O mundo parou. Eu congelei. Ela congelou. O beco INTEIRO congelou. A boca dela ainda tava na minha. Minha mão ainda tava na b***a dela. E o grito… veio DO ALTO da escada. Da voz que podia me MATAR de cem jeitos diferentes. Eu soltei ela como se tivesse encostado numa cerca elétrica. Ela me empurrou, ofegante, o batom borrado, o cabelo bagunçado, o rosto VERMELHO. Viramos devagar. Devagar. Devagarinho. E lá estava ele. Miguel Santana. Braços cruzados. Testa franzida. Veia do pescoço saltando. Olhar de “qual testamento você quer que eu use no seu velório?”. Meu cu fechou tanto que virou um nó. Manu levantou a mão, sem graça. — Eh… bom dia… mano… Miguel arqueou UMA sobrancelha. Só uma. Mas essa sobrancelha valeu por cinquenta ameaças de morte. Ele olhou pra mim. De

