O expurgo

1522 Words
Está apenas a algumas horas de iniciar o expurgo anual, muitos ainda tentavam fugir da cidade como nos anos anteriores, outros se escondiam em suas casas, agarrados à esperança de viver pelo menos naquela noite.  Eloá estava completamente ansiosa para que as sirenes soassem e ela pudesse ir para a rua acalmar sua vontade de m***r.  - Como se sente para a sua primeira noite de crimes, Kiss? - B1 perguntou abrindo uma cerveja e se sentando no círculo que eles estavam - Ansiosa para isso, nunca me senti tão viva na minha vida toda. - Eloá respondeu, tomando mais um gole de sua cerveja - Já fez algo assim antes? Ou já fez algo fora da lei e nunca foi punida? - Bunny perguntou e ela sorriu - Desde que eu era criança, minha mãe sempre passava a mão em minha cabeça. Quando ela morreu e eu fui morar com meu tio, ele me ensinou a usar armas e eu comecei a caçar. Nunca matei uma pessoa antes, mas eu já consegui coisas que eu queria, sem que ninguém soubesse. - Nardoni respondeu confiante - Que tipo de coisa? - dessa vez quem perguntou era o Mestre Todos ali conheciam sobre os crimes anteriores de cada um, ajudava a saber em qual perfil cada um se encaixava dentro do grupo. Alguns eram especialistas em bombas, outros eram bons para hackear, outros eram bons roubando, matando ou até mesmo torturando. Nenhum deles sabiam os nomes dos outros, como o combinado, mas sabia os crimes de cada um, para ser melhor até para saber quem estava entre eles.  - Eu arrancava boas quantias de dinheiros de ricaços casados. Eles se juravam fiéis às suas esposas e quando eu os roubava, eles tinham que dar uma desculpa esfarrapada de onde perdeu todo aquele dinheiro. Já que muitos deles eram até líderes religiosos. Tudo em nome da sua imagem limpa, nunca contavam que estavam sendo fiéis. É assim que eu pago minha faculdade de medicina. - Eloá respondeu, colocando sua garrafa no chão - Olha só B2, temos uma nova ladra entre nós. Podemos planejar algum crime para depois da expurgação. Os dias nessa cidade são um saco, não tem nada interessante para fazer aqui, que não seja pequenos furtos. Eu sempre fico de saco cheio disso. - era a primeira vez que o cowboy se manifestava ali - Vocês todos moram aqui em Candem? - Nardoni estava curiosa - Não, apenas alguns de nós moramos aqui. Outros vêm para cá sempre no início de outubro, para podermos organizar tudo e escolher qual será o nosso plano de ação durante as 12 horas. Dessa vez iremos começar com a sua iniciação, você começará matando quem quiser, iremos acompanhando, mas vamos tentar priorizar a sua chegada. - Mestre falou daquela vez, ele estava pensativo com tudo e de olho no relógio em todo o momento - Você agora é uma de nós. Um brinde a isso e que comecem os preparativos. Hoje será uma noite de expurgação. - Bear disse entregando uma cerveja para Eloá e erguendo a que estava em suas mãos Todos escolheram suas armas, se trocaram e pegaram coisas básicas como água e algumas barras de cereais. Tudo estava quase pronto quando o Mestre chegou novamente para ter uma última conversa antes de saírem. Eles não eram apenas assassinos por uma noite ao ano, eles eram um grupo e queriam ter algum tipo de revolução, mesmo contribuindo para todas aquelas mortes anuais, que cada vez aumentavam ainda mais. - Por favor, nada de entrar em casas que estão fechadas, deixaremos essas pessoas lá, ok? Nosso foco é quem encontrarmos pelas ruas, independente se for um grupo ou alguém sozinho, esses vocês têm permissões. Não preciso lembrar, já que daqui a pouco será dito novamente, SEM CRIMES SEXUAIS, ou eu mesmo vou cortar a cabeça de quem fizer isso. Estamos entendidos? - Mestre perguntou e todos concordaram Logo o sinal soou e a voz que anunciava o início da expurgação começou a dizer. “Olá novos e antigos expurgadores. Soube que temos novas pessoas entre nós nesse ano e quero saudá-las. Esse é o dia do expurgatório anual, serão 12 horas liberadas para cometer qualquer tipo de crimes, menos crimes de cunhos sexuais. Qualquer pessoa que cometer esses crimes, vocês poderão punir da forma que acharem melhor. Os serviços públicos não estarão disponíveis até amanhã, às 07:00h. Como sempre, tenha uma boa noite de expurgação, tentem amanhecer vivos, ou não. Que Deus abençoe a América.” Ali estava aberta a temporada de caça, todos iriam para a rua naquele momento e sobreviveria quem tivesse armas ou força o suficiente. Os expungers era o grupo mais respeitado entre a expurgação, por ser um grupo grande e sempre com armamento pesado, além de sempre estarem organizados para cometer os crimes, criando um respeito entre outros grupos.  Eloá foi a primeira a encontrar uma pessoa para m***r, ela deu um tiro de espingarda calibre 12, ela apenas deu um único tiro na cabeça de um dos expurgadores. Ela não sentiu dó, não teve remorso e nada que demonstrasse medo ou receio pelo que tinha feito. Ao contrário, Nardoni sentiu seu sangue ferver e uma onda de felicidade invadir seu corpo, como se fosse uma dose de serotonina aplicada diretamente em sua veia, com efeito instantâneo.  - E aí, como foi sua primeira morte? - Bear perguntou colocando a mão no ombro de Eloá, que se virou para ele com a máscara branca respingada de sangue - Então essa é a sensação de tirar uma vida? Eu nunca me senti tão viva e completa na minha vida. - Nardoni respondeu com um sorriso por trás daquela máscara Seus companheiros sorriram e seguiram todo o caminho. Cada um tinha uma morte em sua lista naquele momento, todos, exceto Eloá que já tinha atirado na cabeça de outras 3 pessoas. Ela não se preocupava no estrago que ela estava fazendo, ela estava se divertindo como uma criança no dia do seu aniversário quebrando a pinhata de doces, mas naquele caso, a pinhata era a cabeça de alguém.  Alguns dos expungers estavam um pouco chocados com a frieza que ela atirava na cabeça de uma outra pessoa e a pontaria mesmo em uma certa distância. Já que a mesma estava com um fuzil de assalto e com uma 12. No seu quarto crime, ela inovou e decidiu fazer diferente naquele momento, não quis dar um tiro certeiro com uma espingarda na cabeça do “coitado”, ela simplesmente mirou de longa distância para acertar seu peito, bem no local do coração sem erro. E lá estava ela, derrubando uma pessoa que sequer viu quem a matou, esbanjando seu conhecido que adquiriu nos clubes de tiros com o seu tio. Depois de algumas mortes e mais algumas agressões, todos pararam em um ponto estratégico que tinha visão da área mais privilegiada da cidade. Algumas pessoas ali se arriscaram de sniper, outros seguiam as instruções que Eloá dava, sobre conseguir m***r com um único tiro.  Naquele momento que ela percebeu que gostou da sensação e que quer sentir aquilo mais vezes. Sentir o calor e adrenalina correndo em suas veias, fazendo seu coração bater mais forte por toda aquela excitação e felicidade que emanava naquele momento.  Mestre e Cowboy distribuíram dois grupos, um liderado por cada um deles, mas no fundo respeitando as vontades e as instruções do Mestre. O grupo onde Nardoni, ou melhor, Kiss ia ficar, seria liderado pelo Cowboy. Ela estaria junto de B1, B2 e Mask, sendo liderados pelo Cowboy. Quanto noutro grupo estavam Mestre, Bear, Bunny, Babe e Poker.  Naquele momento, cada um seria responsável pelo seu parceiro e poderiam fazer o que quisessem, menos o que já estava estipulado antes, da forma que acharem melhor.  Enquanto Eloá atira sem dó na cabeça de pessoas que ela encontrasse pela cidade, Ryan estava seguindo seu objetivo de ainda encontrar um dos assassinos de seus pais. Muitos deles tinham morrido em explicações seguintes e outros fugiram, trocaram seus nomes e iniciaram uma vida longe dos Estados Unidos. Aquilo dificultava muito toda aquela investigação que ele iniciou desde a manhã seguinte às mortes. O m******e da noite de 15 de outubro foi um dos maiores em todos os anos no qual existe. Nardoni estava orgulhosa em saber que ela fazia parte daquele número. Sabia que muitas mortes ali estavam em sua conta, mas ela preferiria dizer que ela não matou ninguém, que ela estava fazendo terapia e que não tinha nada demais ali.   Quando as sirenes da cidade soaram, avisando o final da expurgação, Eloá havia estava no local onde permaneceu antes do expurgo. Tomou banho, se trocou e sem nenhum tipo de remorso ou qualquer emoção transparente, ela saiu dali com a mochila nas costas e despediu de todos, dizendo para eles marcarem algo e a chamarem.  - De volta ao lar doce lar. Não vejo a hora de repetir isso novamente. Foi ali que nasceu a maior ameaça à segurança nacional. Uma noite foi capaz de "transformar" um rostinho meigo e uma voz calma em uma serial killer.
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