Rian ficou ali, parado, me estudando daquele jeito que só ele tinha coragem de fazer. Nem os da minha tropa me olhavam assim. Porque eles sabiam que eu arrancava o olhar junto com o medo. Mas Rian… Rian sempre foi burro o bastante, ou íntimo o bastante, pra não recuar. Ele inclinou o corpo na mesa, os braços cruzados, a farda meio aberta mostrando o peito úmido de suor. — “Sabe o que é engraçado?” — ele começou, com aquela voz baixa de homem que sabe o que tá fazendo. — “Se eu não te conhecesse…” Eu ergui uma sobrancelha. — “Continua, porra.” Ele sorriu de canto, aquele sorriso de pecado que ele só soltava comigo. — “Se eu não te conhecesse…” Deu um passo na minha direção. — “Eu ia achar que ir pro baile do Cruzeiro… pra ver o traficante mais procurado da capital…” Outro pass

