Juan levou Letícia para fora do galpão sem olhar para trás. O ar frio da madrugada bateu no rosto dela como um choque de realidade. As pernas ainda tremiam, então ele a pegou no colo, firme, como se o mundo inteiro tivesse desaparecido e só ela existisse.
— Calma… acabou — ele repetia baixo, quase como um mantra, enquanto a colocava no carro.
Ela chorava em silêncio, o rosto enterrado no peito dele.
— Eu achei que não ia te ver de novo… — sussurrou, a voz quebrada.
Juan fechou os olhos por um segundo, sentindo a culpa atravessar como uma lâmina.
— Isso nunca mais vai acontecer. Eu falhei com você… e isso não se repete.
No caminho, ele não soltou a mão dela em nenhum momento.
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Na mansão, Juan mandou todos saírem do quarto. Só eles dois. Ele ajudou Letícia a tomar um banho morno, com cuidado, como se ela fosse feita de vidro. Não havia desejo ali — só proteção, presença, amor cru.
Ela vestiu uma camisa dele, larga demais, e sentou na cama abraçando os próprios joelhos.
— Juan… — ela chamou, hesitante. — Eu fiquei com muito medo.
Ele se ajoelhou à frente dela, segurando o rosto dela entre as mãos.
— Eu sei. E eu sinto muito. — A voz dele falhou, algo raro. — Quando você disse que ia pro laboratório, eu confiei demais. Eu devia ter dobrado a segurança. Devia ter ido buscar você. Devia…
— Para — ela disse, encostando a testa na dele. — Você veio. Você sempre vem.
Ele a puxou para um abraço forte, daqueles que doem de tão intensos.
— Eu não suporto a ideia de te perder. — A voz dele saiu rouca. — Se algum dia isso custar tudo o que eu construí… eu ainda escolho você.
Ela levantou o rosto, os olhos ainda inchados.
— Então me escolhe todos os dias. Não só quando o perigo aparece.
Juan assentiu.
— Eu prometo. A partir de agora, nada acontece sem você saber. Nada. Você não é mais protegida à distância. Você é parte da minha vida. Da minha decisão.
Ela respirou fundo, como se finalmente o peso começasse a sair do peito.
— Então… eu fico. Mas fico inteira. Sem segredos.
— Sem segredos — ele confirmou.
Juan deitou ao lado dela e a puxou para perto, envolvendo-a num abraço firme, constante. Letícia adormeceu ali, exausta, mas segura.
Ele ficou acordado por horas, olhando para o teto, enquanto fazia uma promessa silenciosa:
O mundo dele podia ser violento.
Mas nunca mais pisaria perto dela sem pagar o preço máximo.