📓 NARRADO POR RAFAEL Miguel piscou devagar. Só uma vez. Mas foi o suficiente pra me desmontar. — Tá. — ele respondeu. — Tá cansada. Tá doída. Mas tá bem. Ele respirou fundo. — E amanhã vai pra casa dos meus pais. Aquilo entrou no meu peito como se alguém tivesse chutado minha alma. Casa dos pais. Longe do morro. Longe de mim. A imagem dela indo embora irritada comigo rasgou tudo que ainda tava inteiro por dentro. Minha respiração falhou. — Ela… ela vai mesmo? — perguntei, quase sem voz. — Vai. — Miguel disse. — Ela precisa respirar longe daqui. Eu passei as mãos no rosto, desesperado. — Miguel… — minha voz tremeu de um jeito que eu nunca deixei tremer na frente de ninguém — …por favor. Deixa eu falar com ela antes dela ir. Só isso. Meu peito apertou. — Eu não quero que ela v

