cada anotação era uma forma de Letícia reafirmar sua força e independência, mesmo vivendo sob a sombra intensa de Juan e do perigo que ele mantinha distante.
Ao fim da manhã, com os braços doloridos pelo esforço e os olhos cansados de horas estudando, Letícia respirou fundo, determinada: ela podia enfrentar qualquer ameaça — mas também precisava aprender a equilibrar sua vida de estudante, filha, protegida e mulher ao lado de Juan.
Quinze dias haviam se passado desde a última vez que Letícia e Juan se viram. Entre a faculdade, os estudos, o laboratório e a rotina intensa, era difícil encontrar tempo para se ver. Letícia se sentia exausta, mas determinada a não deixar nada atrapalhar seus compromissos.
No meio da tarde, seu celular vibrou com uma mensagem:
"Amor, vem pra cá depois da faculdade… tô com saudade."
Ela sorriu, os olhos brilhando, e respondeu rapidamente:
— Vou sim, amor… tô com saudade também. Preciso desligar agora, tá? Mais tarde eu tô aí.
De volta à aula, o sorriso dela parecia contagiar a todos ao redor. Mesmo cansada, Letícia conseguia irradiar energia e alegria, deixando escapar pequenas fagulhas de felicidade enquanto pensava em Juan.
O tempo passou rápido e, finalmente, a aula terminou. Ela pegou o celular e ligou para ele:
— Amor, já saí. Peguei um táxi. Em 15 minutos tô aí.
— Amor… sabe que eu não gosto disso — respondeu Juan, preocupado — manda a localização.
Ela suspirou, entendendo o cuidado dele, e enviou a foto do motorista, a placa e a localização da corrida.
— Amor, desce uma esquina antes — disse Juan, com firmeza, mas de forma carinhosa.
— Por quê? — ela perguntou, ainda meio confusa.
— Faz isso por favor — respondeu ele, com aquela voz que misturava autoridade e carinho.
— Tá… tá bom, amor — disse ela, ainda sem entender totalmente, mas confiando na proteção dele.
Naquele instante, Letícia percebeu o quanto a rotina exaustiva e a distância só aumentavam a intensidade de seus sentimentos por Juan. Cada gesto dele, cada cuidado, cada determinação em protegê-la, fazia com que ela se sentisse mais próxima dele, mesmo em meio à correria e ao cansaço do dia a dia.
Letícia seguiu as instruções de Juan e desceu do táxi uma esquina antes. Ela olhou ao redor, nervosa e animada ao mesmo tempo, até avistar a figura dele esperando. Juan estava encostado no carro, o olhar intenso, a postura confiante e o sorriso leve quando a viu.
— Amor… — disse ele, a voz grave e baixa, aproximando-se dela — você demorou, mas finalmente chegou.
Ela sorriu, quase sem fôlego:
— Eu sei… é que a faculdade me matou hoje. Mas eu precisava te ver.
Juan estendeu a mão e segurou a dela com firmeza. O toque dele era sempre reconfortante e ao mesmo tempo dominador, lembrando Letícia de que, com ele, ela estava segura.
— Quinze dias… — murmurou ele, mais para si do que para ela — quinze dias longe de você. Não quero mais isso, Leticia.
Ela riu baixinho, nervosa, e encostou a cabeça no peito dele:
— Eu também senti saudades… cada dia parecia mais longo sem você.
Ele envolveu a cintura dela, puxando-a para perto, e murmurou ao ouvido dela:
— Hoje eu vou compensar cada minuto que passamos separados.
Letícia sentiu o coração acelerar. Mesmo exausta, a proximidade dele e o jeito firme, mas cuidadoso, que Juan tinha com ela a deixavam completamente entregue. Ela respirou fundo, sentindo o cheiro dele, a segurança que emanava de cada gesto.
— Vamos para casa? — ele perguntou, acariciando suavemente os cabelos dela.
— Sim… quero só você agora — respondeu ela, fechando os olhos e deixando-se guiar por ele.
No carro, enquanto Juan dirigia, Letícia descansava a cabeça no ombro dele. Não precisavam de palavras; o silêncio dizia tudo: a proteção, o carinho e a intensidade do que sentiam um pelo outro. Quinze dias de distância apenas reforçaram o que eles já sabiam: entre eles, havia algo que transcendia o perigo, a rotina e o cansaço — uma conexão que nem o tempo, nem o mundo, conseguiriam quebrar.