No caminho até a mansão, o clima dentro do carro era uma mistura de tensão e provocação.
— Me leva pra casa hoje, tá? — Letícia disse, encostando a cabeça no banco. — Amanhã eu vou pra sua casa.
Juan nem respondeu de imediato. Só lançou aquele olhar fechado, intenso, que fazia o ar pesar.
Ela riu de leve.
— Ai… você é demais, sabia?
— É você que me estressa — ele respondeu, firme. — Você vai pra minha casa. E ponto final.
Ela passou a mão pelo rosto, rindo, já se dando por vencida.
— Tá bom, senhor mafioso.
Juan soltou uma risada curta.
— Agora melhorou. E fala pro seu amiguinho ficar longe.
— Ei, para com isso — ela rebateu, ainda rindo. — Deixa o menino quieto. Do jeito que você fala, parece que vai fazer picadinho dele.
— Faço mesmo — ele disse, sem perder o humor perigoso. — Se eu ver ele perto de você de novo.
— Você tá precisando acalmar esses nervos, sabia? — Letícia provocou.
Juan desviou o carro com uma mão só e olhou pra ela de lado.
— Tô mesmo. E vou me acalmar em casa… com você.
— Ah não, eu tô cansada — ela respondeu, rindo.
— Eu não tô — ele disse, apertando de leve a coxa dela, num gesto possessivo e íntimo. — Você só relaxa.
Letícia balançou a cabeça, rindo mais alto.
— Eu não tenho saída quando você entra nesse modo, né?
Juan sorriu de canto, aquele sorriso que misturava perigo e desejo.
— Não mesmo, meu amor.
E enquanto o carro seguia pela estrada, Letícia suspirou, sabendo que com Juan nunca era simples…
mas também nunca era frio, vazio ou sem intensidade.
Quando chegaram à mansão, Juan estacionou o carro e ficou alguns segundos em silêncio antes de desligar o motor. O clima ainda era carregado, mas diferente — menos tensão, mais algo quente, intenso, cheio de sentimento m*l resolvido.
Ele saiu do carro, abriu a porta pra ela e estendeu a mão.
— Vem — disse, num tom mais calmo. — Hoje eu só quero você perto de mim.
Letícia segurou a mão dele e entrou. Assim que a porta se fechou atrás deles, Juan a puxou para um abraço forte, daqueles que dizem mais do que qualquer discussão.
— Você me tira do sério… — ele murmurou no cabelo dela. — Mas também é a única que consegue me acalmar.
— Então aprende isso — ela respondeu baixinho. — Eu não sou sua inimiga.
Ele afastou o rosto só o suficiente pra olhar nos olhos dela.
— Eu sei. — Respirou fundo. — Só tenho medo de perder o que é mais importante pra mim.
Letícia tocou o rosto dele, com carinho.
— Então confia. Porque eu tô aqui. E quando eu não aguentar, eu falo. Mas não some de mim, Juan.
Ele assentiu, beijando a testa dela com cuidado, bem diferente da brutalidade que o mundo dele exigia.
— Prometo.
Mais tarde, já deitados, sem pressa, sem palavras demais, Juan ficou fazendo carinho nos cabelos dela enquanto ela descansava com a cabeça no peito dele. Não era sobre posse naquela hora. Era sobre presença.
— Amanhã você vai pra aula cedo — ele disse, baixo.
— Vou — ela respondeu, sonolenta.
— E eu vou te buscar. Sem ciúmes. — Ele fez um meio sorriso.
— Quero ver — ela provocou, rindo baixinho.
Juan fechou os olhos, sentindo algo raro: paz.
Porque, pela primeira vez, ele entendia que amar Letícia não era mantê-la presa…
era aprender a não perder o controle quando o medo batia.