capítulo 97

1576 Words

📓 NARRADO POR MIGUEL O silêncio ficou tão grosso que dava para cortar com uma faca cega. E eu gostava do som. Gostava do peso que ele colocava nos ombros do homem à minha frente. Ele me encarou. Trêmulo. Mas eu notei o tipo de tremor. Não era o medo covarde do rato encurralado; era a faísca do ferro que precisa quebrar. Era a decisão. E decisões caras assim sempre vêm com um custo alto. A boca dele se abriu devagar, seca, como se cada palavra tivesse que ser cuspidas após mastigar vidro. — Eu vou… — ele disse, a voz rasgando. — Não precisava disso. Desviou o olhar, procurando o chão, procurando qualquer coisa que não fosse meu rosto. — Só deixa a doutora cuidar da minha pequena… A voz falhou no final. O ponto fraco exposto. Não de covardia. De pai. E isso, para mim, era apenas i

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